Feirense x Porto: Antevisão

Começar a análise a este jogo é começar no que, para mim, pode vir a ser um elemento a ter em atenção no jogo de amanhã: a ausência do Incrível Hulk.

Não que tenhamos uma Hulkodependência (o Porto estar dependente de um jogador, só me lembro mesmo da 'Decodependência'), mas o Incrível é simplesmente decisivo. Ou com golos, ou com assistências ou então simplesmente a pôr as defesas contrárias completamente em frangalhos. E é que com Hulk em campo, todos os outros brilham mais facilmente. James, Moutinho, Defour e até Kléber têm estado bem, mas Hulk é o mais decisivo.

Ficando Hulk de fora, a pergunta impõe-se: como será o tridente de ataque ? James e Djalma nas alas com Kléber na frente ? Ou as alas ficam entregues aos dois Rodríguez ? Vítor Pereira, mais que ninguém, saberá gerir esta situação e eu confio nele para isso, cada jogo que passa confio mais na astúcia e coragem do nosso jovem treinador.


Agora as mudanças na defesa: Rolando substitui Maicon no onze e na convocatória e a tranquilidade do internacional português é uma mais-valia que não tivemos no jogo contra o Shakhtar. A ausência de Álvaro também não me preocupa por aí além. Acredito na super-forma de Fucile e que Sapunaru, recuperado de lesão, conseguirá fazer melhor na direita que aquilo que Álvaro tem feito nos últimos jogos.

Por último, uma palavra para o Feirense. Sendo uma equipa bem trabalhada por Quim Machado, com destaque para estes nomes: Paulo Lopes na baliza, é um guarda-redes que dá pontos e é muito difícil de bater; Ludovic é um extremo rapidíssimo, que pode causar complicações à nossa defesa; Rabiola, um avançado móvel, com boa técnica, que passou por nós sem sucesso, mas que em equipas mais pequenas é uma unidade a ter em conta.

Antes de recebermos os rapazinhos da Taça Latina na sexta-feira, temos que nos focar a 100% neste jogo. É importante fazer 15 pontos nas primeiras 5 jornadas e, talvez, aproveitar uma gracinha que o nosso Pedro Emanuel possa fazer este domingo. Sendo o jogo no Estádio de Aveiro, que em dois anos nos deu duas Supertaças, tenho menos medo do que se fosse no Marcolino de Castro, mas nunca fiando. Afinal, não é em montanhas que se tropeça ...

Uns furos abaixo

O Porto este ano está efectivamente muito, muito forte, e penso que é legítimo dizer que começamos também a acreditar que a equipa técnica tem capacidade para levar esta campanha a bom Porto.

Com jogadores como Hulk, James, Moutinho, Helton, Rolando, A. Pereira, Guarin, Fernando, etc., o nosso 11 é fortíssimo, talvez não ao nível de um Barcelona ou um Real, mas ao nível de muitas das grandes equipas mundiais.

O banco também é forte, com nomes como Varela, Defour, Belluschi, Fucile ou Rodriguez, sem esquecer as expectativa criadas pelo puto Iturbe – aparentemente a levar o mesmo tratamento que o James levou o ano passado – e pelos caríssimos Alex Sandro e Danilo, e sem esquecer Mangala, até porque um central internacional Francês normalmente é sinal de alguma qualidade.

Provavelmente por esta altura estarão a pensar que não concordam com jogadores que eu considero 11 ou banco, mas isso apenas demonstra a força do plantel.

Ainda assim, há jogadores que na minha opinião estão uns furos abaixo dos restantes, e que sinceramente não acho que tenham lugar num Porto Europeu.

E passo a nomear:

  1. Rafa – É um jogador simpático, e um dos poucos Portugueses do plantel. Teve azar de se ter lesionado com muita gravidade quando finalmente teve espaço no plantel, mas ainda assim do que vi não me pareceu uma alternativa credível ao Álvaro Pereira.
  2. Souza – O ano passado até começou bem, mostrou bons pormenores e muito pouca cultura táctica. O Fernando tem defeitos, mas ainda assim é demasiado superior ao Souza.
  3. Walter – Falta de habituação, excesso de peso e agora problemas familiares. Os motivos vão variando, mas a consequência é a mesma, não é uma aposta. E se não é uma aposta, porque raio está no plantel?
  4. Djalma – O novo Alan. Não acrescenta nada a um plantel que tem Hulk, James, Varela, Rodriguez e Iturbe.
  5. Bracalli – Não está ao nível de Beto, muito menos ao nível de Helton. Dúvido muito que este ano exista rotatividade na baliza.
  6. Maicon – O melhor para último. Sinceramente, durante quanto mais tempo vamos continuar a acreditar que o Maicon ainda chega lá? Ele tem tudo, capacidade física, altura, velocidade, etc., mas posicionalmente é péssimo! Os erros são muitos, mas há 2 que repetidos à exaustão: Falha de marcação nos cruzamentos vindos de bolas paradas e deixar-se antecipar por algum jogador que aparece pelas costas sempre que a bola pinga à frente dele. Já chega, não?


Há casos que aparentemente estão resolvidos, tais como Rafa e Souza, que com a chegada de Alex Sandro e Danilo deverão perder o pouco espaço que tinham na equipa. O mesmo se passa com Djalma, que aos poucos será substituído por Iturbe. As situações mais graves estarão na baliza, onde Bracalli não é suplente credível, na defesa, caso Mangala não se afirme e, obviamente, no ataque, onde Kléber ainda está tenrinho e o Walter não conta.

Ainda assim, não posso deixar de pensar que é um luxo achar que o único problema da equipa é termos uns suplentes uns furos abaixo.

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Uma espécie de Dragon Force Brasil

Começou esta quinta-feira o Centro de Treinos Dragão, com um milhão de metros quadrados, que tem Carlos Alberto Silva como director-técnico e que vai formar centenas de jovens

O F.C. Porto deu o passo decisivo para a construção de um projecto megalómano no Brasil: trata-se de um centro de treinos para formação de jogadores que se estenderá por... um milhão de metros quadrados. Chama-se Centro de Treinos Dragão e fica situado em Pará de Minas, em Minas Gerais.

Por detrás desta academia está Carlos Alberto Silva: o antigo treinador do F.C. Porto e da selecção brasileira idealizou o projecto, fez-se à estrada da vida e congregou vontades para colocar em cima de pilares a obra. O F.C. Porto recebeu de braços abertos a ideia e assegurou de imediato o projecto.

Quinta-feira foi dado o passo decisivo com a assinatura do protocolo de construção da academia. Carlos Alberto Silva falou ao Maisfutebol e frisou que é um sonho concretizado. «Já tinha a ambição de construir este Centro há muitos anos. Desde que deixei de treinar que comecei a trabalhar nisto».


Da parte do F.C. Porto, garante, recebeu o entusiasmo. «Falei com Pinto da Costa e ele abraçou de imediato o projecto. Comprou a ideia e disse que este projecto não podia ser de mais de ninguém, se não do F.C. Porto.» Esse foi de resto só o primeiro passo. «Deu um apoio muito grande em tudo.»

Contrariamente ao que chegou a ser dito, porém, Carlos Alberto Silva garante que este projecto não vai custar um investimento directo do F.C. Porto. Inicialmente foi referido que o clube ficaria responsável pela construção do estádio do Centro com capacidade para 15 mil pessoas. Tudo falso.

«O F.C. Porto não vai investir dinheiro, pelo menos não directamente, na construção», referiu. «O clube entra apenas com o know-how: dá o nome, dá a credibilidade, dá meios humanos e dá organização. O nosso pessoal vai estagiar no Porto e o F.C. Porto vem cá executar todas as ideias.»

Azul da cabeça aos pés

O nome do F.C. Porto foi de resto fundamental para conseguir colocar o projecto de pé. Um projecto que se estende, repete-se, por um milhão de metros quadrados, com um estádio para 15 mil pessoas, dez campos de futebol dentro do centro, mais três no exterior, e um hotel para centenas de jovens.

«É uma obra ambiciosa e que será motor de desenvolvimento da região. Vai criar mil postos de trabalho.» Por isso recebeu apoios do governo brasileiro, do governo regional e de várias empresas. O município, por exemplo, comprou o terreno por cerca de um milhão de euros e deu-a ao projecto.

«Quero formar para o F.C. Porto uma grande quantidade de jogadores do nível jovem, até à categoria júnior, e de nível intermédio, que são os sub-20. Queremos aproveitar o talento natural brasileiro, dar-lhe o método do Porto e formar grandes jogadores.»

De resto, o F.C. Porto dá o nome, dá o know-how e fica com um corpo de centenas de jovens para recrutar. «O F.C. Porto tem toda a primazia. Sempre que quiser um jogador, é só vir cá buscá-lo e pagar uma pequena indemnização ao Centro. Se não quiser, aí podemos negociá-los com outros clubes.»

Por fim, perguntou-se a Carlos Alberto Silva se tinha o sonho de ver um jogador formado no Centro de Treinos Dragão na selecção brasileira. «Tenho o sonho de ver muitos jogadores formados aqui no F.C. Porto, isso sim. O apoio do clube e a amizade de Pinto da Costa foram fundamentais neste projecto.»


in MaisFutebol