Equipa B: uma análise crítica
Em primeiro lugar, ao final de quatro anos, a equipa B já não é um "bebé". Já houve tempo mais que suficiente para que os erros típicos dos novos projectos fossem corrigidos e para se perceber o caminho a seguir.
| André Silva |
Vem isto a propósito de, neste momento, o Porto ter nos seus quadros um conjunto alargadíssimo de atletas com um trajecto significativo na equipa B, que clamam por uma oportunidade na principal equipa e que mesmo que não a tenham, têm já demasiada qualidade para actuar na Segunda Liga. Dos emprestados Igor Lichnovsky, Raul Gudiño, Rafa, Leandro Silva, Gonçalo Paciência e Ivo Rodrigues, aos B, Francisco Ramos, Victor Garcia, João Graça, André Silva ou Chidozie, para não falar de Gleison ou Ismael Diaz, cujos passes não nos pertencem, e correndo o risco de me esquecer de alguém, há demasiada qualidade para não poder ser deitada ao lixo. É essencial que o Porto olhe para os seus meninos, e aposte neles. Têm qualidade, são baratos e podem dar muito à equipa A e, sendo certo que nem todos poderão ser aproveitados ao mesmo tempo, é impossível que numa dúzia de atletas de tanta qualidade não haja nenhum a ter uma oportunidade.
Se tal não acontecer, mais vale acabar com a equipa B, que deixará de ser um projecto de formação de atletas, para continuar a ser um sorvedouro de recursos do clube. Recordemo-nos que entre salários e contratações, muitas delas desnecessárias, o Porto B já nos custou muito milhões. Atletas como Quiñonez, Caballero e Kayembe foram tudo menos baratos. Os atletas brasileiros entram e saem a ritmo alucinante, muitos deles sem sequer se saber. Quantos portistas conhecem Diogo Mateus, Victor Luís, Enrick Santos ou Anderson Oliveira?
Os meninos já provaram todo o seu talento. Luís Castro pouco mais pode fazer para além de continuar a inventar defesas semana a semana. Tem a palavra a SAD. Esperemos que esta, desta vez acerte.
O que é que Kayembe tem?
Joris Kayembe chegou, na época passada, à equipa B do Futebol Clube do Porto, vindo da Bélgica. Chegou de forma discreta e sem aviso prévio dos jornais, no último dia do mercado de verão, tendo entrado, quase de imediato no onze titular do Porto B, onde, verdade seja dita, se destacou. Kayembe, mostrou ser um extremo muito rápido e ágil, embora um pouco trapalhão, mas que, mesmo assim, foi levando as suas iniciativas avante, contribuindo com golos e assistências para a bela carreira da nossa segunda equipa na Liga de Honra.
Este destaque valeu-lhe a honra de ser um dos quatro jogadores da equipa B a jogar pela equipa em jogos oficiais, tendo jogado na vergonhosa derrota em Olhão, já perto do final do campeonato. Tozé, Mikel e Victor Garcia (a propósito, não joga porquê?), foram os outros felizes contemplados. E quem melhor que Luís Castro para perceber quais do atletas da equipa B tinham lugar na equipa principal?
Por isto tudo, e por ter sido um dos escolhidos por Lopetegui para fazer a pré-temporada com a equipa principal, era expectável que Kayembe se destacasse como uma das vedetas do Porto B. Sucede que, esta temporada, o atleta belga tem sido consistentemente utilizado como lateral esquerdo. Se tal já tinha ocorrido na pré-temporada na equipa principal, mas apenas por falta de alternativa a Alex Sandro, na equipa B não faz qualquer sentido, quando existe Rafa, um jogador extraordinariamente promissor, que poucas ou nenhumas oportunidades tem tido de jogar, uma vez que está tapado por um atleta a jogar fora de posição e com claros, e compreensíveis, problemas a nível defensivo.
O porquê disto estar a acontecer, não sei. Talvez Luís Castro possa saber...
Nota: numa decisão não comunicada aos assinantes, a Cabovisão retirou, repentinamente, o Porto Canal da sua grelha de canais. Pode não ter nada a ver, mas fica a questão: quem foi o único patrocinador que Mário Figueiredo conseguiu para a Liga, no seu mandato?