[Liga Zon Sagres] SL Benfica 2 - 0 FC Porto


Havia quem dissesse que o Porto ia jogar hoje. Como não quis desconfiar disso, arranjei forma de ver o jogo do Benfica transmitido por essa fornecedora de conteúdos desportivos imparcial, impoluta e sempre desinteressada que é a Benfica TV. Vi uma equipa entrar em campo vestida de azul e branco e ainda me pareceu conseguir identificar o Fernando mas os outros não me pareceram jogadores do Porto e mais tarde concluiria que não eram.

Não eram porque uma equipa do Porto não entra no campo do rival sem agressividade, sem garra e sem vontade de derrotar o adversário. Não entra a falhar passes atrás de passes, intersecções, domínios de bola, cruzamentos e cortes. Não entra como se de um treino se tratasse. Uma equipa do Porto entraria com vontade de comer relva, de pressionar alto, de ganhar cada lance na raça. Uma equipa do Porto dá a volta às adversidades, cria oportunidades, agiganta-se perante cenários difíceis. Não foi isso que vi hoje.

Mas para ser justo, reconheço que seja difícil ao Paulo Fonseca perceber o que é o Porto. Vem de clubes pequenos, não é adepto e não percebe a nossa dimensão. Só dessa forma se explica o cruzar de braços durante um jogo inteiro em que o "Porto" é dominado pelo adversário. Depois é teimoso, engana-se a ele próprio conferência de imprensa atrás de conferência de imprensa com lendas de futebol ofensivo. Insiste em jogadores que não rendem e não justificam essa aposta como o Licá e o Otamendi, insiste num sistema táctico obsoleto e que não dá, nem vai dar, resultados e destruiu uma filosofia de jogo dominadora e que dominava o futebol português há três anos. E vai ser difícil recuperar animicamente (e não só).

O Porto e o nosso estagnado sistema táctico depende do médio ofensivo para construir jogo. Desde o jogo contra o Braga que dependemos 100% da inspiração do Carlos Eduardo e qualquer treinador que se orgulhe de o ser vê facilmente que ao colocar um jogador a marcá-lo, anula todo (ou quase todo) o jogo ofensivo do Porto. Isso, aliado aos constantes passes falhados pelos defesas no início da construção e às suas falhas de concentração, faz com que o Porto não consiga sair com a bola controlada da defesa ao ataque. Recorre-se então aos passes longos que têm como único destino viável a ilha Jackson, ilha essa perdida entre o mar de defesas das equipas que jogam contra nós. E são 15 jornadas disto, sem tirar nem pôr. Só mudam os protagonistas.

De jornada em jornada esperam-se que os erros sejam corrigidos e não saímos do sítio porque temos um treinador que não quer identificar a origem dos problemas. Ou então quer mas não tem humildade para reconhecer que falhou, quer na alteração da filosofia de jogo, quer na insistência em jogadores que não merecem vestir a camisola. E se assim é, não é justificável o adiamento do término de relação contratual que nos liga.

Quanto à análise ao jogo, pouco mais há a dizer. Domínio do Benfica, que aproveitou muito bem os factores casa e Eusébio, a apatia generalizada da equipa do Porto e os constantes erros individuais dos defesas e médios. Uma arbitragem atrapalhada, inconsistente e incompetente do Artur Soares Dias, com um penalti por marcar para o benfica e dois para o Porto (Danilo e Quaresma), uma expulsão ridícula do Danilo, com um critério largo no início e excessivamente apertado no fim e com total desconhecimento do que significa a lei da vantagem.

Quanto ao Porto, espero vê-lo de volta num próximo jogo, de preferência orientado por outro técnico que consiga recuperar psicologicamente uma equipa que outrora dominou tudo e todos em Portugal.

[Taça de Portugal] FC Porto 6-0 Atlético CP


Foi a ritmo de treino o primeiro jogo do ano no Estádio do Dragão.

Um jogo que tardou a desbloquear mas que se sabia que caso acontecesse, o resultado não ia ser curto e foi o que acabou por se verificar.

Ao intervalo o jogo estava 2-0, golos de Varela e Defour. Dois dos melhores do primeiro tempo, um porque impôs o ritmo na sua ala e o outro porque não facilitou nas tarefas defensivas. O facto de ter tido pouco trabalho nesse aspecto, visto que o Atlético poucas iniciativas criava, permitiu ao Defour subir no campo nas alturas certas e contribuir para o caudal ofensivo que se verificou nessa fase do jogo.

Na segunda parte o festival de golos acumulou-se e foram marcados mais quatro. A equipa pareceu moldar-se de forma diferente e mostrou mais uma vez ao nosso teimoso treinador que sem duplo pivot funcionamos melhor.








Defesa: Não teve grande trabalho, mas também não complicou. Gostei do Reyes e sobretudo do Ricardo, ataca bem, afinal de contas é extremo de origem, mas tem sabe defender... teremos um Bosingwa em potência ali?

Defour: Esteve bem no plano defensivo, onde não complicou, e atacou bem. Já não foi o primeiro jogo onde provou que a jogar sozinho atrás também consegue segurar bem o jogo e a equipa

Extremos: Varela sempre em bom ritmo, marcou dois golos, não foi trapalhão, mas também a defesa adversária não lhe criou grandes problemas e o guarda-redes do Atlético ajudou. Já o Kelvin é notório que tem de jogar mais vezes. Um golo, uma assistência. É um jogador que não tem medo do "um para um", é um jogador dos que se chamam "brinca na areia" mas que faz falta. Um jogador que consiga criar espaços para cruzar, que consiga chatear os defesas, que consiga isolar os colegas, que anima as bancadas mesmo quando perde a bola, só porque o fez a tentar "partir" os rins ao adversário, é fundamental na equipa.

Jackson: Sempre incansável, não desistiu de um lance e só foi pena que o lance do auto-golo não tenha tido a sua intervenção, já que no estádio fiquei com a sensação que ele tinha encostado com o calcanhar.







Substituições: Mais uma vez não consegui perceber aquela troca dos laterais e acho que ninguém percebeu, só o treinador. Isto era algo que ainda se podia explicar se houvesse outro jogo a meio da semana mas isso não vai acontecer. Não fez sentido queimar assim uma substituição. Outra coisa que também me incomoda é o ritmo dos dois brasileiros quando jogam com equipas de nível inferior: só atingem o ritmo baixo e variam-no com o baixinho. Isto noutros tempos dava chatice mas como agora as vedetas só jogam quando querem, não se pode fazer nada.

Josué: Mais uma vez faltou calma no passe e na distribuição do jogo. Assim não fica fácil o "nosso guerreiro" jogar muitas vezes apesar de achar que é mais um jogador à Porto e que tem de ter as oportunidades dele. Valeu-lhe, no jogo, o livre que deu origem ao golo do Otamendi.

Ghilas: Se nem a jogar sem pressão e a jogar mais do que os habituais cinco minutos contra uma equipa da segunda liga faz um bom trabalho, não fica fácil e dá para perceber porque não joga muito mais tempo. Comecem a dar mais tempo aos meninos da formação.

Adeptos: Pouco mais de 20.000 pessoas no estádio, com bilhetes a 2€ e a 5€. Mesmo que a equipa adversária não fosse a melhor, mesmo que a nossa equipa não esteja na melhor das formas, parece-me que o Porto merecia mais do que isto. Mas se calhar isto sou só eu a achar.

P.S.: Grande vitória no Dragão Caixa dos Homens do Hóquei frente aos leõezinhos. 11-2. Gostei de ver lá o grande presidente bruninho Valentão, sempre com as suas equipas (obviamente que ele não estava lá, asssim como não estava nenhum adepto daquele clube da 2ª circular). Mas entretanto já foi para a TV chorar mais um bocadinho, fica sempre bem não quebrar a imagem de calimeros.

A Balada de Quaresma



Mais um caso de mais um jogador a chegar ao Porto e logo para uma posição em que estamos um pouco necessitados de reforços e de qualidade.
Mas quando o reforço que chega tem a particularidade de já ter jogado em Portugal e ter demonstrado essa qualidade, todos ficam um pouco mais aliviados, excepto se no caso se tratar de outro caso como o Kléber.
No entanto e para além da característica anterior o protagonista desta transferência tem ainda a particularidade de já ter a qualidade demonstrada no nosso clube!
Depois da 1ª tentativa de emigrar para o futebol estrangeiro falhada relançou a carreira, e de que maneira, no Porto, onde ganhou outro volume e qualidade. Ninguém esperava a que a 2ª tentativa de emigração num campeonato mais competitivo do que o nosso saísse também furada!
Neste caso foi o Inter de Mourinho que ficou com um Elefante Branco no clube, um Elefante caro e que tinha de ser despachado! Ora o Porto de braços abertos, mas com pouco poder financeiro em comparação com os Turcos perdeu, achou outras soluções e o assunto morreu...
Até que apareceu de novo a mesma possibilidade pelo mesmo clube que tinha uma fortuna para gastar teve de apertar os cordões à bolsa e "livrar-se" dum encargo daqueles, nasceu a oportunidade, de novo falhada por um Negócio das Arábias. Foi um daqueles contratos que se fazem só e apenas pelo dinheiro, já nem era para "jogar à bola". Mas há sempre aquele "bichinho", há sempre um amor que nos marca e esse nunca morreu.
Então e como à 3ª é de vez, aí está Ricardo Quaresma de volta ao Dragão, casa que não o viu nascer para o futebol, mas a casa que o fez crescer para o mesmo desporto, Regressa o filho adoptivo chegam algumas comparações. Será que ainda é o que era? Será que vai ter a mesma influência que tinha? O caso mais próximo que temos e felizmente correu tudo melhor que esperado, foi com o Lucho González, será?
Ou este público que já demonstra alguma contestação para com algumas exibições não lhe permitirão que estique e espalhe o seu futebol e a sua magia pelo campo?
Ainda esperamos!

Bem-vindo de volta Mustang e que faças mais e melhor do que nunca!


Texto escrito por Luís Silva, a quem a Mística do Dragão agradece pela colaboração.