Pimbolim é Scolari


É sabido que o Brasil é o maior viveiro de talentos do Mundo. O futebol está no sangue do povo brasileiro e, todos os anos, dezenas e dezenas de atletas são exportados para todo o planeta, tornando-se muitas vezes, enormes mais-valias para as equipas que representam. Esta aparente facilidade em detectar e formar talentos é, na minha opinião, uma das principais causas dos constantes erros que os responsáveis brasileiros cometem na avaliação de jogadores. 

São inúmeros os casos de atletas que saem do Brasil pela "porta pequena", de clubes modestos e chegam à Europa e revelam todo o seu potencial. Casos como Fernando, Hulk, Pepe, Deco ou Diego Costa são paradigmáticos. Todavia, o pior cego é aquele que não quer ver. Se errar é humano, não reconhecer os erros quando estes estão à vista de todos, revela um orgulho desmedido. Pepe e Deco tiveram que se naturalizar portugueses para poderem jogar por uma selecção. Fernando para lá caminha e Diego Costa prepara-se para fazer o mesmo por Espanha, tendo inclusivamente recusado uma convocatória de Scolari para actuar pela Canarinha, desprezando aquilo que é o sonho de milhões de jovens brasileiros, jogar pela mítica selecção do Brasil, onde brilharam Pelé, Zico ou Ronaldo. Os responsáveis brasileiros precisam, urgentemente, de abrir os olhos e perceber o que se passa à sua volta. 

A propósito de Scolari, todos sabemos o quão duro, teimoso e inflexível é o "Sargentão". Aparenta ser feito de gelo, gelo esse só derretido por Ricardo e a sua sensualíssima voz. Provavelmente ainda recalcado das polémicas com Pinto da Costa, Vítor Baía e o Futebol Clube do Porto, Scolari insiste em preterir os atletas portistas. Alex Sandro fica de fora em detrimento desse portento que é Maxwell e Fernando fica de fora para ser convocado Luiz Gustavo, do poderosíssimo Wolfsburgo. A casmurrice de Scolari, na tentativa de se defender, nem que seja ao murro e ao pontapé, e de mostrar quem manda, já lhe custou caro várias vezes, ao serviço da selecção nacional. Todos nos lembramos dos sucessivos frangos do Ricardo. Por outro lado, ninguém se lembra dos golos do Pauleta no Euro 2004. 

A mesquinhez de Scolari está a impedir atletas de enorme valia de representarem a sua selecção, devido ao clube que representam. Neste caso, Scolari não está a defender os "mininos". Está a fazê-los pagar, pela sua necessidade de vingança pessoal.

[Liga dos Campeões] 4ª Jornada: Zenit 1 - 1 FC Porto



É um claro sinal de que algo está mal quando uma equipa da dimensão do Futebol Clube do Porto é (praticamente) eliminada da UEFA Champions League por uma equipa claramente inferior e do nível do Zenit S. Petersbourg. Uma equipa que no Dragão foi dominado até ao cair do pano por uma equipa com menos um jogador, e que em sua casa entregou o jogo ao visitante na esperança de colocar um travão às suas tentativas de conseguir os três pontos. Uma equipa menor, com mentalidade de equipa pequena que mesmo assim vai conseguir terminar a fase de grupos da Champions League sem ter cedido uma derrota sequer contra o primeiro cabeça de série do grupo.

O Porto até entrou bem no jogo, com grande rotação, boas trocas de bolas, os sectores pareciam relativamente em sintonia e nem se notou (tanto) a grande indefinição de que vive o futebol do FC Porto actualmente. Com alguma naturalidade consegui-se o 1-0 e mesmo após se apanhar à frente do marcador a equipa conseguiu manter o controlo do jogo até que pela "enésima" vez na presente temporada a defesa e Helton meteram água concedendo do 1-1. Daí para a frente há pouca história para contar. Um FC Porto sem soluções, que na segunda parte foi completamente manietado pelas alterações efectuadas por Luciano Spaletti durante o intervalo e seguiram-se 45 minutos de agonia a ver uma equipa incapaz de construir uma jogada, segurar a posse de bola, criar oportunidades... Pelo meio Otamendi jogou a bola dentro da área ao que Helton respondeu com uma defesa a um penalty muito mal marcado por Hulk e Helton ainda foi chamado a intervir mais duas vezes para evitar o pior (se é que tal era possível...). Paulo Fonseca voltou a ser incapaz de mexer na equipa, quando o fez, fez tarde a más horas, e o treinador principal do FC Porto continua a transparecer a ideia que não percebe muito bem o que está a fazer, facto que se tem espelhado na falta de orientação dos jogadores dentro das quatro linhas.

Posto isto resta esperar que um milagre aconteça, ou seja, que o Zenit perca pontos com o Áustria de Viena e que esta equipa seja capaz de vencer em Madrid o Atlético e no Dragão o Áustria de Viena. Caso contrário exige-se que esta equipa encare a Liga Europa como um troféu a ganhar.
Seguem os (-) e (+) deste encontro:









  • Otamendi: A pior exibição de Otamendi de azul e branco pelo menos que me lembre. Tem vindo a ser hábitos os maus passes e más decisões, mas nunca de forma tão concentrada como no jogo de hoje. Facilitou, ofereceu e fez sofrer, talvez seja hora de de uma vez por todas passear um pouco pelo banco, não se percebe tamanha insistência.
  • Varela: Como é que um jogador de futebol profissional escorrega, falha recepções ou se esquece literalmente da bola, vezes sem conta em duas semanas consecutivas no momento da verdade? Como é que Varela continua a passar ao lado do jogo continua no 11? Como é que um jogador que faz consecutivamente exibições pobres continua a ser titular? Pois, talvez a falta de opções. 
  • O golo: Uma semana, dois jogos e 4 pontos cedidos (em competições diferentes). 4 pontos perdidos em resultado de grande displicência no processo defensivo. Um dos grandes pilares da equipa durante as duas temporadas passadas que hoje está irreconhecível. O que é feito do Alex Sandro que todos conhecíamos?
  • Paulo Fonseca: Aguardar pelos 75 minutos de jogo para realizar uma alteração na equipa quando o único resultado que interessava era a vitória? Ghilas a entrar numa altura do jogo em que a única coisa que consegue fazer é perder tempo de jogo. O meio campo deste Porto não existe e já toda a gente o percebeu menos Paulo Fonseca?? Mudar, inverter, reaproveitar, a verdade é que é preciso explorar alternativas e adaptar um pouco os jogadores  ao modelo adaptado e não o contrário.






  • Danilo: Contrasta com a actual equipa e contrasta com a forma dos restantes companheiros de equipa. Rápido a recuperar, forte a atacar, vai mostrando o leque de ferramentas de que dispões e cada mais convence quem o tanto criticou de que se calhar não é tão mau quanto o pinta, Dos mais incoformados, foi dos que mais tentou a procurar o rumo de jogo. Sozinho.... foi ineficaz.
  • Fernando: Na Europa tem tido mais liberdade e joga sempre mais sozinho atrás dos restantes médios do que normalmente. A diferença é logo notada e voltou a fazer uma grande exibição. Se o restante meio campo responde-se da mesma forma, muito possivelmente hoje o resultado teria sido outro.
  • Helton: Além do penalty defendido, ainda teve outra grande defesa durante o jogo que podia ter dado o segundo golo aos russos. Apesar de ter algumas culpas no golo também, a exibição dele foi positiva.

Nuances táticas - 4-3-3 ou 4-3-3

Com início de mais uma época, a especulação é grande em volta do Paulo Fonseca, o novo treinador de uma equipa Tricampeã em título. Hoje discorre-se sobre as capacidades de um treinador com apenas uma época no principal escalão do futebol português, acerca das escolhas e preferências que este poderá nutrir pelos jogadores que terá à disposição, e no modelo táctico que este irá adoptar para a nova temporada.


É precisamente neste último tempo que me pretendo centrar, durante as últimas épocas, principalmente desde 2006/07 ano em que Paulo Assunção assumiu um preponderante papel como trinco numa formação organizada em 4-3-3 sob orientação do Professor Jesualdo Ferreira.
Desde então que o trinco na imagem de Paulo Assunção e posteriormente de Fernando assumiu um papel preponderante na formação do nosso clube, assumindo um papel claramente destruidor no meio campo tendo como principal papel libertar os jogadores do meio campo mais avançados no terreno, desde Raul Meireles e Lucho até, João Moutinho e... Lucho.

Na possibilidade de Fernando rumar a outras paragens perante o assédio da filial Portista, AS Mónaco também conhecido por FC Porto C, coloca-se um ponto de interrogação no que toca à sucessão do brasileiro. Será que a aposta deverá centrar-se na continuidade de um jogador com as características de Fernando e Paulo Assunção? Um jogador à imagem do Fernando Ex-Grêmio? Ou será que é a altura de procurar alternativas?

No quadro das alternativas vejo duas opções que me agradam, o primeiro caso é a utilização de um trinco com maior capacidade de construção e maior acutilância ofensiva, à imagem do que acredito podermos encontrar no futebol de Defour, aliás durante a última época sempre que chamado a desempenhar este papel o Belga respondeu exemplarmente, compensando uma menor acutilância defensiva com uma maior profundidade no futebol ofensivo. Numa equipa com Danilo e Alex Sandro, ambos com capacidade e tendência a jogar subidos, próximos do ataque será necessário encontrar um equilíbrio no sector defensivo quando a equipa atacar para evitar desequilíbrios que incentivem os adversários a explorar um futebol de contra ataque.

Alternativamente, e muito se fala desta alternativa, imagina-se um cenário em que o habitual triângulo de meio campo é invertido, que na minha opinião se adequa mais a uma equipa que ao mesmo tempo que se prepara para dizer adeus a um jogador como Fernando, contratou Carlos Eduardo e Josué, e ainda se prepara para receber um jogador como Quintero. Um triangulo invertido irá conceder mais espaço a um dos jogadores do meio campo para se envolver no processo ofensivo, sendo uma vantagem na maioria dos jogos de uma campeonato em que a maioria das equipas enfrenta as principais favoritas ao título com 10 jogadores atrás da linha da bola. Este sistema obrigará a uma maior solidariedade dos jogadores mais recuados na linha do meio campo porém isso poderá por exemplo representar uma solução face ao défice de acutilância defensiva de um jogador como Defour a jogar a trinco em comparação com Fernando.

Posto isto, passo a bola ao nosso treinador, e deixo no ar algumas questões. Será desejável procurar um novo modelo? Se sim, qual poderá representar uma melhor alternativa? Que outras alternativas poderão ser exequíveis?

Saudações Portistas.