Carlos Pereira, um freteiro ao seu serviço


Logo depois do Futebol Clube do Porto ser eliminado pelo Marítimo da Taça da Liga surgiu a notícia que os dois finalistas da competição, o citado Marítimo, e o Benfica acordaram adiar a final da data originalmente prevista, o dia 25 de Abril, para o dia 28 de Maio, uma quinta-feira logo após o final do campeonato.

Antes de se tecerem considerações sobre o assunto, é importante tentar descortinar o que passou pela cabeça do iluminado que resolveu agendar uma jornada do campeonato e a final da Taça da Liga para o mesmo fim de semana. É verdade que tal sucede em Inglaterra, mas lá o campeonato tem 38 e não 34 jornadas, como aqui em Portugal e a final disputa-se bem mais cedo, numa altura bem menos decisiva do campeonato. Pela lógica, os jogos dos clubes envolvidos na referida final seriam adiados para a quarta-feira seguinte. Sucede que o sorteio do campeonato ditou que, na jornada 30, a tal marcada para o fim de semana de 25 e 26 de abril, se defrontem Porto e Benfica. Obviamente que o Benfica zelou pelos seus interesses e tentou adiar a final, para não ter que disputar uma final de uma competição e um jogo, que se afigura decisivo para as contas do título, em três dias, enquanto o Porto teria uma semana de descanso entre a ida a Munique e o jogo na Luz. Mais a mais, o Benfica-Porto seria disputado, provavelmente, a uma quarta-feira, e o Benfica tem pouca prática em jogar a esse dia da semana e, num jogo tão equilibrado, todos os pormenores contam. Assim sendo, faz todo o sentido a vontade do Benfica.

O que se torna estranho é o consentimento do Marítimo. Vejamos, o Marítimo está a meio da tabela, e é uma das equipas que já tem a vida quase resolvida. As competições europeias são uma miragem, dada a distância pontual e o número de equipas à sua frente. Pela mesma lógica, o fantasma da despromoção não assusta ninguém. Ou seja, o Marítimo já quase não tem responsabilidades no campeonato, que não sejam manter o brio e a dignidade do clube e dos atletas e tinha uma excelente vantagem competitiva em jogar a final no dia 25 de Abril. Apanharia, por certo, o Benfica já a pensar no jogo com o Porto, muito possivelmente com uma série de poupanças de jogadores e o jogo decorreria a um sábado, permitindo a vinda de mais madeirenses ao Continente para assistir à partida. Mas o Marítimo resolveu ser bom samaritano e, ao contrário do jogo com o Porto onde também teve interesse em adiar, só sai prejudicado com este adiamento. Vai defrontar um Benfica focado unicamente na conquista do troféu, uma vez que o jogo decorrerá após o final do campeonato e vai jogar a uma quinta-feira, com muito menos adeptos na bancada a assistir.

Fantástico, Carlos Pereira. Fantástico. Tão zeloso ele foi ao impedir o Porto de treinar na Madeira por coincidir com um treino do Marítimo... C, e agora predispõe-se a fazer um monumental frete ao Benfica, prejudicando dantescamente as já reduzidas chances maritimistas de conquistar o troféu.

Por fim, e para colocar a cereja no topo do bolo, adivinhem caros leitores, com quem joga o Benfica na última jornada do campeonato, a tal que vai decorrer três dias antes da final da Taça da Liga? Eu ajudo, é um clube que à data de hoje já tem o campeonato praticamente resolvido e é um clube que vai ter o jogo mais importante dos últimos dez anos três dias depois e que, como tal, terá todo o interesse em fazer poupanças. Sim, é o Marítimo.

Bater na Madeira


Como aparentemente, não há duas sem três, e no caso da Taça da Liga nem há sete sem oito, o Porto voltou a esbarrar na Madeira e a perder a oportunidade de vencer uma competição que vai fugindo desde a data da sua criação. Especule-se se existe ou não uma real vontade de a vencer, a verdade é que na última quinta-feira e aquando da entrada para a última meia-hora do encontro, quando já nos encontrávamos em desvantagem, Lopetegui recorreu a Tello, Brahimi e Gonçalo Paciência para tentar dar a volta ao resultado, mesmo que tais mudanças se traduzissem em pouco mais do que um aumento na quantidade de jogadores presentes no último terço do terreno de jogo. Não deixando de existir, apesar da tentativa clara de vencer o jogo, uma ligeira gestão de esforço, a intenção nunca seria sair derrotado de mais um jogo diante de uma equipa que nos tem como um dos grandes rivais, tendo em conta que tal resultado nos afasta de mais uma competição, tornando-se assim cada vez mais real a possibilidade do Porto não conquistar qualquer troféu nesta temporada (frisando que vencer a Taça da Liga apenas contaria como a conquista de um título no plano meramente estatístico).

Curiosamente, este jogo pode ser resumido numa leitura semelhante ao último jogo que a equipa disputou na Madeira, frente ao Nacional há um par de semanas. Com um onze relativamente remodelado - mas do agrado da grande maioria dos portistas -, como seria de esperar se tivermos em conta a competição na qual o jogo estava inserido e o facto de muitos jogadores habitualmente utilizados terem regressado há muito pouco tempo dos compromissos com as suas selecções nacionais, a equipa sentiu desde cedo uma intensa pressão por parte do Marítimo, que conseguiu criar perigo no primeiro minuto do encontro, perante uma passividade de quem definitivamente não esperava tal começo. No entanto com a estabilização da partida veio também a definição daquela que seria a estratégia do Porto. Acreditando ou não na referida gestão de esforço, percebeu-se desde cedo que o meio-campo portista seria engolido face à dinâmica de jogadores como Danilo e Bruno Gallo,
(marcação cerrada não permitia ao Porto
explorar jogo interior)
que mostraram estar sempre mais disponíveis para o jogo que o meio-campo portista, mesmo que Casemiro e Óliver tivessem demonstrado a intensidade necessária para combater tal superioridade, apesar de por detalhes mais técnicos do jogo não o terem na verdade conseguido. Dito isto, a ideia de recorrer ao passe longo sobretudo devido ao afastamento das linhas avançadas e de meio-campo tornou-se como o factor único de desenvolvimento de jogo ofensivo por parte do Porto, com Óliver a demonstrar - para além de uma entreajuda no flanco esquerdo a nível defensivo - uma qualidade técnica invejável, conseguindo isolar por diversas vezes Hernâni, que apesar de não ter sido feliz em nenhum dos lances que tão bem conduziu pela esquerda do ataque, mostrou poder ser uma alternativa mais que viável para a equipa, faltando-lhe apenas um melhor poder de decisão - que certamente terá sido influenciado pela pressão de estar a realizar o seu segundo jogo como titular pela equipa - para atingir um patamar extremamente interessante. E a capacidade do Porto em subir no terreno durante os primeiros minutos limitou-se a estas desmarcações, o que causava alguma preocupação, até pela relativamente baixa taxa de sucesso que os passes longos têm no nosso futebol.


Após um período de jogo mais anárquico, a equipa começou a procurar uma maior saída pelo centro do terreno, mas as dificuldades causadas pelo meio-campo dos insulares eram perfeitamente óbvias. Óliver era obrigado de forma constante a baixar no terreno, criando assim uma linha de dois com
(Óliver era constatemente obrigado
a recuar para apoiar Casemiro)
Casemiro no início da construção de jogo, o que obrigava Evandro a ficar demasiado isolado no meio-campo ofensivo, e que sobretudo pelas suas características de se esconder demasiadas vezes do jogo, fazia com que o Porto nunca encontrasse soluções viáveis no estilo que tanto gosta de implementar, recorrendo invariavelmente às longas variações que se iam tornado com o passar dos minutos cada vez mais infrutíferas. O Marítimo conseguia ter bola, conseguia respirar com extrema facilidade no seu meio-campo e encontrar por diversas vezes Marega, avançado que foi uma constante dor de cabeça para a defesa do Porto.

(fraca pressão de Aboubakar permitia
que o Marítimo saísse com facilidade)
Mesmo com a aparente serenidade da equipa de Ivo Vieira, que era traduzida em grande parte por uma preocupante ausência de pressão da nossa equipa face a Bauer e Raul Silva, defesas centrais adversários que sem grande dificuldade avançavam praticamente até ao meio-campo permitindo à equipa madeirense desdobrar-se no terreno, fomos conseguindo implementar o nosso jogo, até porque a nível defensivo, sobretudo por Maicon (na minha opinião de novo o melhor em campo do Porto) e José Ángel, fomos conseguindo estancar grande parte do possível perigo do Marítimo.



O problema estava efectivamente em conseguir atacar com qualidade, e para isso existiram vários factores de ordem técnica e táctica que tornaram a nossa tarefa bem mais complicada que o habitual. Casemiro aparecia com instruções claras de não subir tanto quanto habitual no terreno e Evandro mostrava-se sempre alheado do jogo da equipa, tendo sido difícil de o ver em campo durante toda a primeira parte, se excluirmos o pontapé que nos colocou em vantagem. Se tal não bastasse, a dificuldade de Aboubakar em ligar jogo com muitos passes falhados impedia a equipa de criar desequilíbrios claros (fazendo aqui a ressalva que Aboubakar é um jogador que pensa bem o jogo, mas que com o seu estilo mais atabalhoado tem sempre imensas dificuldades quando o terreno de jogo está em mau estado, falhando recepções básicas e passes que podiam levar muito perigo à baliza adversária), que apenas se mostrou competente pelo flanco esquerdo, com José Ángel a aparecer de forma muito positiva com dois cruzamentos de grande nível que parecem mostrar que o espanhol de facto possui atributos suficientes para ser titular no Porto quando Alex Sandro abandonar o clube.

A equipa percebeu que precisava de executar uma pressão mais intensa para poder fechar o cerco ao Marítimo e alcançar o golo ainda antes do intervalo, que foi exactamente aquilo que fez. Uma maior pressão no início da construção adversária, algo que é habitual nos jogos no Dragão, fazendo com
(início de uma pressão mais intensa
que obriga ao erro do Marítimo)
que conseguíssemos recuperar a bola de forma bastante rápida. Casemiro passa a subir mais no terreno, a equipa liberta Óliver e Evandro que passam a ter mais bola pelo centro e a vantagem acaba por chegar com alguma naturalidade, mesmo que sem qualquer oportunidade flagrante anterior. A partir daí o Porto relaxa de uma forma pouco natural, permitindo ao Marítimo começar a voltar a ser perigoso. Praticamente sempre pelo nosso flanco direito, onde Quaresma e Evandro pouco ajudavam, deixando por diversas vezes Ricardo exposto a Rúben Ferreira e Xavier, os insulares acabaram por

(falta de apoio no flanco direito deixou
Ricardo demasiado exposto)
aproveitar as gritantes debilidades defensivas do nosso lateral para virar o resultado em menos de dez minutos.








A entrada na segunda parte acabou por não demonstrar uma resposta por parte de quem via mais uma competição a fugir-lhe das mãos. O Marítimo voltou a mandar no jogo e a qualidade de jogo do Porto mantinha-se idêntica à do primeiro tempo, algo que agradava ainda menos visto que entramos para os últimos 45' a perder. Apenas por Óliver a equipa conseguia respirar algum tipo de brilhantismo, mas tal não era suficiente até porque os três da frente apresentavam muitas dificuldades em ligar o seu futebol. As entradas de Brahimi e Tello nada mais do que individualidades trouxeram à equipa, que continuava a desperdiçar lances de ataque antes mesmo dos mesmos se tornarem perigosos, permitindo que o adversário gerisse de forma minimamente tranquila a vantagem. Quaresma chegou
(Quaresma pelo centro, libertando Ricardo e
tentando corrigir erros de Evandro)
a ir para o centro do terreno (fazendo de Evandro, já que nem o próprio fazia o seu lugar), permitindo a subida de Ricardo para se colocar praticamente como extremo mas os seus cruzamentos, como já é habitual, seguiam com pouca técnica e ainda menos critério. Tanto é que quando Ricardo saiu de campo e Maicon ocupou a sua posição, mostrou ser bem mais perigoso, algo que poderá ser preocupante quanto ao futuro do
português na equipa do Porto.

E realmente não é possível pôr em palavras muito mais daquilo que foi a segunda parte. Péssimo futebol, uma pressão ainda mais eficiente por parte do Marítimo, passes longos com uma taxa de aproveitamento próxima do zero e demasiadas falhas técnicas para podermos aspirar a algo mais que a derrota. Num jogo em que o adversário não foi em nada mais perigoso que nós, a forma como souberam controlar os tempos de jogo depois de estarem a vencer torna este resultado relativamente justo, sobretudo devido à incapacidade e displicência que demonstramos durante grande parte do jogo, que nunca nos permitiu incomodar Salin.

E como batemos três vezes na Madeira, resta esperar que não tenhamos (mais) azar no futuro.

Uma questão de a(l)titude



«A Choupana não é um campo fácil, tem as dimensões acertadas, o relvado é bom, mas as condições climatéricas alteram muito. Sobretudo, não há uma adaptação fácil à altitude (...) o Nacional, contra o F.C. Porto, joga muito para além das suas capacidades.»

As palavras pertencem a Jesualdo Ferreira e datam de 2007, altura em que o professor ainda era treinador do Porto e fazia assim a antevisão de mais um Nacional-Porto. Curiosamente, e numa época em que praticávamos um excelente futebol (que, como pedaço de informação, sem qualquer intenção premonitória, foi eliminado na Liga dos Campeões por um tal de Manuel Neuer), a equipa cai com estrondo na Madeira após quatro vitórias consecutivas demonstrando a veracidade das palavras de Jesualdo. Mais de sete anos volvidos, as declarações parecem ainda fazer sentido e o Porto, que minutos antes do início do jogo de sábado viu o Benfica a deixar três pontos em Vila do Conde, não conseguiu aproveitar o deslize encarnado e voltou a tropeçar diante do Nacional, apenas conseguindo trazer da Choupana um ponto que interrompe uma das melhores séries de vitórias do Porto dos últimos anos. Paira um enorme sentimento de ironia no ar ao ver que o jogo que nos dá a possibilidade de voltarmos a depender apenas de nós próprios para conseguirmos alcançar o campeonato, após quatro meses e depois da derrota diante do Benfica no Dragão, seja considerado por todos os adeptos como altamente decepcionante, e com toda a legitimidade para que o seja visto dessa forma.

Com o regresso de vários jogadores que tinham estado ausentes por lesão no jogo frente ao Arouca, o onze inicial estava relativamente próximo daquele que era esperado por parte de Julen Lopetegui. A entrada da equipa e os processos de jogo pareciam também idênticos àqueles com que nos fomos cimentando ao longo dos últimos jogos: segurança na retaguarda, subidas fortes por parte dos laterais; acompanhamento efectivo de Evandro na ala esquerda, fixando-se inclusive como extremo, algo que soube fazer de forma bastante positiva, aquando das incursões de Brahimi pelo centro do terreno; e a maior liberdade a Herrera para correr com bola em zonas mais interiores, até porque do lado direito se encontrava Tello, um jogador que não tem por hábito recorrer ao apoio do médio mais próximo.
O plano de jogo parecia bem entrosado por parte de boa parte dos jogadores, mas desde cedo se percebeu que a equipa adversária ia causar dificuldades na forma de jogar do Porto. Apesar da ausência de Marçal, habitual lateral esquerdo dos insulares, o Nacional conseguiu de forma muito positiva evitar que a bola chegasse com qualidade a Tello, fechando maioritariamente a zona do meio-campo de onde frequentemente surgem os passes em profundidade para a velocidade do extremo, impedindo assim as suas habituais arrancadas com perigo e obrigando o Porto a apostar quase de forma definitiva no ataque pela sua esquerda.
Com Alex Sandro a envolver-se muito bem no plano ofensivo, com um excelente acompanhamento e decisão/definição de passe por parte de Evandro, foi com pesar que cedo se percebeu da pouca inspiração de Brahimi no jogo, que podia facilmente ter ajudado o Porto, devido à qualidade das triangulações dos três elementos referidos a chegar à vantagem desde bem cedo.
(Tello e Aboubakar sozinhos perante a
 presença de cinco jogadores do Nacional)
Infelizmente tal não sucedeu, cedendo assim parte do alento à equipa do Nacional, que foi aproveitando para começar a subir no terreno e a segurar melhor o ímpeto ofensivo do Porto. A equipa começava assim a ter oportunidade de responder através das transições rápidas, mas foi exactamente a partir desse momento que se percebeu da enorme dificuldade que os jogadores tinham em avançar de forma rápida no relvado, tornando praticamente impossível a criação de perigo através do contra-ataque, pois apenas Tello e Aboubakar, que estava já mais fixo na frente de ataque, conseguiam chegar com facilidade a zonas mais adiantadas da defesa adversária, nunca avistando sinal algum de Evandro ou Herrera nas proximidades da grande área do Nacional.
(presença exclusiva de Aboubakar
na primeira fase de pressão)
Tais situações de clara inferioridade numérica a atacar acabaram por ditar a recuperação fácil de bola por parte dos madeirenses, que rapidamente se organizam para a saída atacante. O critério usado nem sempre era o melhor, mas devido à ausência de uma pressão inicial forte - que na verdade apenas era executada, e de forma extremamente ténue, por Aboubakar - conseguiam colocar a bola nos últimos trinta metros do terreno, obrigando o Porto a ter que reiniciar de forma frequente os processos de jogo, que demoravam mais do que o habitual a serem alcançados de forma positiva, pois Herrera e Evandro sofriam, a partir dos vinte minutos de jogo, uma intensa pressão que os tornava quase invisíveis como referências no que a linhas de passe diz respeito, obrigando a equipa a atrasar a saída para o ataque até surgir a possibilidade de passe para a zona do meio-campo, que invariavelmente era dada por Brahimi, que mesmo estando longe da qualidade exigível a nível de decisão, mostrou-se sempre a um excelente nível nesse específico aspecto.
(única linha de passe no meio-campo
era dada por Brahimi)
Quando o argelino permanecia na esquerda, Maicon e Marcano eram constantemente obrigados a procurar o passe longo, que raramente tinha resultados práticos interessantes para a equipa, apenas tornando mais acessível a recuperação de bola do Nacional, que aproveitava nesta fase para sair de forma rápida para a baliza de Helton - percebendo que desde cedo alguns jogadores do Porto acusavam as difíceis condições criadas pela altitude e que demoravam (bem) mais do que o habitual a recuperar no terreno - mesmo não apresentando grande clarividência, sobretudo devido à qualidade do jogo de Casemiro e de Maicon, essenciais no desarme. O jogo ficava assim partido, mas o Nacional conseguia com qualidade e quantidade suster bem a zona de meio-campo do Porto, que pareceu logo na primeira parte sentir a falta de Óliver, sobretudo devido à dificuldade que Evandro sentia quando tinha que procurar jogo interior. Apesar de tu
(meio-campo do Porto era rapidamente
engolido por jogadores do Nacional)
do, a intensidade de Herrera fazia com que avançássemos de forma sustentada no terreno e sempre que Evandro encontrava a sua zona de conforto, no lado esquerdo do ataque, o Porto voltava a ser extremamente perigoso, que esbarrava apenas na dificuldade de Brahimi em implementar o lado efectivo do seu estilo de jogo, que certamente em noites mais de acordo com a sua real capacidade já teria antes da meia-hora de jogo ajudado a equipa a alcançar um ou dois golos, tais eram os espaços que lhe eram apresentados. Por esta altura, o Porto aumentava o ritmo de jogo e a intensidade na pressão, na procura clara do golo antes do fim da primeira parte, que acaba por surgir devido a esse evidente cerco à área do Nacional, com um excelente trabalho de Tello a aproveitar a confusão das marcações adversárias devido às subidas de Danilo, que parecia ter sempre uma mudança a mais que qualquer outro jogador em campo.
Pelo meio, o primeiro sinal de uma preocupação que viria a fazer todo o sentido em existir, quando a
(primeiro sinal de desgaste por parte de Alex Sandro)
cinco minutos do intervalo Alex Sandro demonstra uma total incapacidade na recuperação, expondo o lado esquerdo da defesa a uma situação de ataque que por muito pouco não dá o golo do Nacional.

O Porto, apesar da necessidade em apresentar algumas cautelas, vai a vencer com toda a justiça para o intervalo, regressando com a mesma identidade e vontade de continuar por cima do jogo que já havia registado na primeira parte. É porém ao fim de poucos minutos que o treinador do Porto toma duas estranhas decisões que acabam por mudar o rumo do jogo, com a saída de Casemiro - até ao momento o elemento mais estabilizador e mais capaz de perceber os momentos de transição da equipa, sempre bem a acabar com as jogadas de perigo do Nacional em zonas mais interiores - e a entrada de Rúben Neves, aliada à imediata ordem para que Quintero, que já não era utilizado há um mês e que iria ter sempre imensas dificuldades em entrosar-se num jogo diante de uma equipa por demais agressiva no meio-campo, iniciasse os exercícios de aquecimento.
E para quem chegou a alegar que a substituição de Casemiro fazia todo o sentido por já ter um cartão amarelo (diga-se, extremamente infantil) basta registar que este foi o 12º cartão que Casemiro viu em toda a época do Porto, o 6º durante os primeiros 45 minutos, tendo anteriormente apenas saído de campo depois de ser amarelado nessas condições por duas vezes: diante do Sporting para a Taça de Portugal em que claramente estava a ser o pior elemento da equipa, tendo sido substituído por questões meramente técnicas; e em Penafiel, logo após o Porto ter assegurado uma vantagem de dois golos. E deveria ter sido exactamente essa a circunstância para que Casemiro saísse do campo, até porque a equipa entrou na segunda parte com o claro objectivo de alargar a vantagem. E bom, Casemiro nunca foi expulso no Porto.
A verdade é que durante os primeiros minutos já com Rúben Neves em campo, o Porto ainda foi capaz de atacar, com um Brahimi muito mais objectivo a largar com velocidade e critério a bola, possibilitando à equipa estar relativamente perto de fazer o segundo golo (tendo inclusive Maicon acertado na trave na cobrança de um livre directo). Um dos entraves para a falta de eficácia está directamente relacionado com Aboubakar, que demonstrou neste jogo uma enorme dificuldade a nível técnico, falhando duas recepções básicas em contra-ataques de clara superioridade numérica que poderiam ter acabado com o jogo. A partir desse momento a equipa é obrigada a recuar no terreno, sobretudo devido ao decréscimo evidente dos índices físicos.
Abdica de sair a jogar, com Helton a recorrer ao pontapé longo e começa a ter óbvias dificuldades em aguentar o meio-campo dos insulares. Manuel Machado rapidamente percebe isso, colocando mais um elemento no ataque e fazendo subir os seus laterais. As lacunas de Rúben Neves tornam-se evidentes e o Nacional toma conta do jogo, conseguindo pela esquerda criar perigo por duas vezes, em que Herrera chega atrasado para o apoio a Danilo, sendo a segunda fatal para o Porto. Alex Sandro volta a mostrar uma enorme desatenção permitindo a Wagner aparecer na cara de Helton para carimbar o empate.
Depois do golo, Lopetegui volta a recorrer a uma opção pouco convencional com a entrada de
(incapacidade de Alex Sandro em ganhar
a frente dá o golo ao Nacional)
Quintero, retirando Evandro de campo e apostando na total anarquia no sector intermédio, mesmo sabendo que Rúben Neves não tinha entrado em campo de acordo com o pretendido e que Herrera já tinha deixado no relvado todos os quilómetros que conseguiria percorrer.
Momentaneamente, a equipa sobe bem no terreno e chega a estar perto de voltar a marcar mas foi no
(Alex Sandro volta a não a conseguir recuperar devidamente,
deixando Lucas João completamente isolado)
contra-ataque dos madeirenses que se registaram os lances mais perigosos. Os jogadores do Porto subiam mas já não conseguiam recuperar para defender e foi tenebroso perceber o quão perto esteve o Nacional de chegar àquele que seria potencialmente o golo da vitória, em mais uma marcação deficiente e displicente de Alex Sandro, que Lucas João tratou de desperdiçar a menos de dois metros da linha de baliza.
A entrada de Quaresma acaba por ser uma lufada de ar fresco, mostrando uma dinâmica que os outros dois extremos simplesmente não conseguiriam alcançar. A opção de Brahimi como titular é perfeitamente perceptível, pois traz à equipa uma segurança defensiva muito superior, mas perante as substituições que retiraram qualquer tipo de possibilidade de obter ''segurança'' na defesa, Lopetegui podia perfeitamente ter apostado em Quaresma mais cedo, que com apenas quinze minutos em campo acabou por não conseguir ser decisivo, mesmo estando perto desse objectivo.

Relatório de Empréstimos - 24/03/15


Uma semana em grande para os emprestados do FC Porto, com estreias a marcar e grandes golos. Em primeiro lugar, o golo que já correu mundo, a bicicleta fantástica de Carlos Eduardo que tirou o Lyon do primeiro lugar da Ligue 1. O médio do FC Porto fez o seu nono golo na liga, já conta também com três assistências e é dos jogadores emprestados com melhor rendimento; fica no ar a dúvida para o final da temporada: vender ou manter? Também Tozé, ainda que de penalty, continua a marcar e a elevar o seu registo da temporada que para a sua temporada de estreia na 1ª liga é desde já um registo impressionante: 6 golos e 9 assistências para todas as competições. Também ele um (bom) dilema para resolver no final da temporada. O penalty marcado por Tozé, curiosamente, foi cometido por Quiñones, que esteve no pior e no melhor, tendo também marcado o terceiro golo do Penafiel que não foi suficiente para levar a vitória. Números da época mais discretos para Quiñones, mas compreende-se com o nível que o Penafiel tem apresentado. Quem se estreou a marcar na liga foi Kayembe, que ajudou o Arouca a afastar-se da linha de água com a vitória frente ao Gil Vicente que é penúltimo. Célestin Djim voltou a marcar pelo Freamunde, mas não foi suficiente para evitar a derrota frente ao Farense e o contínuo decaimento da equipa, que no fim da primeira volta era o líder da 2ª liga estando agora no 6º lugar. Na Turquia o "esquecido" Djalma marcou na vitória forasteira do Konyaspor no campo do Karabükspor fazendo o seu 2º golo na liga e o 4º na temporada.
Um dos jogadores que teima em confirmar os rótulos é Daniel Opare. O jogador ainda não conseguiu efetuar uma série de mais de três jogos, estando constantemente lesionado e na semana passada o presidente do Besiktas confirmou uma cláusula de 2 milhões de Euros, deixando no ar que o desejo é mesmo accionar essa cláusula. Sendo ele um jogador que faz três grandes exibições mas tem de estar dois jogos fora porque o físico não aguenta, eu digo: venham os 2 milhões. Confiram de seguida o relatório completo e alguns dos melhores momentos dos atletas do FC Porto:

Relatório Completo
Golo de Carlos Eduardo:

Golo de Tozé:
Golo de Quiñones:
Golo de Kayembe:

As faltas de Jorge Jesus

"Esses factos são verdadeiros... O Benfica tem uma forma de jogar que para o parar os adversários fazem faltas consecutivas. A partir disto, durante os 90 minutos do jogo essas equipas têm de ser penalizadas por pararem o Benfica
com faltas. Essas expulsões já foram analisadas e nenhuma delas foge ao que era o critério dos árbitros nos jogo. Não havia outra solução. Esse facto só demonstra a qualidade do jogo do Benfica e essas expulsões vão ter de acontecer mais vezes. Parar o Benfica com faltas é normal, não vejo nenhuma anormalidade aí"

"Não vejo nada de anormal. Quando o Benfica está em situações ofensivas é parado, constantemente, em faltas e essas equipas têm de ser penalizadas. Esse é um comentário de pressão e o que o Benfica faz é um jogo qualidade".

Estas são palavras de Jorge Jesus em resposta a Julen Lopetegui após este ter, mas uma vez, chamado a atenção para o facto de o Benfica estar a beneficiar de um grande número de jogos em que o adversário é reduzido a 10 jogadores.

De forma a perceber até que ponto aquilo que Jorge Jesus disse é verdade - e apesar de já sabermos a resposta - o Mística do Dragão decidiu analisar o número de faltas que os dois primeiros classificados sofreram e comparar com o número de vermelhos que cada um levou. As estatísticas foram recolhidas neste site.


Em 25 jornadas o Porto sofreu 382 faltas, tendo os seus adversários visto o cartão vermelho por 3 vezes. No total, os adversário do Porto foram expulsos a cada 128 faltas cometidas.

Em 25 jornadas o Benfica sofreu 435 faltas, tendo os seus adversários visto o cartão vermelho por 11 vezes. No total, os adversários do Benfica foram expulsos a cada 40 faltas cometidas.

No entanto, para dar ainda mais certezas a Jorge Jesus que aquilo que ele diz não faz grande sentido, o Mística do Dragão procurou perceber, para os mesmos clubes, quantas faltas foram cometidas e qual o número de cartões vermelhos com que cada um deles foi penalizado.

Em 25 jornadas o Porto cometeu 342 faltas, tendo os seus jogadores visto cartão vermelho por 3 vezes. No total, os jogadores do Porto foram expulsos a cada 114 faltas.

Em 25 jornadas o Benfica cometeu 399 faltas, tendo os seus jogadores visto cartão vermelho por 1 vez. No total, os jogadores do Benfica foram expulsos a cada 399 faltas.

Se o rácio de cartões/faltas fosse igual para o Porto e os seus adversários o Porto tinha menos uma expulsão.
Se o rácio de cartões/faltas fosse igual para o Benfica e os seus adversários, o Benfica tinha mais 9 expulsões ou, se preferirem, os seus adversários tinham menos 10.

Como saber sofrer


Três dias de descanso após jogo europeu.
Lesões de Danilo, Maicon e Jackson.
Ausência de Tello nos treinos que antecederam o jogo.
Vitória do Benfica no dia anterior.
Expulsão de Fabiano nos minutos iniciais da partida.
Principal objectivo: vencer; alcançado. Antes de qualquer crítica à prestação da equipa no último domingo é necessário incluir os cinco factores mencionados, e perceber que provavelmente existe ainda mais mérito dos jogadores e equipa técnica no desfecho do jogo do aquele que aparenta, relembrando que durante a primeira fase da época, nos jogos imediatamente posteriores aos realizados para a Liga dos Campeões, o Porto apenas ganhou metade (empatando com Boavista e Estoril e perdendo com Benfica).

(primeira fase de construção do Porto)
A nossa entrou em campo com uma disposição táctica semelhante à que tem vindo a apresentar desde o desaire na Madeira mas cedo se percebeu que a disponibilidade física não era a mesma. E Pedro Emanuel também o sabia, tendo exigido aos seus jogadores uma pressão inicial intensa, que apanhou o Porto de surpresa, algo que já não acontecia há uma série respeitável de semanas. Apesar de um primeiro calafrio, o efeito surpresa da equipa do Arouca cedo se dissipou e o Porto rapidamente tomou conta do jogo, com os mesmos princípios de saída em ataque organizado que nos tem vindo a habituar: sem pressão por parte do adversário, Casemiro desce para fazer o acompanhamento à dupla de centrais, enquanto os laterais vão subindo no terreno até ultrapassar o meio-campo, altura em que invariavelmente os médios descem no terreno para possibilitar uma linha de passe; com a pressão do Arouca, Óliver pela esquerda (triangulações com Indi e Casemiro) e Herrera pela direita (triangulações com Marcano e Casemiro) iniciavam a primeira fase de construção, fazendo a bola chegar rapidamente a zonas de perigo, sobretudo pela qualidade de transportar jogo que ambos possuem. Na frente, Quaresma começava desde bem cedo a mostrar a Balliu o quanto este ia sofrer durante o jogo, evidenciando-se pela facilidade com a qual conseguiu, ainda nos primeiros dez minutos de jogo, isolar-se em boa posição para rematar ou assistir um companheiro por mais do que uma vez, infelizmente sem sucesso na altura.

Com a estratégia bem delineada, e com a qualidade da equipa a sobrepor-se ao cansaço, o Porto parecia bem encaminhado para chegar rapidamente ao golo até que Fabiano, em mais uma saída displicente e ainda antes do primeiro quarto de hora, vê o cartão vermelho e obriga desde aí os jogadores do Porto - que tinham a gritante necessidade de gerir o esforço físico acumulado de uma série de jogos extremamente exigente - a trabalhos redobrados, a alterações tácticas profundas e a saber sofrer no jogo em que talvez fosse menos expectável que tal pudesse acontecer. A crítica pode ser dirigida a várias frentes: o contra-ataque que dita a expulsão inicia-se em mais um lance de bola parada inexplicável; a equipa técnica sabe que Fabiano não tem capacidade para servir de libero no momento defensivo da equipa, mas exige-se também inteligência para saber contornar certo tipo de situações, até porque nesta jogada específica, qualquer pessoa que avalie de novo o lance percebe que Ricardo chegaria à bola antes do jogador do Arouca, hesitando apenas no último momento quando vê Fabiano a correr na sua direcção.

A partir desse momento, Lopetegui procede à reestruturação da equipa, retirando Ricardo (que até estava a fazer uma exibição agradável e que merecerá nova oportunidade para breve
(Helton jogando como segundo central no
início de construção ofensiva)

- relembrando que o Porto vai à Madeira uma segunda vez nas próximas semanas) e colocando uma linha de três defesas com Indi a posicionar-se na lateral direita, ele que no esquema inicial aparecia como central do lado esquerdo. O Porto começa então a construção de ataque usando Helton, uma referência do plantel relativamente à eficiência com que recorre ao jogo de pés, como segundo central. Os laterais, Indi e Alex Sandro passaram então a dar um apoio mais efectivo na primeira fase de saída com bola, aproximando-se juntamente com Casemiro de Marcano e Helton permitindo assim uma maior segurança no passe. No momento defensivo, os extremos e médios recuavam para a zona do nosso meio-campo, fazendo Casemiro de segundo central, mostrando uma vez mais uma excelente capacidade de antecipação e desarme, pecando apenas no momento de circulação de bola, principalmente devido à subida de linhas por parte do Arouca que conseguia colocar rapidamente três jogadores a pressionar o nosso portador de bola, obrigando várias vezes ao recurso do passe longo, que nem sempre saía com a qualidade necessária.

Apesar da subida na intensidade de jogo por parte do nosso adversário, o Porto conseguiu manter o controlo de jogo e aproveitou as evidentes debilidades do Arouca para construir bons lances ofensivos. Herrera assume e muito bem o papel de número 10, e sempre que conseguiu fazer com que a bola caísse no flanco de Quaresma (já que Brahimi raramente foi capaz de criar perigo, apenas fazendo trabalhar o flanco esquerdo quando apoiado por Alex Sandro e Óliver), o Porto ficava perto do golo. Assistiu na perfeição Óliver e Aboubakar (este último que aproveitou para fazer o golo da vitória) e pelo meio sofreu também uma grande penalidade que acabou por não ser assinalada, tendo sido de longe o elemento mais em foco a nível ofensivo durante toda a primeira parte.

(Pressão ofensiva menos intensa após
o golo de Aboubakar)
Após o golo, o Porto consente ainda mais a subida no terreno por parte do Arouca, deixando de conseguir estancar o jogo interior da equipa de Pedro Emanuel, acabando mesmo a primeira parte a defender e bem recuado no terreno, talvez fruto do esforço acrescido que tivemos que realizar para alcançar o golo. A verdade é que apesar da dificuldade em suster a ofensiva adversária, a equipa parecia suficientemente equilibrada para não passar por qualquer tipo de percalço sério. Daí alguma dificuldade em compreender a decisão de Lopetegui em privar o meio-campo de Herrera, passando o mexicano para a lateral direita e deixando apenas Casemiro e Óliver no centro do terreno. O principal problema com esta nova estratégia do Porto terá sido a prematura perda de fulgor por parte de Aboubakar - que, em abono da verdade, fez uma excelente exibição durante toda a primeira parte - que reduziu em grande medida a capacidade de pressão interior da equipa, deixando o Arouca subir facilmente no terreno.

(pressão intensa obrigou o Porto a errar de
forma sistemática, permitindo
ao Arouca
recuperar facilmente a bola)
A falta de ligação entre sectores tornou-se clara e rapidamente o nosso adversário conseguia recuperar a bola, num registo extremamente similar ao que é habitual ver na equipa do Porto, fazendo-a circular para os muitos jogadores que tinha no ataque. Entramos na fase de jogo em que aprendemos, com as armas que tínhamos ao dispor (nove jogadores de campo na sua maioria extremamente fatigados), a saber sofrer e segurar uma vantagem que parecia poder ser ameaçada.

(delineado 4-4-1 no momento defensivo)



A equipa desdobrou-se num 4-4-1 no momento defensivo e devido à qualidade de Alex Sandro e Casemiro e à incrível serenidade de Marcano a ajudar a equipa a respirar, o Porto foi capaz de segurar uma importantíssima vitória que nos permite igualar o melhor registo de Vítor Pereira no campeonato com sete vitórias consecutivas, não tendo sofrido qualquer golo durante esta fase.



De realçar uma fraca prestação da equipa de arbitragem ao não assinalar uma evidente penalti sofrido por Ricardo Quaresma e ao ajuizar de forma errada os dois lances mais perigoso de toda a segunda parte: fora-de-jogo não assinalado no ataque do Arouca que quase chega ao empate e fora-de-jogo mal assinalado a Brahimi, numa jogada em que o argelino se consegue isolar perante Goicoechea.



Relatório de Empréstimos - 17/03/15


Sem grande coisa a apontar nesta semana, em que o destaque vai para o grande golo de Josué frente ao Balikesirpor, que abriu a contagem para o 4-2 final. Elevou assim para 7 golos no total da época, contando ainda com 4 assistências. Carlos Eduardo também assistiu para Bautheac marcar o único golo do Nice na derrota com o Guingamp. Quem marcou também foi Tozé, que com a nova dupla de treinadores do Estoril parece ter perdido o estatuto de titular, ainda que mostre toda a sua qualidade mesmo com menos minutos. No jogo esteve também em destaque Kléber que sofreu o penalty que deu o primeiro golo do Estoril numa jogada individual e ia marcando um golaço num remate acrobático que vale a pena ver.
Abdoulaye voltou a não ser convocado e alterna esse estatuto com o de titular, não havendo porém explicação para tal. Opare depois de alguns jogos seguidos com a camisola do Besiktas, voltou a lesionar-se. Está visto que ainda que seja bom jogador, as lesões assolam-no constantemente (4ª esta época), deixando sérias dúvidas quanto à qualidade geral do jogador para o plantel do FC Porto. Rolando não foi convocado por opção técnica, mantendo-se a decisão da não punição do jogador relativamente ao cartão vermelho mal mostrado de há duas jornadas. O mesmo não aconteceu a Sami que esteve suspenso nesta jornada, falhando assim a derrota caseira do V.Guimarães com o V. Setúbal. Célestin Djim voltou de lesão e esteve presente nos dois empates a zero do Freamunde, afastando-se assim dos lugares de subida. De resto: Walter fez o seu primeiro jogo a titular, na derrota do Fluminense por 1-0 com o Macaé e os suspeitos do costume continuam sem minutos nos respetivos clubes: Rúben Alves, Braima Candé e Kelvin, ainda que por razões diferentes. Vejam aqui o relatório completo, com todos os minutos e golos dos emprestados do FC Porto e ainda as imagens dos melhores lances:


Golo de Josué:

Remate de Kléber (3:41) e golo de Tozé (4:37): Assistência de Carlos Eduardo:
Goal Bautheac Nice vs Guingamp 1-1 Ligue 1 13... por enteritament

Quatro por quartos



Quem já não se lembrava de sentir um orgulho desmesurado em ser portista ao sair do Estádio do Dragão após um jogo da nossa equipa que ponha o dedo no ar. Bem me parecia que eram muitos. Transcende a alegria normal de apoiar o clube, avançando para uma esfera de percepção de que a grandeza dos nossos feitos estão ao alcance de muito poucas equipas num contexto mundial. Esse sentimento acolheu-nos durante largos períodos da já remota época em que contávamos com André Villas-Boas como treinador, e ontem voltou a bateu à porta de muitos portistas. Após seis anos, o Porto está de regresso aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e ninguém pode ficar indiferente à facilidade estonteante com que conseguimos eliminar toda a concorrência que foi tentando atravessar-se no nosso caminho. E ontem não foi excepção, com um resultado fabuloso a encerrar o ciclo mais complicado da época até ao momento e a encerrá-lo com chave de ouro.

Desde cedo no jogo se percebeu que a estratégia do Basileia iria invariavelmente passar pela continuação daquilo que tinha sido aplicado na primeira mão, uma equipa agressiva (que apenas o pôde saber pela total complacência das equipas de arbitragem em ambos os jogos) e rápida a lançar o contra-ataque. E não mais que isto. E não porque a equipa de Paulo Sousa não soubesse fazer mais, mas porque o Porto de Lopetegui não permitiu qualquer tipo de estratégia alternativa aos suíços.

(Brahimi a cair imediatamente no portador
da bola na primeira fase de pressão do Porto)
(Pressão alta do Porto retirando por completo linhas de
passe no primeiro momento de construção do Basileia)
Praticamente desde o início do jogo, uma pressão alta extremamente intensa e bem executada, a ter como principais focos Brahimi, Herrera e Evandro permitiram ao Porto recuperar inúmeras bolas ainda na zona defensiva do Basileia (fosse por desarme ou por forçar o erro do adversário). Essa pressão inicial resultou de forma praticamente imediata no assumir do controlo de jogo da nossa parte, com um estilo de posse de uma serenidade invejável. O estilo de jogo que a equipa falhou em implementar na primeira meia-hora diante do Sporting, ontem executou-o com mestria; bola em Fabiano, centrais bem estendidos nas laterais (e que jogo fizeram Maicon e Marcano!) e a procura de bola no centro por parte de Casemiro, sempre com os médios da frente prontos para o auxílio. E nem com um lateral esquerdino na direita e um central na esquerda o Porto se ressentiu ou alterou a sua forma de jogar, e a verdade é que tanto Alex Sandro como Indi - mesmo com todas as suas limitações compreensíveis dado a sua posição de origem - estiveram sempre a um muito bom nível.


A partir daí, uma saída para ataque ponderada, sempre com grande qualidade de passe e segurança nas tarefas a executar, resultando naquela que talvez fosse a ideia de sempre de Lopetegui relativa ao "tiki-taka" que tantas vezes durante a época vimos ser criticado pela sua falta de eficiência. Hoje em dia parece diferente, as trocas constantes de bola e a confiança de que esta não será perdida de forma infantil tornam o Porto uma equipa que sabe cansar o adversário, aproveitando depois as nossas fontes de criatividade e velocidade para construir a partir daí. Devido à forma como soubemos trazer os adversários ao nosso meio-campo - e neste capítulo sinto-me obrigado a destacar Casemiro e Evandro, perspicazes durante praticamente todo o encontro na leitura de jogo e no arrastar de marcações - tivemos muito sucesso na saída para o ataque em velocidade e através da qualidade de passe e variações de flanco de Herrera, Brahimi e Tello encontraram muitas vezes espaço para progredir pelas alas.


(capacidade de Aboubakar em vir buscar
jogo ao meio-campo do Basileia)
Quando a construção se iniciava com um passe longo ou através de jogo interior, o incansável Aboubakar estava lá; não é Jackson, mas fez o papel na perfeição. Óptimo a jogar de costas e a libertar a bola para os colegas, batalhador e sempre muito disponível, mostrou estar mais do que à altura do desafio que deverá inevitavelmente agarrar no início da próxima temporada.

(reacção imediata à perda de bola, obrigando
o portador a aliviar sem critério)
A reacção à perda de bola foi também exímia, e o auxílio dos extremos (principalmente de Brahimi) e a inteligência de Evandro (que contou com uma percentagem de acerto de passe de 94%) e capacidade atlética de Herrera (com mais de 12km percorridos) deram ao Porto uma consistência tal que foram poucos os lances de tentativa de ataque do Basileia que não morreram ainda no seu meio-campo.
Quando tal não acontecia, estava lá Casemiro, aquele que para mim foi mesmo o melhor jogador em campo, e que corroborou a minha teoria de que a comparação com Fernando parece fazer cada vez mais sentido. Disponibilidade física, desarme inteligente e intransponível com a bola dominada. Compensações aos laterais, aos centrais, aos interiores, e sem medo de avançar mesmo quando pressionado por dois ou mais jogadores do Basileia. Aliado a isso, sabedoria para ganhar faltas estratégicas que foram permitindo ao Porto respirar nos momentos mais intensos do Basileia.

Curiosamente, e apesar dos lances de golo provenientes de cruzamentos ou outras incursões vindas das laterais, apenas um dos golos do Porto não surgiu pelo meio. Bom sinal na medida em que o meio-campo do Porto começa a apresentar uma maior apetência e disponibilidade ofensiva, com Herrera a assumir grande parte do futebol de ataque do Porto pelo centro.

(Maicon sinaliza Fabiano para que
este não saia da baliza)
O único reparo que me parece legítimo apresentar depois de tal demonstração de superioridade é mesmo a constante instabilidade de Fabiano. É um guarda-redes extremamente seguro entre os postes, mas denotou-se ontem que continua a ser claramente o elemento mais nervoso no onze do Porto, com várias saídas desnecessárias que não comprometendo o jogo acabaram por resultar na lesão de Danilo que obrigou desde muito cedo a uma remodelação da linha defensiva.

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Terça-feira foi um dia de glória para o Futebol Clube do Porto. Pela 8ª vez na sua história o clube chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, estando presente entre as 8 melhores equipas da Europa na maior competição de futebol Mundial.

Apesar de ter sido apenas uma Terça-feira como todas as outras para os lados de Lisboa, houve quem achasse por bem tentar tirar mérito ao enorme jogo do Porto contra o Basileia, chamando ao barulho uma equipa que não joga a meio da semana desde Novembro.

O site do MaisFutebol publicou um artigo em que compara o número de vezes que o Porto e o Benfica atingiram os quartos-de-final da Liga dos Campeões - artigo que pode ser lido aqui - e chegou à conclusão que a equipa de Lisboa leva uma vantagem impressionante: 17 contra 8.

Segundo o site, o Benfica figurou entre as oito melhores da Europa por 17 vezes em 32 participações. Já o FC Porto esteve 8 vezes nos quartos, tendo participado na competição por 29 vezes.

Aquilo que o MaisFutebol se esqueceu de mencionar foi como é que as equipas chegaram a este patamar, algo que o Mística do Dragão achou por bem divulgar aos mais distraídos.

Começando pelo Benfica, são de seguida analisadas as suas passagens aos quartos-de-final, bem como a estrutura da Liga dos Campeões nos anos em que estas se deram:

Estrutura da Competição: 1ª Pré-eliminatória, 1ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1960/61 - O Benfica eliminou o Hearts na 1ª pré-eliminatória e o Újpest FC na 1ª ronda. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
1961/62 - O Benfica eliminou o Austria Wien na 1ª ronda. Um total de 2 jogos disputados até aos quartos-de-final.
Estrutura da Competição: 1ª Ronda, 2ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1962/63 - O Benfica eliminou o IFK Norrkoping na 2ª ronda. Um total de 2 jogos disputados até aos quartos-de-final.
Estrutura da Competição: Ronda Preliminar, 1ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1964/1965 - O Benfica eliminou o Aris Bennevoie na ronda preliminar e o Chaux-de-Fonds na 1ª ronda. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
Estrutura da Competição: 1ª Ronda, 2ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1965/1966 - O Benfica eliminou o Stade Dudelange na 1º ronda e o Levski Sofia na 2º. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
1967/1968 - O Benfica eliminou o Glentoran na 1ª ronda e o Saint-Etiénne na 2º. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
1968/1969 - O Benfica eliminou o Valur na 1ª ronda e aparentemente passou directamente aos quartos-de-final. Apenas 12 equipas jogaram a 2ª ronda. Um total de 2 jogos disputados até aos quartos-de-final.
Total dos anos 60: 7 presenças, 3 apuramentos com apenas 2 jogos disputados e 4 apuramentos com 4 jogos. De ressalvar que nesta fase as primeiras rondas eram extremamente desequilibradas, como é possível verificar pelo nome das equipas.

Estrutura da Competição: 1ª Ronda, 2ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1971/1972 - O Benfica eliminou o FC Tirol Innsbruck na 1ª ronda e o CSKA Sofia na 2ª. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
1975/1976 - O Benfica eliminou o Fenerbahçe na 1ª ronda e Ujpest FC na 2ª. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
1977/1978 - O Benfica eliminou o Torpedo Moskva na 1ª ronda e o B1903 Kobenhavn na 2ª. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
Total dos anos 70: 3 presenças, 3 apuramentos com apenas 4 jogos disputados.

Estrutura da Competição: 1ª Ronda, 2ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1983/1984 - O Benfica eliminou o Lienfield na 1ª ronda e o Olympiacos na 2ª. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
1987/1988 - O Benfica eliminou o Partizan Tirana na 1ª ronda e o AGF Aarhus na 2ª. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
1989/1990 - O Benfica eliminou o Derry City na 1ª ronda e o Budapest Honved na 2ª. Um total de 4 jogos disputados até aos quartos-de-final.
Total dos anos 80: 3 presenças, 3 apuramentos com apenas 4 jogos.

Estrutura da Competição: 1ª Ronda, 2ª Ronda, Fase de grupos, Final
1991/1992 - O Benfica eliminou o Hamrun Spartans na 1ª ronda e o Arsenal na 2ª. Um total de 4 jogos disputados até à fase de grupos que o MaisFutebol considera como quartos-de-final.
Estrutura da Competição: Fase de grupos, Quartos, Meias, Final
1994/1995 - O Benfica partilhou o grupo com Hadjuk Split, Steaua Bucaresti e Anderlecht. Um total de 6 jogos disputados até aos quartos-de-final. 
Total dos anos 90: 2 presenças, 1 apuramento com 4 jogos e outro com 6 jogos.

Estrutura da Competição: Fase de grupos, Oitavos, Quartos, Meias, Final
2005/2006 - O Benfica partilhou o grupo com Lille, Manchester United e Villarreal, tendo eliminado o Liverpool nos oitavos.
2011/2012 - O Benfica partilhou o grupo com FC Basel, Manchester United e FC Otelul, tendo eliminado o Zenit nos oitavos.
Total do século XXI: 2 presenças, 2 apuramentos com 8 jogos.


Fazendo a mesma análise para o Porto:

Estrutura da Competição: 1ª Ronda, 2ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1986/1987 - O Porto eliminou o Rabat Ajax na 1ª ronda e o FC Vitkovice na 2ª. Um total de 4 jogos disputados.
Total dos anos 80: 1 presença, 1 apuramento com 4 jogos.

Estrutura da Competição: 1ª Ronda, 2ª Ronda, Quartos, Meias, Final
1990/1991 - O Porto eliminou Portadown na 1ª ronda e o Dinamo Bucaresti na 2ª. Um total de 4 jogos disputados.
Estrutura da Competição: Fase de grupos, Meias, Final
1993/1994 - O Porto ficou em segundo lugar num grupo que partilhava com Milan, Werder Bremen e Anderlecht, tendo passado directamente para a meia-final. Um total de 6 jogos disputados.
Estrutura da Competição: Fase de grupos, Quartos, Meias, Final
1996/1997 - O Porto partilhou o grupo com Rosenborg, Milan e IFK Goteborg. Um total de 6 jogos disputados.
Estrutura da Competição:  Fase de grupos, 2ª Fase de grupos, Quartos, Meias, Final
1990/2000 - O Porto partilhou o 1ª grupo com Real Madrid, Olympiacos e Molde e o 2ª com Barcelona, Sparta Praha e Hertha BSC. Um total de 12 jogos disputados.
Total dos anos 90: 4 presenças, 1 apuramento com 4 jogos, 2 com 6 jogos e 1 com 12 jogos.


Estrutura da Competição: Fase de grupos, Oitavos, Quartos, Meias, Final
2003/2004 - O Porto partilhou o grupo com Real Madrid, Marselha e Partizan, tendo eliminado o Manchester United nos oitavos. Um total de 8 jogos disputados.
2008/2009 - O Porto partilhou o grupo com Arsenal, Fenerbahçe e Dynamo Kyiv, tendo eliminado o Atlético de Madrid nos oitavos. Um total de 8 jogos disputados.
2014/2015 - O Porto partilhou o grupo com Shakhtar Donetsk, Athletic e BATE Borisov, tendo eliminado o FC Basel nos oitavos. Um total de 8 jogos disputados.
Total do século XXI: 3 presenças, 3 apuramentos com 8 jogos.


Outras Curiosidades:
A estrutura actual da Liga dos Campeões foi implementada pela primeira vez na época 2003/2004. Desde então o Benfica participou em 8 edições, enquanto que o Porto ouviu o hino da Liga Milionária em 12 épocas diferentes. De seguida analisa-se a taxa de sucesso de ambas as equipas nos moldes actuais da competição mais exigente do Mundo.
Passagem aos oitavos de final:
Benfica - 2/8 - O Benfica passou aos oitavos-de-final 25% das vezes em que participou na competição.
Porto - 9/12 - O Porto passou aos oitavos-de-final 75% das vezes em que participou na competição
Passagem aos quartos de final:
Benfica - 2/8 - O Benfica passou aos quartos-de-final 25% das vezes em que participou na competição.
Porto - 3/12 - O Porto passou aos quartos-de-final 25% das vezes em que participou na competição.
Passagem às meias-finais:
Benfica - 0/8 - O Benfica passou às meias-finais 0% das vezes em que participou na competição.
Porto - 1/11 - O Porto passou às meias-finais 9% das vezes em que participou na competição.
Passagem à final:
Benfica - 0/8 - O Benfica passou à final 0% das vezes em que participou na competição.
Porto - 1/11 - O Porto passou à final 9% das vezes em que participou na competição.
Vitória na Competição:
Benfica - 0/8 - O Benfica venceu a prova 0% das vezes em que participou na competição.
Porto - 1/11 - O Porto venceu a prova 9% das vezes em que participou na competição.
Nota: A época de 2014/2015 anda não é contabilizada na estatística referente às meias, final e vitória na competição para o Porto, uma vez que ainda se encontra em prova.
Conclusão: A partir dos quartos-de-final ambas as equipas mostram uma taxa de sucesso semelhante, com a diferença de o Porto ter conseguido vencer a prova na única vez em que passou às meias-finais - o Benfica ficou-se pelos quartos-de-final sempre que lá chegou. No entanto a taxa de sucesso na fase de grupos tem números completamente distintos. Se dúvidas houvesse sobre quem representa Portugal na Europa, penso que o facto de o Benfica apenas ter conseguido passar aos oitavos-de final 25% das vezes em que participou na prova - contra 75% de passagens do Porto - diz tudo. Existe apenas uma equipa Portuguesa com capacidade para competir contra planteis milionários. Essa equipa chama-se Futebol Clube do Porto.
(E não me façam escrever sobre taxas de sucesso na Taça Uefa/Liga Europa...)


Principais Conclusões:
Das 17 presenças do Benfica nos quartos-de-final 10 foram antes dos anos 80, 14 foram antes de existirem fases de grupos e 15 foram antes de existirem oitavos-de-final.
Das 8 presenças do Porto nos quartos-de-final 0 foram antes dos anos 80, 2 foram antes de existirem fases de grupos e 5 foram antes de existirem oitavos-de-final. No entanto importa referir que uma das participações pré-oitavos incluiu duas fases de grupo (12 jogos) antes dos quartos.
Para chegar aos quartos-de-final nas suas 17 participações, o Benfica necessitou de disputar 72 partidas; já o Porto jogou um total de 56 jogos em menos de metade dos apuramentos conseguidos.
Outro ponto importante é que nos anos 60 e 70, altura em que o Benfica dominava o futebol Português, apenas o Campeão tinha direito a participar na Champions, pelo que o Porto se viu privado da Competição durante duas décadas. Se o mesmo acontecesse no século XXI, o Benfica teria menos 8 participações na Liga dos Campeões. De facto, desde o ano 2000, a equipa da Luz teria participado apenas 3 vezes na competição.
Desde que a estrutura da competição foi alterada - passando a existir os oitavos-de-final -, o Porto passou a fase de grupos 75% das vezes em que participou na competição; já o Benfica apenas atingiu essa fase em 25% das suas participações.


Nota para o MaisFutebol:
Da próxima vez que sentirem necessidade de diminuir os feitos do melhor clube Português dos últimos "25 anos", exacerbando os daquele que um dia - há muito, muito tempo - teve o direito de assim ser chamado, não se esqueçam de referir todos os factos. Cerca de dois terços dos apuramentos para os quartos que o Benfica tem foram feitos em alturas em que 2 ou 4 jogos eram suficientes para chegar a esse patamar. E, como se isso não fosse suficiente, grande parte desses jogos eram contra colossos de nome IFK Norrkoping, Stade Dudelange, Chaux-de-Fonds ou FC Tirol Innsbruck, equipas que eram goleadas por quem lhes aparecesse à frente. Não vão conseguir apagar o facto de que, desde que o formato da competição apresenta a fase dos oitavos-de-final, o Porto foi capaz de os atingir mais 7 vezes que o Benfica. Se o formato fosse como nos anos de ouro da equipa da Luz, em que se passava directamente aos quartos-de-final depois de bater em mortos, o Porto teria pelo menos mais 9 passagens a essa fase - com a diferença de, ainda assim, ter jogado uma exigente fase de grupos cujo Benfica só passou por 2 vezes nas últimas 8 presenças.

Relatório de Empréstimos - 10/03/2015


A semana que passou teve boas e más notícias para os emprestados do FC Porto: em primeiro lugar o regresso do Parma à competição, ainda que sem garantias relativamente a quanto tempo durará, significa o regresso de Varela que tinha o resto da época em risco. Uma época nada famosa para o extremo que depois de uma passagem falhada no empréstimo ao WBA de Inglaterra, foi colocado no Parma com o objetivo de fazer mais minutos, coisa que começou realmente a acontecer até à insolvência do clube que obrigou à paragem do jogador.
Em França, Carlos Eduardo marcou mais um golo desta vez de cabeça, elevando para 8 o número de golos no campeonato francês, sendo que é dos mais bem sucedidos na finalização dos emprestados do FC Porto sendo apenas superado por Caballero e Kléber. Estes dois que estiveram em destaque esta semana por diferentes razões: o primeiro pois falhou um penalty que daria na altura a vantagem no jogo com o Oriental e o segundo pela assistência para o magnífico golo de Sebá na receção do Estoril ao Gil Vicente. Quiñones fez também uma assistência para o segundo golo do Penafiel em Alvalade, Pedro Moreira regressou de lesão fazendo alguns minutos no empate do Rio Ave com o Nacional e Sami foi expulso com vermelho direto pelo "nosso amigo" João Capela num lace no mínimo discutível. Na Bélgica, Rolando não foi suspenso pela entrada que lhe valeu o vermelho da última jornada e jogou a titular. Será que no caso de Sami alguém irá olhar para as imagens e despenalizar o jogador como foi feito na "poderosa" liga belga? Veremos.
O destaque final vai para o jogo de Tiago Rodrigues a meio da semana com o Sporting, que para quem teve oportunidade de ver, foi de grande classe. Não marcou nem assistiu, mas foi dele que saiu grande parte das jogadas de perigo do Nacional: uma segunda parte da época que está a dar que falar deste jogador.  Confiram então o relatório de empréstimos completo e as imagens das principais incidências desta semana:

Relatório Completo
Expulsão de Sami (5:34):

Assistência de Kléber (0:09):


Golo de Carlos Eduardo:
Goal Eduardo - Bastia 0-1 Nice - 07-03-2015 por LiG2Fr

Assistência de Quiñones:

E tudo Tello marcou



Como fotocópia do que havia acontecido há cerca de uma semana, quando o Futebol Clube do Porto nos presentiou com uma demonstração cabal da superioridade em relação ao Sporting, esta última sexta-feira voltou a provar que a equipa está já claramente acima daquilo a que nos foi habituando durante largos períodos desta mesma temporada. Em Braga, num campo que invariavelmente nos obriga a suar e muito para alcançarmos a vitória, a equipa mostrou exactamente essa capacidade, esse espírito aguerrido e esse sacrifício para arrancar três importantes pontos que mostram com grande claridade que o objectivo do campeonato ainda está bem em aberto para jogadores e equipa técnica, apesar do vaticínio da grande parte dos portistas que acreditavam que dificilmente saíamos desta complicada fase (que começou em Moreira de Cónegos para os mais atentos e na recepção ao Vitória para quem nunca ouviu falar no nome de Miguel Leal) sem perder o número de pontos suficiente que nos deixasse claramente arredados do primeiro lugar. Será difícil esquecer a ida aos Barreiros depois da exibição dos nove guerreiros no mesmo estádio em que na última sexta-feira outros onze demonstraram a mesma atitude, mas parece que o saque do qual fomos alvo em Braga para a Taça da Liga surtiu o efeito desejado. O Porto mostra finalmente um fio de jogo constante e objectivo e parece consensual entre qualquer portista que esta equipa demonstra uma solidez defensiva brilhante e que o receio de sofrer um golo tem vindo a diminuir substancialmente nas últimas semanas. Em Braga, apenas fomos incomodados nos últimos minutos e sobretudo por Pardo que entrou imediatamente a seguir ao golo de Tello e mostrou ter tanto poder de explosão como talento para encenação, tentando por duas vezes ludibriar Jorge Sousa a assinalar grande penalidade. E mesmo apesar da tentativa de assédio bracarense, nunca pareceu plausível que as suas ameaças resultassem em perigo efectivo para a baliza de Fabiano, que voltou a ter uma noite tranquila, mesmo que nem ele conseguisse sentir tal tranquilidade.

A reter
Continua a faltar objectividade a este Porto.



Mostramos uma capacidade tremenda de penetrar a grande área adversária em ataque corrido, seja por intermédio dos extremos ou dos laterais mas invariavelmente mostramos muito pouco sucesso para o que construímos. É uma estratégia claramente delineada, mas exige-se mais discernimento na última decisão por parte do portador da bola, um pouco à imagem do lance de Tello no primeiro golo do Porto no Estádio do Bessa. A chave para desbloquear jogos em que o comportamento do adversário se cinge ao de uma equipa que precisa de um último ponto para alcançar a manutenção, vulgo visitado no jogo da passada sexta-feira, pode estar no aumento da taxa de sucesso neste tipo de lances, e para isso a chegada à área do médio de apoio ao ataque, no caso específico Herrera será determinante.


A lesão de Jackson. Nada de bom advém da lesão do melhor jogador do campeonato. Qualidade estonteante, um domador de defesas e inclusive um dos nossos melhores médios. Dificilmente podemos pedir a Aboubakar que recrie o estilo de jogo do colombiano, mas caso no passado uma hipotética ausência de Jackson tenha sido devidamente preparada podemos agora e no que restar do tempo de recuperação do mesmo tirar bons dividendos de um jogador que traz outro tipo de atributos que podem beneficiar o Porto em algumas fases do encontro. Sendo um jogador extremamente rápido e ágil com uma finalização por norma certeira, a expectativa de que consiga fazer esquecer a eficácia de Jackson é um dado adquirido. Perdemos em tudo o resto, mas com Tello e Brahimi nas alas ganhamos mais uma seta e possivelmente uma das poucas referências (a par de Casemiro) a nível da meia distância. Mostrou alguma confusão no seu papel no acompanhamento a Tello nas saídas em ataque rápido, algo que terá que ser revisto o mais depressa possível.

O regresso do menino de ouro. A melhor notícia em relação à lesão de Jackson - como comparação meramente temporal - é o regresso de Óliver Torres. Depois do que pairou na cabeça de todos os portistas aquando do pique de Jackson no AXA, poder voltar a contar com um dos melhores jogadores deste plantel é uma notícia no mínimo reconfortante. Em nada mudo o discurso relativamente à minha anterior crónica, e a crença em Evandro e no papel que este pode ter a partir da próxima temporada continua inabalável, mas neste momento há uma diferença de perfume e rotação que penderão sempre a favor de Óliver, até pela evolução constante que foi demonstrando ao longo da temporada.

Notas positivas
Destaco claramente a continuação dos focos mais positivos do jogo diante do Sporting para este jogo em Braga. A coesão defensiva que tem no seu expoente máximo Marcano, a capacidade de desarme, antecipação e garra de Casemiro (será eventualmente ainda despropositado, mas creio que já não existirá assim tanta gente que se ofenderá com uma comparação ao seu antecessor naquela posição), a estabilidade que Rúben Neves dá ao meio-campo do Porto sempre que entra para ajudar a segurar uma vantagem e o assumir de jogo por parte de Tello. Não sei se será justo considerá-lo como melhor em campo mas foi de longe o mais influente. Começa a gostar de aparecer, que era uma das maiores críticas que lhe apontava, e só isso parece bastar para ser neste momento o jogador mais decisivo de todo o plantel portista. Um punhado de lances perigosos que culminam com uma excelente finalização na cara de um guarda-redes com propensão para levar a melhor em relação aos avançados naquele tipo de lances. Tello ao volante... perigo constante!

Notas negativas
Retiro do jogo de sexta-feira a incapacidade que Fabiano continua a demonstrar em lances que deveriam não figurar nos resumos de jogo, devido ao grau de facilidade que estes apresentam para um guarda-redes de equipa grande. São erros que já lhe eram apontados antes mesmo de vir para o Porto e parece que nunca os conseguiu corrigir. É um elemento que numa equipa que é incomodada pouco mais do que uma vez por jogo em 95% das partidas que realiza precisa de dizer "presente" de uma forma inequívoca, pois se não o fizer é provável que já tenhamos sofrido um golo por essa altura.

A entrada de Quaresma em campo. Ele que tinha sido invariavelmente um dos melhores em campo em todos os jogos do Porto nas últimas semanas mostrou uma displicência táctica gritante que nos podia ter custado um resultado que tanto batalhamos por construir. E custa sobretudo saber que as pequenas quezílias que foi tendo com adeptos do Braga enquanto aquecia contribuíram para tal atitude. Deixamos há muito de procurar esse jogador que quer ser protagonista para mostrar que é melhor, até porque encontramos um Quaresma que raramente víamos desde que voltou ao Porto, jogador objectivo e de sentido colectivo. Curiosamente, esse espírito valeu-lhe diversos reencontros com o seu lado mágico, pelo que tem que continuar a trabalhar nesse sentido. Tem feito por merecer ser titular, mas Lopetegui já demonstrou que não conta com jogadores que se ponham à frente da equipa e Brahimi aproxima-se muito mais daquilo que o mister procura para as alas.