
Recentemente, a comunicação social lisboeta tem dado voz a um conjunto de personalidades do universo benfiquista que andavam um pouco afastadas da vida pública. Estes indivíduos saíram do buraco onde estavam há anos, para vir criticar os gastos do Futebol Clube do Porto nesta pré-temporada. Gaspar Ramos, o inventor dos seis milhões, José Manuel Capristano, ex-vice de Vale e Azevedo e, como tal, totalmente avalizado para falar de contas e um tal de José Manuel Antunes não se cansam de berrar que o Futebol Clube do Porto está a gastar mais do que pode.

Sendo certo que a situação financeira da SAD portista não é famosa, espanta-me é que esta gen
te toda só agora tenha saído da toca. E espanta-me porque, o Futebol Clube do Porto, gastou, pelo menos até agora, menos dinheiro em reforços do que nas temporada transactas. Tudo bem que a SAD não deveria gastar 20 milhões num único atleta, como fez com Imbula, mas os reforços deste ano custaram menos que Indi, Marcano, Adrian, os empréstimos de Campaña, Oliver, Casemiro e Tello, Aboubakar, Otávio, metade do passe de Quintero, Brahimi, Evandro, Andrés Fernandez, etc. Bem menos. E, quanto aos salários, bem, Maxi, Casillas e Imbula, não devem ter propriamente salários baixos mas, a equipa já perdeu Fabiano, Andrés, Reyes, Casemiro, Oliver e, principalmente, Jackson, Danilo e Quaresma. Estará o Porto a gastar assim tanto dinheiro a mais? Duvido muito.

Obviamente que isto não implica que o Porto não deveria reduzir os seus gastos. O Futebol Clube do Porto apresenta um desequilíbrio estrutural nas suas contas. A título de exemplo, com rendimentos extraordinários e irrepetíveis de cerca de 60 milhões, divididos a um prémio extra de participação na Liga dos Campeões, ao "brinde" que o Real Madrid nos deu com Casemiro e às mais-valias das vendas de Mangala e Danilo, o Porto teve de vender Jackson às 23:00h de 30 de junho de 2015 para não apresentar prejuízo. Isto não implica que o desequilíbrio deste ano seja maior do que em épocas passadas. Mais, uma vez que necessitamos de três vendas milionárias para equilibrar as contas da época, não me admirava que, até 31 de agosto, fizéssemos outra venda significativa.
Por outro lado, seria interessante que Ramos, Capristano e Antunes perdessem uns minutos a olhar para o próprio umbigo. Vejamos, o Benfica vende, vende, vende. Tem uma equipa envelhecida. E vende tudo à taxa fixa de 15 milhões de, provavelmente, nada. Mas, ainda não fez uma contratação sonante. Quererão Ramos, Capristano e Antunes explicar o porquê?