Um Dragão do Uruguai

Poderíamos falar de Fucile, que desde que chegou ao Porto sempre mostrou uma raça incrível dentro de campo, cotou-se como um dos melhores laterais (em qualquer um dos lados) do campeonato, da Europa e da América do Sul (foi eleito o melhor lateral esquerdo da Copa América 2007).

Contudo, outro uruguaio surgiu no nosso plantel na pré-época de 2009/2010. Após um ano em que Cissokho pulverizou tudo e todos até ser vendido ao Lyon por 15 milhões, nessa pré-época surge a notícia que o Porto havia desviado o lateral esquerdo do Cluj, que se dizia estar a caminho do Benfica.

Surgem as desconfianças naturais de um reforço vindo do Leste Europeu, desconfianças essas aumentadas principalmente porque nessa altura Sapunaru não tinha feito a época que fez este ano e, apesar do Cluj ter estado na Champions, este reforço iria ter que suar muito para convencer. Era Álvaro Pereira.



De facto suou e muito a camisola. Determinado, conquistou o lugar (facilmente) a Benítez e nunca deu hipótese nem ao argentino nem a Addy, contratado no mercado de Janeiro. Numa época tão irregular do nosso clube foi dos melhores, juntamente com Falcao e com Hulk, principalmente após o regresso do «castigo» que sofreu.

Hoje, após mais uma excelente época do nosso Palito, surge numa entrevista ao «O Jogo» em que mostra bem a sua fibra e a sua posição, neste momento, no clube. Primeiro, não surge com o discurso de «querer experimentar outros campeonatos» ou que «se surgir algo bom para o clube e para o jogador, vê-se». Não quer sair e ponto final.

Segundo, não esquece os 5x0 que apanhamos do Arsenal, em Londres, quando lá jogamos os oitavos-de-final da Champions em 2010. Mostra que sente o clube, que essa derrota não foi só uma derrota e o afastamento da competição mas foi uma facada no orgulho e no prestígio do clube, que deve ser vingado.

Por último, remata o assunto Champions com esta frase: «Fazer uma boa Champions passa por ser campeão da prova. Não podemos ser conformistas.» Lembro aqui a frase de McCarthy na pré-época de 2003: «Se o Leverkusen foi à final, nós podemos ganhá-la.».

O espírito é o mesmo, esperemos que os resultados sejam iguais...

P.S. - Votem no golo do Guarín!


Visão 611: Que futuro?


No ano 2006, o Porto lançava um projecto inovador chamado Visão 611, cujo objectivo era que a formação começasse a produzir mais jogadores capazes de integrar o plantel principal. O período definido foi de 5 anos, o que significa que este é o ano de se avaliar o que foi conseguido.

Em simultâneo, e após mais uma época fantástica, todos os adeptos rezam para que as jóias se mantenham e se possível que novos diamantes entrem no Dragão.

Dito isto, tudo indica que o Mariano, o Rodriguez e o Fernando vão para outras paragens. Pessoalmente não tenho quaisquer objecções, até porque as vendas do Uruguaio e do Brasileiro teoricamente serão suficientes para equilibrar o orçamento. Abrem-se então 2 ou 3 vagas no plantel, que é necessário tapar.

Para a próxima época aparentemente estão confirmados o Iturbe, o Djalma e o Kelvin. Os 2 primeiros são extremos, e o Kelvin é um polivalente, pode ser 10, pode ser extremo, pode ser avançado. Entretanto, andam por aí a passear o Ukra, o Castro e o Sérgio Oliveira, que receio que não irão ter espaço na equipa, ainda que se fale que o último possa integrar a pré-época.

O Castro pegou de estaca no Gijon. O Ukra foi titular no Braga. O Sérgio Oliveira não teve grande sucesso no Beira-Mar, mas pessoalmente tenho alguma dificuldade em acreditar que estes putos tenham alguma hipótese de mostrar qualidade em clubes que apenas jogam para não perder. O que sei é que tem uma cláusula de 30 milhões e já encantou o Dragão.

Com a saída do Fernando, o Castro parece-me uma boa opção. Acredito que este modelo de jogo não precisa de um trinco puro se se tiver 2 “Moutinhos”, e acho que o Castro, e talvez o Souza, poderiam encaixar nesse perfil.

No entanto, fala-se de Prediger e de Luís Alberto…

Com a saída do Mariano e do Rodriguez, o Iturbe parece realmente mostrar dotes que tornam a sua contratação interessante, mas a contratação do Djalma e do Kelvin fazem-me alguma confusão.

O Djalma é mais um Alan, e o último oferecemo-lo ao Braga. Então porquê esta contratação? Para arreliar o Marítimo, pois claro, mas quem se lixa é o Ukra.

Quanto ao Kelvin, aquilo que já vi não me entusiasmou e sinceramente preferia ver o Sérgio Oliveira a ter uma oportunidade séria.

São apenas mais três jogadores de uma grande fornada de promessas que foram surgindo e desaparecendo. São os jogadores que não têm qualidade? Acho que não. Ainda que as épocas de 2006 até 2011 tenham sido de evidente sucesso, também é verdade que tivemos por aí grandes barretes cujos lugares poderiam ter sido ocupados pelos Dragõezinhos.

Será que o Hélder Barbosa, o Vieirinha e o Bruno Gama seriam inferiores ao Mariano? O Valeri, o Prediger e outros do género teriam mais qualidade que o Paulo Machado?

A diferença seria de uns 15 milhões de euros que se teriam poupado, ou seja, um Raul Meireles.

O Projecto Visão 611 termina este ano, e até agora sem produzir quaisquer resultados e sem que os adeptos tenham recebido qualquer cavaco sobre o assunto. Gostaria que algum responsável explicasse o porquê deste aparente fracasso, e sobretudo o que se pretende fazer agora que o prazo chegou ao fim.

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Estar ou não estar, eis a questão ...

Acordei hoje com a notícia que o Otamendi e o Belluschi não vão estar na equipa final da Argentina para a Copa América e, sinceramente, apesar de por um lado ter pena de não os ver nessa competição que espero seguir detalhadamente, por outro até gostei e fiquei satisfeito com a notícia.

Essa satisfação é simples de se compreender: já vamos ter Falcao e Guarin na Colômbia (mais James no Mundial Sub-20) e Álvaro e Fucile no Uruguai, podendo ainda ter Iturbe e Kelvin no Mundial Sub-20. Com Hulk pelo Brasil e Otamendi e Belluschi na Argentina, subia para 7 os habituais titulares que falhariam o arranque da pré-temporada.

 

 Assim, o panorama alivia um pouco. Otamendi e Belluschi são jogadores que, pelo menos à priori, ficam no Porto (e felizmente ...), apesar daquele interesse conveniente do Málaga no nosso central que tornamos goleador (o Velez deve achar que está a negociar o Torsiglieri para o Sporting ...). Perdê-los no início da época como já vamos perder 2 defesas, um médio e um avançado (que, apesar de tudo, deve ficar) poderia ser preocupante ...

Não que o nosso Mestre André não conseguisse superar essas ausências, lembro que este ano Fucile lesionou-se em Moscovo e não voltou, Álvaro e Falcao tiveram de fora de Dezembro a Fevereiro e Guarín nem sempre foi titular. Mas a dinâmica da equipa constrói-se desde cedo e estas 7 ausências poderiam provocar alguma espécie de dano profundo no planeamento para a próxima época.




É certo que o Fernando e o Nicolás mereciam a honra de jogar a Copa América (e, sinceramente, vencê-la) mas, ficando a vê-la pela televisão, sabem que vestirão a nossa camisola azul para o ano e lutar por um troféu com mais prestígio que este que falharam: exactamente, aquele troféu que o Otamendi surge hoje a falar e que aí vem para conquistar.