O estranho caso da formação no FC Porto e Jackson Martínez
Esta semana começou com mais um caso no nosso clube, Castro um jogador da nossa formação, portista como se calhar mais nenhum dentro do plantel ia ser emprestado. Até podia ser tudo normal, se o rapaz não estivesse a entrar no último ano de contracto, não tivesse 25 anos, não fosse ser emprestado para esse grande colosso que é o Kasimpasa da grande liga Turca .
Pelo amor ao clube o jovem Castro acedeu a renovar com o nosso clube, mas mesmo assim só renovou por mais um ano.
Mas as questões a por são, porque é que ele renovou? Porque é que não deixam o rapaz sair em definitivo visto que ele não conta para o clube? E porque é que o Fernando merece fica no plantel, sem renovar e sempre a dizer que não quer ficar? E se o Fernando sair a alternativa não podia passar pelo Castro?
Este é mais um caso em que não se aposta em gente da nossa formação para o plantel principal, e porque? Porque não há dinheiro em comissões? Não sentem o clube como as camionetas de sul-americanos de qualidade dúvidosa? Não se entregam em campo como eles?
Pelo menos no caso do Castro isso não pode ser dito, sempre que lhe foram dadas oportunidades o rapaz entregou-se ao jogo como poucos e tinha mais do que condições para se manter no plantel e talvez ser titular.
E o caso do Castro não é único no nosso clube, jogadores como Bruno Gama, Vieirinha, Paulo Machado não teriam condições para ter jogado no nosso clube?
O Josué, por exemplo, é um jogador da nossa formação, mas que só está agora no nosso plantel porque é nitidamente um jogador de aposta do mister Paulo Fonseca. Óbvio que qualidade não lhe falta, mas é assim tão superior ao Castro, para merecer ficar no plantel e o outro não?
É claro que nem todos os jogadores da nossa formação tinham qualidade para integrar o nosso plantel, mas há alguns casos que nitidamente eram superiores a gajos que vieram da América do Sul, mas continuo a achar que há outros interesses que infelizmente se sobrepõem ao portisto, à raça, à mística e até à qualidade e enquanto assim for, por muitos jogadores que o clube venda, por muitos milhões que entrem, enquanto não houver aposta no formação, em vez da comissão parece-me que o nosso clube vai ver o passivo aumentar a cada dia que passa.
Já agora aproveito para deixar um abraço ao Castro e desejar-lhe a melhor das sortes lá na Turquia e em toda a carreira.
Jackson Martínez
Quanto ao caso do Jackson, ainda bem que não sou dirigente do nosso clube, a sério, ia ser mau, não ia aguentar com estes vedetismos, estas birras, estes empresários e os outros clubes que prometem mundos e fundos aos nossos jogadores.
Mas parece-me que o Jackson não esteve nada bem nas declarações que proferiu ao dizer que ou renova ou sai. Para mim este era mais um caso em que já nem renovava, e a sair tinham de lhe bater a cláusula a pronto, isto porque aquando da assinatura do contracto com o nosso clube ninguém tinha uma arma apontada à cabeça para assinar e como tal, ele tem de respeitar o contracto ou então se tiver quem o venha buscar tem de lhe dizer que por agora são 40M/€ a pronto.
Agora diz que quer renovar, a mim parece-me mais do que óbvio que queira renovar, com jeito vai dobrar o salário, por isso, é mais do que justo que ele queira renovar.
[Pré-Época] Nápoles 1 x 3 FC Porto
Após um jogo pouco conseguido contra os Turcos do Galatasaray e frente a uma equipa teoricamente superior do Nápoles o FC Porto impôs-se e demonstrou que nem tudo está perdido nem tudo está atingido. Ilações para mim óbvias nesta altura da temporada, mas já se sabe que há sempre quem consiga prever a desgraça pré-apocalíptica num resultado menos conseguido durante um qualquer torneio de Verão. Felizmente continuamos sem ser Campeões da Pré Época, o que para os nossos lados costuma ser um bom presságio.
- Quintero: O toque de bola deste rapaz não deixa espaço para grandes dúvidas. Rápido, trata a bola com muito carinho distribuindo ou temporizando a bom ritmo. Não tem para já a visão e a rapidez de execução do Professor Lucho, mas é sem dúvida um 10 com enorme talento em potência, poderá sem dúvida conquistar espaço e quem sabe até roubar o lugar que para já parece pertencer ao Capitão.
- Herrera: Mais na segunda parte que na primeira, mas finalmente a demonstrar o seu estilo e a explicar o que motivou tanto interesse que levou à sua contratação. Muito longe de ser um Moutinho, é no entanto um jogar físico e muito mais vertical que o Português. Sem complicações a despachar a bola sem fugir ao contacto físico.
- Otamendi: Serve esta nota apenas para referir que Otamendi é um defesa central soberbo. Está em todo lado e faz esquecer os seus centímetros a menos numa capacidade de antecipação e uma determinação acima da média. Neste momento é o patrão e ao lado de Mangala perfazem uma das melhores e mais completas duplas de centrais que vi actuar de azul e branco.
- A defesa: De uma forma geral, e no seguimento das críticas que realizei durante a pré-época em relação à defesa e à falta de concentração dos seus jogadores, tenho que agora parabernizar a mesma defesa pela enorme evolução verificada durante esta Emirates Cup. Desde o "monstro" Otamendi até um surpreendente Abdoulaye, todo os elementos da defesa foram competentes. Não perfeitos, mas a demonstrarem que com uma maior rotina poderão voltar aos níveis que nos habituaram nos últimos dois anos.
- Ghilas e a segurança de ter uma alternativa: Queria a comunicação social fazer acreditar, por uma maior sucessão de minutos sem golos marcados, que Ghilas já não era uma alternativa válida ao nosso Colômbiano favorito. Havia quem na Sport TV já disse-se até que o FC Porto deveria ir ao mercado procurar outra alternativa caso Ghilas continua-se a não mostrar serviço. Uma resposta à altura, um jogo em que soube aproveitar o que lhe chegou aos pés e a colocar em sentido a defesa adversária durante a maior parte do encontro. Como é bom ter uma alternativa...
- A dinâmica do meio campo: Ainda longe da perfeição, o que é natural após tantos anos a afinar um 4-3-3 que fora alguns princípios básicos era sempre semelhante, pareceu contra o Nápoles que os jogadores aos poucos começam a compreender melhor o que o Paulo Fonseca idealizou para o meio campo do FC Porto 2013-14. Também o treinador pareceu também evoluir na sua leitura isolando mais Fernando do seu companheiro do lado. Sem deixar de existir um 10 puro, típico deste triângulo invertido, Fernando foi muito mais Fernando principalmente durante a segunda parte, quando Herrera pareceu libertar-se mais.
- A dificuldade em desmontar o autocarro: O Nápoles foi um adversário fechado principalmente durante uma primeira parte em que praticamente se limitou a bloquear todas as portas de entrada à carreira de tiro que os jogadores Portistas tanto procuraram. Uma equipa à imagem de muitas que iremos encontrar no nosso Campeonato durante a próxima temporada, com a diferença que os intervenientes da equipa Italiana destilam muito mais qualidade individual. A verdade é que durante uma primeira parte em que a disciplina táctica dos Italianos foi muito rigorosa, o Porto pouco ou nada conseguiu fazer para contraria as muralhas Napolitanas. Digo e repito, é preciso uma maior capacidade de explosão seja sobre a forma de um génio criativo na ala capaz de superar o adversário no um para um 90% das vezes, seja nos pés de um 10 capaz de rasgar defesas de uma ponta à outra ou de um jogador capaz de trocar as voltas ao Guarda Redes adversário nas bolas paradas.
- As indefinições do triângulo do meio campo: A menos de uma semana do início das competições oficias, que arrancam com a renovada Supertaça Cândido Oliveira, não existe ainda um meio campo rotinado e que pareça realmente compreender todas as aspirações do treinador. Lucho tem cumprido irrepreensivelmente as funções de um 10, mas não será com 31 anos que este passara a ser um jogador de explosão e que evoluirá a sua capacidade técnica para aquilo que é habitual ver num 10 clássico. Fernando num triângulo invertido sofre do mesmo problema que Paulo Assunção encontrou no Atlético de Madrid. Torna-se num jogador banal. Entre as restantes opções, Defour parece estar num excelente momento de forma fica a dúvida se conseguirá ser o médio mais defensivo neste triângulo invertido.
E assim termina a Pré-Temporada 2013/14 também conhecida como FC Porto On Tour. Aproveito para felicitar a gestão inteligente realizada pelo clube que aceitou participar no fundo numa pequena "tour" pela América do sul, um mercado que poderá ser o futuro da marca Porto, e a participação num troféu como o Emirates Cup que não é mais do que um torneio de reputação onde é preciso dizer, a equipa deixou apesar de tudo uma boa imagem.
[Pré-Época] Galatasaray 1 x 0 FC Porto
E ao sétimo jogo da pré-época lá sofremos a primeira derrota. Frente a uma equipa do Galatasaray recheada de nomes sonantes como Drogba, Sneijder, Altintop e Muslera, o Porto entrou bem em campo e conseguiu produzir o suficiente na primeira parte para sair para o intervalo a vencer. Não fosse... a praga dos penaltis.
Pois é, parece que voltamos à sequência maldita de grandes penalidades falhadas e continuamos com os mesmos intervenientes: Jackson e Lucho. Iturbe já conseguiu concretizar da marca do castigo máximo frente ao MVV mas a taxa de aproveitamento destas situações contínua a deixar muito a desejar. Na segunda parte o Galatasaray entrou mais decidido em campo, controlou o jogo a espaços e acabou por não facilitar onde nós fomos perdulários e ganhar o jogo num penalti convertido pelo Felipe Melo.
Apesar da derrota foi um bom teste e ficam algumas notas a reter para desafios futuros:
- O tipo de jogo: finalmente um jogo de treino contra uma equipa com experiência europeia e em que jogamos os 90 minutos contra 11 jogadores. O adversário não criou muito perigo e quando tentou criar obteve uma excelente resposta da defesa e do Fabiano (já voltamos aqui). Se na primeira parte quase não saiu do meio campo defensivo, na segunda parte o Galatasaray apareceu mais desinibido e deu mais luta. Excelente teste nesta fase da pré-época.
- Dupla de centrais - Ba: Certinhos em todos os momentos do jogo, anularam completamente qualquer lance que o Galatasaray poderia criar através da sua referência no ataque - Drogba. O Ba esteve imperial, secando completamente um avançado que ao longo da sua carreira já envergonhou muitos defesas centrais de elevada reputação.
- Defour em bola corrida: Interventivo, rápido, solidário. Excelente na pressão, no passe e na condução de bola em velocidade foi, com Lucho, o grande responsável pelo domínio que se sentiu na primeira parte do jogo.
- Fabiano: Mais uma bela exibição do nosso suplente. Seguro entre os postes, fez duas ou três grandes defesas e saiu muito bem aos passes em profundidade que tentavam isolar os jogadores mais avançados do Gala. Deu confiança aos colegas e ele próprio parece mais confortável na baliza.
- Danilo: Se já esteve em destaque esta pré-época por marcar um hattrick num dos jogos, hoje este irreconhecível. Ao longo de 75 minutos acumulou um conjunto de passes falhados, más entregas ("passes à queima", ao adversário...) e cruzamentos sem nexo que não são dignos de um titular da defesa do Porto. Perdeu constantemente os duelos individuais com quem atacava do lado dele e foi desarmado inúmeras vezes por ser demasiado lento a definir as jogadas. Descompensou a defesa mais do que uma vez e como sempre recuou a passo. Apareceu aos 75 minutos numa jogada em que descaiu para o centro como bem gosta de fazer e na qual conseguiu ganhar o segundo penalti. Um dia não para o nosso número 2.
- Jackson e os penaltis: Começa a ser crónico e uma coisa que poderia não ter grande valor começa a assumir uma dimensão demasiado grande para não ser desde já atacada pela equipa técnica. Jackson estava a ser uma das melhores figuras do Porto em campo, surge a penalidade e a partir daí desaparece. Este problema tem que ser resolvido da melhor forma, seja evitando que Jackson marque os penaltis, seja treinando-os até à exaustão. A melhor solução tem que ser encontrada porque o nosso craque não pode continuar a "ir abaixo" sempre que estas situações acontecerem ao longo da temporada.
- Defour nas bolas paradas: Sem Josué em campo, coube a Defour assumir a marcação dos cantos e livres... e diga-se que não resulta.
- Inícios de partes: Tanto na primeira parte como na segunda, o Porto demorou a entrar no jogo e a controlá-lo como bem gosta de fazer. Não reparei se isto aconteceu noutros jogos mas espero que seja coisa de pré-época porque a alguns adversários não se podem dar 10 minutos de avanço... e vocês sabem de quem estou a falar.
- Números de substituições: Já no jogo de apresentação aconteceu o mesmo. Voltamos a não fazer todas as substituições que estavam ao nosso alcance, mesmo quando o jogo não nos corria de feição. A entrada de Ghilas a 3 minutos do fim não fez também muito sentido. Eu sei que nós adeptos queremos sempre ver todos os jogadores a mostrar o que valem mas numa altura em que temos 26 atletas a trabalhar com a equipa técnica parece-me que temos visto muito pouco de alguns deles.
Amanhã defrontamos o Nápoles com um 11 à partida completamente renovado e portanto poderemos ver outras alternativas dentro do mesmo estilo de jogo que o Paulo Fonseca procura implementar. Espero ver Quintero, Herrera e Reyes jogar e espero que o Jackson apareça bem e a fazer o que tão bem sabe: marcar golos com classe.
Peculiaridades do futebol moderno
O modelo de negócio do Porto nos últimos anos esteve assente na potenciação de jovens jogadores (contratados na sua maioria na América do Sul por valores acessíveis à nossa "bolsa") e na sua consequente venda, uma ou duas épocas depois, por valores bastante superiores mas sempre ajustados à qualidade dos atletas que foram saindo da casa.
Nos últimos tempos a tendência tem-se alterado um pouco, fruto também da vontade de afirmação do clube na Europa, e o valor das contratações tem aumentado um pouco. Independentemente disso, o clube continua a formar jogadores, a torná-los vencedores e a vender a clubes de maior capacidade económica que lhes podem oferecer salários que nós não conseguimos alcançar. No meio disto o "jogador Porto" passou a ser conhecido como um jogador de elevada qualidade técnica e capacidade mental, com espírito vencedor e capaz de se adaptar a qualquer campeonato e ao mais alto nível competitivo. Talvez por esse facto, os principais talentos que surgem por esse mundo vêem no Porto uma equipa bastante aliciante para a sua carreira e uma oportunidade para se afirmarem no futebol europeu.
O caso mais recente é o de Bernard, cujos rumores na imprensa apontam como a próxima contratação do Porto... ou do Shakhtar Donetsk.
Pelo que se vai lendo o jogador e a família teriam preferência pela vinda para cá mas a intransigência do presidente do Atlético Mineiro (CAM) no elevado valor fixado para a transferência, 25M, parecem empurrar o jogador para o clube rico da Ucrânia que, pelo que foi confirmado pelo presidente do CAM, apresentou uma proposta formal para adquirir o passe.
Pelo que se vai lendo o jogador e a família teriam preferência pela vinda para cá mas a intransigência do presidente do Atlético Mineiro (CAM) no elevado valor fixado para a transferência, 25M, parecem empurrar o jogador para o clube rico da Ucrânia que, pelo que foi confirmado pelo presidente do CAM, apresentou uma proposta formal para adquirir o passe.
Assediado por torcedores, Bernard confirma viagem para conhecer Donetsk
(...) Para impressionar Bernard, representantes do Shakhtar irão buscá-lo na França em um jatinho do presidente do clube todo banhado a ouro por dentro e, na chegada a Donetsk, o jogador será recebido por uma comitiva em várias Mercedes pretas. (...)
Acredito que o Shakhtar tenha acenado com um contrato milionário e comissões chorudas para todos os intervenientes no negócio para conseguir levar uma das promessas do futebol brasileiro para o competitivo (!!) campeonato da Ucrânia. Como se não bastasse, tratará de dar ao jogador e família tratamento de excepção para o tentar persuadir a assinar contrato. O jogador, esse, parecia mais inclinado a pensar na carreira e na visibilidade europeia que lhe daria o Porto em contraste com o clube ucraniano lhe teria a oferecer - apenas dinheiro - mas agora parece estar na dúvida.
O que pode o Porto fazer quando clubes como este, novos ricos, se intrometem num negócio? É certo que temos títulos europeus e nacionais, somos um clube com história e tradição, temos uma imagem de marca bastante forte no que aos jogadores que saem do Porto diz respeito mas o que pode o Porto fazer quando tudo gira à volta de dinheiro que parece nunca esgotar nestes clubes? Peculiaridades do futebol moderno...













