Carta aberta a Rui Gomes da Silva

Olá Rui,

Desculpa tratar-te por tu, sem te conhecer de lado nenhum, mas não mereces que te trate de outra forma. E, mesmo tratando-te por tu, aposto que vou tratar-te com muito mais educação e respeito do que mereces.

Tu, Rui, voltaste a baixar o nível no "Dia Seguinte". Deves ter-te sentido ultrapassado pela labreguice do teu consócio da TVI24 e tiveste necessidade de te reafirmar como o comentador televisivo mais palerma. Mas desta vez abusaste, Rui. Abusaste e de que maneira. Tu disseste desejar que a cotovelada do André Almeida ao André André tivesse sido dada com mais força, para que este se tivesse magoado e fosse forçado a ser substituído. Tu, que és vice-presidente do Benfica, embora tenhas cada vez menos importância no clube, fizeste um apelo claro à violência, à falta de fair-play, à batota. E isso é muito feio, Rui. Muito, muito feio. Eu compreendo que seja difícil lidar com uma derrota contra o maior rival, a mim também me custa e, até admito que a ti te custe mais para mim. Apesar de tudo, andas há 30 a... levar no corpo (gostaste da ironia?).

O que eu não posso admitir, Rui, é a leviandade com que desejaste que um jogador teu lesionasse um adversário, um colega de profissão, um homem. Logo tu, Rui, que fizeste um escarcéu monumental por, alegadamente, te terem agredido à saída de um restaurante no Porto. Logo tu, Rui, que foste ministro com a tutela do desporto, (razão tinha Lopetegui quando disse que era preocupante que Portugal tivesse ministros como tu). Logo tu, Rui, que foste deputado. Logo tu, Rui, que tens funções de responsabilidade numa instituição desportiva com um peso enorme em Portugal. Logo tu, Rui, que és advogado e deverias ter uma noção de justiça muito acima do comum dos mortais. Tu deverias saber que não vale tudo, e que isto não é uma rebaldaria. Tu deverias saber que és ouvido por milhares de pessoas e que as podes influenciar. Que moral terás tu para criticar quando houver confrontos entre adeptos? E quando houver problemas com a polícia, como infelizmente houve em Guimarães? Que irás dizer? Eu sei que a espinha dorsal é flexível, mas nem terias tamanha cara de pau, pois não, Rui?

Enfim, Rui, se tivesses um pingo de vergonha na cara, pedias desculpa pelo disparate que disseste. Caramba, até o Pedro Guerra foi capaz de o fazer a dois jornalistas do Record... Se fosses um homem a sério, retratavas-te. Mas como o "h" me parece proporcional ao teu tamanho, não tenho grandes esperanças.

Ganha juízo, já que não o podes comprar, por muito dinheiro que ganhes.

Cumprimentos,

João Ferreira

Relatório de Empréstimos - 22/09/15


Nesta semana não houve golos dos emprestados do FC Porto, mas houve algumas assistências, nomeadamente de Adrián López, Ricardo Pereira e Josué.
O destaque maior vai para Ricardo Pereira que a jogar a defesa esquerdo (!), fez duas assistências, foi o melhor em campo para o site de estatísticas Whoscored.com e foi escolhido para a equipa da semana da liga francesa. Se a primeira assistência é apenas um lançamento na direção do colega que marca o golo (que não é visível no vídeo), a segunda é um lançamento espetacular em profundidade que demonstra grande classe do jovem português.
Adrián López fez uma jogada como nunca o vimos fazer no FC Porto: sprintou, fintou e isolou o colega de equipa numa jogada bem desenhada do ataque do Villarreal. Já Josué fez o que nos habituou na temporada passada com um bom cruzamento para o golo do Bursaspor.

Nos destaques pela negativa temos outra vez Sinan Bolat que na goleada sofrida pelo Club Brugge nas mãos do Napoli, tem responsabilidades no golo de Marek Hamsik. O jogador soma já 13 golos sofridos. Fiquem com algumas curiosidades que se retiram dos relatórios em relação à última temporada, confiram os números totais e os vídeos dos principais lances.

Curiosidades:
  • Ivo Rodrigues e Braima Candé já jogaram mais minutos até agora que no empréstimo de 6 meses da temporada passada;
  • Sinan Bolat jogou neste início de temporada quase metade dos minutos do que jogou em toda a temporada transata, tendo no entanto sofrido nesta altura 13 golos contra 17 no Galatasaray.
  • Kelvin jogou apenas 99 minutos nos últimos 16 (!) jogos e pode ser apanhado na tabela dos minutos por jogadores que começaram a jogar 7 a 8 meses depois.
  • Andrés Fernández igualou em 4 jornadas os minutos jogados pelo FC Porto da temporada passada; 


Assistências de Ricardo Pereira (00:34 e 1:44):

Assistência de Adrián Lopez (0:21):

Assistência de Josué (0:30):

Asneira de Bolat (2:59):

O empate (pouco) moral do Record

Exmos Srs,

Ao consultar a capa do vosso jornal de hoje, dia 21 de setembro, constatei que consta na referida capa a frase "André André desfez a igualdade que o Benfica trabalhou para merecer". Compreendendo eu que todos temos direito à nossa opinião, não posso deixar de realçar a parte do "merecimento do Benfica".
Na minha opinião, o Benfica lutou efectivamente pelo empate. Aliás, aos cinco minutos de jogo, quando Nico Gaitán demorou um minuto para marcar um pontapé de canto, foi perceptível aquilo a que o Benfica vinha, que era lutar pelo 0-0 de todas as formas possíveis e imaginárias, mais ou menos limpas e mais ou menos, aqui a tender para o mais, dignas de um José Mota. A grande estratégia do Benfica foi queimar tempo de forma descarada e aproveitar, pelo meio, para fazer fitas, com Jonas, mais preocupado em picar e provocar do que em jogar futebol, em grande destaque. Valeu de tudo, horas para marcar um canto, bolas a serem metidas em campo para atrasar lançamentos, Eliseu a tirar a bola das mãos de Maxi, que a ia lançar, ao pontapé, e Jonas a rebolar pelo chão. Se isto foi merecer o empate, o futebol está morto.

As estatísticas da partida também não mentem. O Porto teve quase o dobro dos ataques, o dobro dos remates, o quádruplo dos pontapés de cantos e 65% de posse bola. O Porto foi dominador, sem jogar nada de especial, e foi isso que foi segurando o Benfica no jogo. Porque de resto, o Benfica não foi capaz de criar uma oportunidade de golo de bola corrida, não foi capaz de ter a bola, nada. O Benfica lutou, e muito, pelo empate, mas em parte alguma o mereceu. Quem vem para queimar tempo de forma escandalosa, com o beneplácito da equipa de arbitragem, quem abdica de atacar, quem não se preocupa em jogar futebol e se limita, praticamente a "bola para a frente e fé em Gaitán", não pode merecer o empate. Nunca.
E o que é triste e revoltante é a necessidade do Record de vir inventar mais uma patranha. Compreende-se, é necessário massajar o ego dos adeptos benfiquistas, é necessário dar algum alento para ver se continuam a comprar jornais. Mas também era necessário disfarçar um pouco a azia com o resultado e evitar escrever disparates. O Porto jogou mal, mas, pelo menos, jogou.O Benfica nem isso fez. O que fez foi uma apologia ao josémotismo, elogiada e defendida pelo Record. Mas por mim, força, continuem. Continuem com a propaganda, continuem a viver na ilusão. A vossa linha editorial daria um bom remake do filme Goodbye, Lenine.

Mas no final, isso pouco importa. O que importa é que o treinador e a águia se chamam Vitória, o Benfica veio jogar para o empate e saiu com uma derrota. Já não há Jesus, mas foi justiça divina.

Com os melhores cumprimentos,

João Ferreira