Ruben Neves


Pela primeira vez em muito, muito tempo, o Futebol Clube do Porto lançou um jovem formado na equipa principal do clube, como titular. Com apenas 17 anos, Ruben Neves passou directamente dos juvenis para a equipa principal e, na sua estreia comandou com muita classe e maturidade o nosso meio-campo, até ser substituído, completamente esgotado e receber a ovação da noite.

Independentemente daquilo que o futuro lhe reserva, Ruben Neves representa uma monumental bofetada de luva branca nas políticas de contratações e de aposta na formação da SAD. Obviamente que, no Porto, a prioridade é que a equipa principal seja o mais forte possível e, aqui, no reino do dragão, não queremos que o maior feito do nosso clube nos últimos dez anos seja ter um jogador formado cá ser considerado o melhor do Mundo. O que nós queremos é ganhar títulos.

Isto não implica que apostar na formação e ter uma grande equipa sejam conceitos mutuamente exclusivos. Antes pelo contrário, um bom aproveitamento dos nossos miúdos, permite ao clube poupar valiosos recursos financeiros que podem garantir uma menor necessidade de alienar dois ou três craques todos os anos.

Mas a aposta na formação traz ainda mais vantagens. Aproxima o clube dos adeptos, que se identificam com atletas como Ruben Neves, que representam o sonho que todos nós tivemos de jogar pelo nosso clube do coração e acabam por ser uma extensão dos adeptos em campo. Os "Ruben Neves" são miúdos que sentem o clube, que são portistas e que podem ajudar a devolver a mística do clube. E a aposta no Ruben Neves é um bálsamo para todos os outros miúdos das nossas camadas jovens, que podem continuar a acreditar no seu sonho.

Por tudo isto, obrigado, Ruben.

Até sempre Deco, foi um prazer.


25/07/2014, dia da despedida do Deco para os relvados. O futebol fica mais pobre, pois perdeu um eterno mágico da bola.

Era o nº10, fintava com os dois pés, e até era melhor que o Pelé. Noutro âmbito, também era o nº20, fintava em sprint, era melhor que o Simão, era o Deco na Selecção.

Deco chegou muito cedo ao futebol português, e infelizmente logo para o clube errado. Cedido ao Alverca e depois em 98/99 é vendido ao Salgueiros. Em Março de 99, começa a historia de Deco no FC Porto. Chegou e foi logo campeão, e insere o seu nome no Penta-Campeonato. Na época de 2002/2003, começa uma das melhores páginas do livro de magia de Deco ao serviço do clube. Campeonato, taça de Portugal e a velhinha Taça Uefa ganha ao Celtic de Glasgow por 3-2. Na época seguinte, mais um ano de sonho e repleto de vitorias. Supertaça, Campeonato e ... Liga dos Campeões ganha ao Mónaco por 3-0. Quem não se lembra do fantástico golo de Deco nessa final ? Recuperação de bola no nosso meio campo, bola para Deco, Deco passa para Alenitchev, Alenitchev devolve a bola a Deco, o tempo para, Deco ajeita a bola e chuta, o Guarda-Redes e dois defesas do Mónaco vão para um lado, a bola foi para o outro. "Que bonito é...que bonito, que bonito! As bandeiras estão desfraldadas ao vento...nós queremos agradecer aos Deuses do futebol.. esta felicidade! Que nos enche a alma, que põe um país parado, um país emocionado. É GOLO DO PORTO, foi ele, balancou a rede. Finalmente aparece o toque de génio, aparece o segundo o Porto...aparece!...o Porto a fazer 2-0!"  E foi assim o ultimo golo de Deco com a camisola do FC Porto. O resto é historia, e está guardada nas nossas memórias.

Deco depois é transferido para o Barcelona, onde encheu mais a sua cabine de troféus (2 Campeonatos espanhóis, 2 Supertaças de Espanha, 1 Liga dos Campeões). Em, 2007/2008 segue para o Chelsea onde venceu 1 campeonato nacional, 2 Taça de Inglaterra e 1 Supertaça de Inglaterra. Em Agosto de 2010, Deco regressa ao seu pais de origem para jogar pelo Fluminense, onde ganhou 2 Campeonatos do Brasil e 1 Campeonato Carioca. A nível de Selecção, Deco naturalizou-se português, e estreou-se contra o Brasil para defrontar o treinador que disse que tinha muitos jogadores como Deco no Brasil. A resposta que Carlos Alberto Parreira (seleccionador brasileiro na altura) levou foi um golo de livre do Mágico. Com Portugal os títulos conquistados foram 0, mas esteve bem próximo de ganhar o Euro em 2004. Citando o próprio "Só me faltou um título importante na Selecção". 

Palmarés de Deco:

2 Ligas dos Campeões
1 Taça UEFA
3 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
2 Campeonatos de Espanha
2 Campeonatos do Brasil
1 Campeonato de Inglaterra
1 Campeonato Carioca
3 Taças de Portugal
2 Taça de Inglaterra
3 Supertaças Cândido de Oliveira
2 Supertaças de Espanha
1 Supertaça de Inglaterra


A festa de ontem foi bonita, mas 50 mil pessoas não chegam para a grandeza deste jogador. Obrigado por tudo Deco. Na minha óptica, e por tudo o que eu já vi, foi o melhor jogador a envergar a camisola do FC Porto. Ainda ontem pudemos ver que quem sabe não esquece, e Deco fez um jogo fantástico. A condução de bola, a visão de jogo e a magia ainda está toda lá. Até sempre Mágico, foi um prazer.


Não há dinheiro

Uns dias depois de oficializar a compra do argelino Brahimi por 6,5 milhões de euros, correspondentes à totalidade do passe do atleta, o Futebol Clube do Porto alienou 80% desse mesmo passe à Doyen Sports por 5 milhões. Este negócio avalia o passe do atleta em 6,25 milhões de euros, menos 250 milhares de euros do que aquilo que o Porto pagou pelo jogador. Ou seja, à cabeça, já estamos a perder esses 250.000 euros.

Ainda que este negócio possa envolver uma recuperação de parte do passe de Mangala, cuja oficialização no Manchester City deve estar por horas, importa analisar e perceber como o Futebol Clube do Porto se está a movimentar no mercado de transferências. Há duas coisas que sobressaem imediatamente. Uma é o facto da administração da SAD, pela primeira vez em muito tempo, estar a permitir que seja o treinador a escolher os atletas com quem quer trabalhar, o que, a não ser que aconteça uma hecatombe, como uma saída não adequadamente compensada de Jackson Martinez, fará com que Lopetegui terá um excelente plantel, cheio de soluções, o que originará que seja o único responsável caso a época corra mal, isentando Pinto da Costa (e o filho, a filha, o genro e todo o resto da família), Antero Henriques e o resto dos dirigentes. A outra é que o Porto não tem dinheiro para dar essas condições a Lopetegui (nem para mandar cantar um cego, sequer).

O facto do Porto não ter dinheiro, fruto de gastos desmesurados acumulados ao longo dos anos, não é novidade e, então, recorrer a fundos torna-se necessário, ainda para mais quando as portas da banca, por imposição da troika e devido às trapalhadas no BES estão cada vez mais fechadas. Do mal o menos, o Doyen Sports é o menos obscuro de todos estes fundos esquisitos. É o único que tem página na internet e é o único de quem se conhece a carteira de atletas. Só não se sabe a quem pertence o fundo.

O que é importante verificar é que o Futebol Clube do Porto está a apostar tudo na época que se avizinha. Faz sentido. É necessário ultrapassar rapidamente a pior época da história da presidência de Pinto da Costa e é necessário fazer uma boa campanha europeia sob pena de, muito rapidamente cairmos muitos lugares no ranking da UEFA. Assim, a solução encontrada pelo clube foi recorrer aos fundos. Com isto, o clube está a apostar tudo na vertente desportiva, abdicando da financeira. O clube, para poder ter um grande plantel hoje, está a abdicar de o ter no futuro. E o que todos tememos é que para ganharmos hoje, estejamos a abdicar de ganhar no futuro. Esperemos que não se traduza numa debandada como se vê lá para baixo, no clube que nunca mais ia ter que vender.