Carta aberta a Julen Lopetegui
Caro Julen,
Espero que esteja tudo bem contigo. Não me conheces de lado nenhum, é normal, mas eu tenho um problema contigo, que é o seguinte: eu sou doente pelo Porto, pela equipa que tu treinas e, portanto, a minha vida acaba sempre por ser influenciada pelas tuas decisões. Quando tu metes água, como quando rodaste meia equipa contra o Sporting para a Taça, eu fico doente e quando tu consegues dar aquele banho de bola que deste no Dragão ao Bayern, eu não ando, levito e fico feliz, de ego cheio. Percebes?
Vem isto a propósito dos desenvolvimentos dos últimos dias. Sim, eu sei que a época passada as coisas não foram famosas. Mas eu simpatizo contigo, Julen. És um bom homem e tens um valente par de cojones, e, acima de tudo, não me esqueço como defendeste, a todo o custo e com sacrifício pessoal, o meu clube, enquanto os engravatados que te contrataram assobiavam para o lado. E, agora, tiveste uma sorte de todo o tamanho. Mereceste-a, é certo, mas, por favor, não a deixes escapar. O Jorge Jesus abriu-te as portas do próximo campeonato. Estão escancaradas. Repara, o homem traiu o Benfica. E ao trair o Benfica, traiu os benfiquistas. E ao trair os benfiquistas, traiu ABola, o Record, o Correio da Manhã, a TVI, a SIC, a Associação de Futebol de Lisboa, a Federação Portuguesa de Futebol e o João Capela. O homem nunca mais vai ser bajulado pelo comunicação social. E um bronco daqueles, sem os jornalistas a endeusá-lo, enterra-se sozinho. No Sporting, não vai haver colinho. No Sporting, quando ele agredir um polícia, o Nuno Lobo não vai inventar uma agressão de um dirigente do Porto para disfarçar. No Sporting, quando ele desatar a correr pela linha lateral para ir à bandeirola de canto insultar o bandeirinha, é expulso. E ele lida mal com a pressão, que vai ser imensa. Tu ainda andavas a treinar putos em Espanha e o homem tremia todo contra um Porto onde o Liedson era o avançado suplente. Não foi dificil ajoelhá-lo, Julen. E depois, nota, apesar de todo o colinho, dificilmente alguém faria melhor do que ele com o plantel do Benfica, que a cada ano que passa mais parece a sala comum do Lar do Comércio, pelo menos a nível nacional. Sim, Julen, o tipo até é bom treinador, no meio de tanto espalhafato. Mas foi meter-se na toca do lobo. Estás a vê-lo a ter uma boa relação com enfatuado presidente do Sporting? O mesmo que se arroga a dar instruções aos jogadores como fez na final da Taça, passando por cima do treinador? Vai ser divertido, Julen.
Mas, como eu já te disse, tiveste imensa sorte, Julen. Acabaram de facilitar a vida. Agora depende de ti. Eu confio em ti. Tens todo o meu apoio. Não deixes ficar mal.
Um abraço.
O amuo de Lopetegui ou a azia do Maisfutebol
Exmos. Senhores,

Fui confrontado com uma notícia publicada no vosso website www.maisfutebol.iol.pt, em que se arrogam de acusar o treinador do Futebol Clube do Porto de amuar na conferência de imprensa que precedeu o jogo Basileia-Porto para os oitavos-de-final da Champions League. E, a razão do amuo, deve-se, segundo a mesma notícia, à resposta desagradável (para vocês) que Lopetegui deu aquando das tradicionais perguntas de baixo nível da Comunicação Social portuguesa.
De facto, até Lopetegui, um basco, que está em Portugal há menos de um ano, já percebeu como a Comunicação Social portuguesa, nomeadamente aquela sediada em Lisboa, que não esconde a sua parcialidade, a sua falta de isenção e a forma, perdoem-me a expressão, rasca, trata o Futebol Clube do Porto. Aquilo que Lopetegui vos fez ontem, ao denunciar este jornalismo de vão de escada e ao confrontar-vos com factos reais e facilmente comprováveis, não é um amuo. É uma extensão do sentimento de todos os portistas, que, infelizmente, mesmo que ganhem, mesmo que sejam melhores, não têm nunca o reconhecimento merecido em Portugal. Porque em Portugal temos uma Comunicação Social bacoca, impregnada por um vermelho e um verde que não os da bandeira nacional, e que é incapaz de fazer o seu trabalho como deve ser e relatar os factos tal e qual como eles são. O que Lopetegui já viu é que em Portugal existe uma comunicação que sofre com as dores de Benfica e Sporting, uma comunicação que branqueia trafulhices, erros de arbitragem, faltas de nível quando se referem à Segunda Circular. E o que Lopetegui disse ontem, é aquilo que muitos portistas sentem vontade de dizer. E acreditem, Lopetegui até foi brando.
Ontem, não foi Lopetegui que amuou. Foi o Maisfutebol que aziou. Possivelmente, a inveja de ontem ter sido dia de Champions para os portistas e quarta-feira para vocês, a não ser que tenham jogado Playstation, associada ao facto do Futebol Clube do Porto, mesmo contra uma equipa muito bem organizada e um árbitro tendencioso, ter feito um bom resultado, ao invés de entrar num espírito calimeriano de choradeira épica, para justificar insucessos, poderá ter sido a causa. Não vos recomendo Rennies ou Kompensans. Isso seria descer ao vosso nível. Recomendaria era que tirassem os óculos coloridos na hora de ver e analisar o futebol e que percebessem que há mais Portugal fora de Lisboa. E um pingo de decência. Mas isso se calhar já é pedir de mais.
Com os melhores cumprimentos
Fui confrontado com uma notícia publicada no vosso website www.maisfutebol.iol.pt, em que se arrogam de acusar o treinador do Futebol Clube do Porto de amuar na conferência de imprensa que precedeu o jogo Basileia-Porto para os oitavos-de-final da Champions League. E, a razão do amuo, deve-se, segundo a mesma notícia, à resposta desagradável (para vocês) que Lopetegui deu aquando das tradicionais perguntas de baixo nível da Comunicação Social portuguesa.
De facto, até Lopetegui, um basco, que está em Portugal há menos de um ano, já percebeu como a Comunicação Social portuguesa, nomeadamente aquela sediada em Lisboa, que não esconde a sua parcialidade, a sua falta de isenção e a forma, perdoem-me a expressão, rasca, trata o Futebol Clube do Porto. Aquilo que Lopetegui vos fez ontem, ao denunciar este jornalismo de vão de escada e ao confrontar-vos com factos reais e facilmente comprováveis, não é um amuo. É uma extensão do sentimento de todos os portistas, que, infelizmente, mesmo que ganhem, mesmo que sejam melhores, não têm nunca o reconhecimento merecido em Portugal. Porque em Portugal temos uma Comunicação Social bacoca, impregnada por um vermelho e um verde que não os da bandeira nacional, e que é incapaz de fazer o seu trabalho como deve ser e relatar os factos tal e qual como eles são. O que Lopetegui já viu é que em Portugal existe uma comunicação que sofre com as dores de Benfica e Sporting, uma comunicação que branqueia trafulhices, erros de arbitragem, faltas de nível quando se referem à Segunda Circular. E o que Lopetegui disse ontem, é aquilo que muitos portistas sentem vontade de dizer. E acreditem, Lopetegui até foi brando.
Ontem, não foi Lopetegui que amuou. Foi o Maisfutebol que aziou. Possivelmente, a inveja de ontem ter sido dia de Champions para os portistas e quarta-feira para vocês, a não ser que tenham jogado Playstation, associada ao facto do Futebol Clube do Porto, mesmo contra uma equipa muito bem organizada e um árbitro tendencioso, ter feito um bom resultado, ao invés de entrar num espírito calimeriano de choradeira épica, para justificar insucessos, poderá ter sido a causa. Não vos recomendo Rennies ou Kompensans. Isso seria descer ao vosso nível. Recomendaria era que tirassem os óculos coloridos na hora de ver e analisar o futebol e que percebessem que há mais Portugal fora de Lisboa. E um pingo de decência. Mas isso se calhar já é pedir de mais.
Com os melhores cumprimentos
Finalmente
O Futebol Clube do Porto emitiu ontem um comunicado, que aqui se reproduz na íntegra:
Record de má fé
Podíamos aconselhar o Instituto Cervantes aos redactores, editores e chefias superiores que tratam das matérias noticiosas relativas ao FC Porto e ao nosso treinador, senhor Julen Lopetegui, mas, infelizmente, o problema do Record não tem nada a ver com a melhor ou pior compreensão do castelhano, antes tem a ver com seriedade, com verdade, com a correcta transcrição do que se diz. Se o Record adultera sucessivamente declarações é porque isso obedece a uma estratégia de um jornalismo sem escrúpulos, que não procura informar os seus leitores, antes servir interesses que estão longe da verdade.
Julen Lopetegui disse hoje, quinta-feira, na conferência de imprensa de antecipação do próximo jogo: “É certo que falamos de uma boa equipa, que se classificou bem no ano passado e que tem bons jogadores, com um potencial maior do que reflecte a classificação. Tenho a certeza de que vai terminar mais acima na tabela, pois tem um plantel de qualidade, com várias soluções para colocar dentro de campo. Vamos ter de fazer as coisas bem para conquistar os três pontos frente ao Nacional”.
E como diz que disse a versão electrónica do jornal Record? “É verdade que no ano passado, o Nacional conseguiu cinco pontos nos jogos frente ao FC Porto. Mas creio que essa equipa tinha muito mais potencial do que a desta temporada…”.
Trocando por miúdos, Julen Lopetegui afirmou que o Nacional tem “um potencial maior do que reflecte a classificação”, mas para a versão electrónica do Record disse que a equipa do ano passado tinha muito mais potencial do que a desta temporada. A diferença é tanta que ninguém pode achar inocente esta adulteração do que foi dito.
Apesar da diferença abissal ainda poderíamos pensar que tudo não passaria de um mal-entendido, de um qualquer lapso, de um inocente problema de audição momentâneo, não fosse um comportamento recorrente. No domingo passado, num texto de antecipação do jogo desse dia do FC Porto B, Record titulava, ufano, “Luís Castro contraria Lopetegui”, num texto em que não havia um único facto verdadeiro que suportasse o wishful thinking de quem elaborou e validou um título tão mentiroso quanto sensacionalista.
Julen Lopetegui está a preocupar muito o Record, que representa o pior de um certo pedantismo lisboeta, que acha que por adulterar e mentir aos seus leitores interfere com os resultados no campo. Pela nossa parte, a resposta já foi dada pelo nosso treinador, na mesma conferência de imprensa: “Estamos juntos, contra tudo e contra todos. Esse é o objectivo, queremos que o FC Porto seja campeão e que a esperança e a crença sejam cada vez maiores”.
Apraz-me verificar que, vários anos depois, o clube se volta a insurgir contra as típicas manobras mesquinhas operadas por uma comunicação lisboeta, que, de há muitos anos para cá, se dedica tentar derrotar o Futebol Clube do Porto fora do campo, com mentiras, manipulações, invenções e outros malabarismos do estilo. Falo da mesma comunicação social que inventa bárbaras agressões a um advogado natural do Porto, cujo ódio ao mais titulado clube português é tal que até nas suas origens cospe, falo de quem subverte a origem dos confrontos no Porto-Sporting da época transacta, falo de quem prefere noticiar uma lesão de um jogador do Benfica a uma conquista internacional do Porto, falo de quem vai contra o entendimento da FIFA só para inventar mais um título para o Benfica. Falo de ABola, do Record e do Correio da Manhã, os três mosqueteiros liderados por um D'Artagnan de bigode tão farto como as orelhas e que Talisca com certeza conhece, que sentindo dificuldades em se impor, insiste em tentar denegrir o Futebol Clube do Porto, para assim justificar os vários insucessos que tem tido e se eternizar no cargo que ocupa, enquanto enche os bolsos de mansinho.
Fico muito agradado com este comunicado. Os portistas, na sua essência, são correctos e cordiais, mas não deixam que lhes pisem os calos. E é assim que o Porto deve actuar. E se isso fizer do Porto um clube pouco simpático, que se dane. Aquilo que o Porto não pode ser é um clube manso, que se cala perante as injustiças que lhe são perpetradas. E se tivermos que voltar ao tempo do black-outs, e das portas fechadas a determinados "jornais", seja. O que importa é que o Porto ganhe, limpamente, enquanto Serpas, Pais, Manhas, Queirós, Ribeiros, Delgados, Bonzinhos, Guerras e demais avençados carpem as dores do patrão.
O vil ataque ao futebol português
Ultimamente, quando não se está a falar do Cristiano Ronaldo, ou de mais umas dezenas de espanhóis que interessam ao Futebol Clube do Porto, temos sido bombardeados, nos espaços desportivos da Comunicação Social, com tremendas loas ao sucesso da BenficaTV (BTV). Se é compreensível que os dirigentes tentem vender o seu peixe, ainda que este esteja podre, e assim se compreendam as declarações de Luís Filipe Vieira na entrevista que deu à RTP, ou as de Rui Gomes da Silva, no programa da SIC Notícias onde é pago para fazer propaganda institucional ao clube que dirige, não se entendem os elogios feitos por um bando de jornalistas dos mais diferentes órgãos de comunicação social, que, por acefalia, ou por "ordens superiores" têm gasto tempo de antena em sucessivos elogios ao canal.
A verdade é que a BTV não é o sucesso que se apregoa. Não é. Obviamente que o Benfica está a ganhar mais dinheiro em relação ao que a Olivedesportos lhe pagava. É público que aquilo que a empresa de Joaquim Oliveira pagava era insuficiente face ao potencial benfiquista, mas não nos esqueçamos que este baixo pagamento era a contrapartida do facto de ter sido a própria Olivedesportos a salvar o Benfica de uma irremediável falência, que nem "operações coração" e pagamentos de impostos com acções sem valor, evitariam. Mas, para sermos honestos, teremos de comparar aquilo que o Benfica ganha actualmente, com o que a Olivedesportos pagaria pela renovação do contrato. Recorde-se que Joaquim Oliveira oferecia cerca de 22 milhões de eurospor ano e o Benfica exigia 40. A 31 de março de 2014, o Benfica registava receitas de 20,2 milhões de euros, o que, fazendo uma proporção para o ano inteiro dará cerca de 27 milhões de euros de receita, na época 13/14. Já Luís Filipe Vieira, na entrevista concedida à RTP, estimava receitas de 30 milhões, para este primeiro ano. Independentemente do valor das receitas, é necessário analisar também os custos. É público que a BTV paga cerca de três milhões de euros por ano pelos direitos da Premier League. É também público que o Benfica possui os direitos de transmissão do Farense e da Liga Norte-Americana. É também evidente o aumento de gastos provocado pelo maior número de funcionários, pelas amortizações dos equipamentos, bem como um conjunto de outros custos, relacionados com a transmissão dos jogos, luz, água, etc., embora estes sejam difíceis de estimar, dado que o Relatório & Contas apresentado, com referência aos primeiros nove meses da época é vergonhosamente escasso na informação divulgada.
É, assim, possível concluir que, dificilmente, a BTV dará mais dinheiro a ganhar ao Benfica, esta época, do que aquilo que a Olivedesportos oferecia. Racionalmente, este negócio foi uma má decisão do Benfica, uma vez que assumiu muito mais risco para obter um retorno semelhante.
Este negócio só seria bom se a BenficaTV esperasse, nos próximos anos, ganhar mais dinheiro do que nesta época. Mas será isso assim tão viável? A expectativa é que o Benfica já tenha atingido um número de assinantes muito próximo do máximo possível, dados os produtos oferecidos no canal. Nesta altura, o potencial do canal HORECA - hóteis, cafés e restaurantes, já estará esgotado. Todas estas instituições já assinam, por certo, o canal. E, no que respeita aos adeptos, verifica-se que o Benfica vem de uma excelente época e, sabe-se, como em Portugal os adeptos moldam os comportamentos às performances dos clubes que apoiam, o que leva a que haja um número elevado de assinantes.
Portanto, resta ao Benfica aumentar o preço do canal, explorando os seus próprios adeptos, ou adquirir novos produtos. No entanto, torna-se difícil encontrar produtos que, por si sós, sejam rentáveis. Alguém imagina a BTV a recuperar um investimento de dois ou três milhões nos direitos de um Gil Vicente, ou de um Paços de Ferreira? Provavelmente não. Conseguirá o Benfica garantir novos assinantes que compensem o preço a pagar pelos direitos de uma Liga Espanhola ou Alemã, ou da NBA? Também é duvidoso.
Portanto, o canal encontra-se numa encruzilhada, sem formas óbvias de fazer disparar as receitas, sem aumentar os custos num montante superior. Qual será então o real objectivo de Vieira e seus comparsas?
O grupo liderado por Joaquim Oliveira, onde se inclui a Olivedesportos, ficou, com a perda dos direitos do Benfica, numa posição muito difícil, financeiramente. A título de exemplo, na semana passada foi noticiado o despedimento colectivo de 150 colaboradores da TSF, do JN, do DN e de OJogo. E se a Olivedesportos tiver problemas financeiros, não poderá honrar os seus compromissos para com todos os outros clubes dos escalões profissionais, enfraquecendo-os.
Sendo certo que é importante combater o monopólio da Olivedesportos, e impedi-la de usar e abusar dos clubes, esta atitude do Benfica visa apenas destruir a Olivedesportos, e conseguir os direitos de alguns clubes nacionais, ficando com eles "na mão", pondo em causa a verdade desportiva. Se a Olivedesportos tinha um monopólio, o Benfica está a abusar da sua posição dominante, para enfraquecer os adversários. Porque, para os batoteiros, qualquer forma serve para ganhar. Não interessa tentar ser mais forte, importa fazer os outros mais fracos.
Mas a coerência de Vieira é de elogiar. Depois de dizer que mais importante do que ter bons atletas, era ter lugares na Liga, o presidente do Benfica continua empenhado em garantir vitórias no campo, fora dele. A entidade gestora do estádio do Algarve já deve esfregar as mãos de contente.

