Carta aberta aos verdadeiros Portistas
Sim, tu, é mesmo a ti que eu estou a escrever. Se amas o Porto, se sentes o Porto, tu és um verdadeiro Portista e és tu o destinatário deste texto que escrevo. Porque, o Portismo não se mede, não se pesa. O Portismo sente-se e, que eu saiba os campeonatos que interessam são o de futebol, o de hóquei, o de andebol e o de basquetebol e não o do Portismo. Não há prémio para o maior Portista do Mundo e, nenhum Portista tem o direito de julgar o Portismo dos outros. Porque o Portismo sente-se e, andar nos cafés, no estádio ou na internet a julgar e a quantificar o Portismo de outrém, é relegar esse nobre sentimento para o nível de uma infantil medição de pilinhas.
O que tu, verdadeiro Portista, tens de perceber e aceitar é que há inúmeras formas de viver o Portismo. Há aqueles que estão calados e há os que não se calam. Há quem nunca se levante e há quem nunca se sente. Há quem prefira ir ao estádio e há quem prefira ficar sentado no sofá de casa, a ver. Enquanto não prejudicares o Porto, tu serás sempre um verdadeiro Portista. Há quem viva o Porto, no Porto, ou no Algarve, em Gaia, ou em Paris, em Matosinhos ou no Brasil. E todos são verdadeiros Portistas. Porque cada verdadeiro Portista sente o Porto à sua maneira. Não há regras, não há estatutos, não há leis que regulem o Portismo e, portanto, enquanto tu fizeres o que podes pelo Porto, não podes tolerar que te acusem de não seres um verdadeiro Portista, ou até um infiltrado. Isso, verdadeiro Portista, é conversa de quem não tem argumentos, é conversa de quem não é cego mas também não quer ver e é conversa de quem se acha superior aos outros. Porque, verdadeiro Portista, tu és tão Portista na vitória como na derrota, na alegria como na tristeza. E isso é que importa.
Portanto, verdadeiro Portista, nunca te acanhes. Não te cales quando achares que a equipa joga mal, que o treinador errou, que a SAD meteu água ou que a relva apresenta uma tonalidade diferente do normal. Desde que o faças construtivamente, educadamente e de forma justificada, o Porto só tem a ganhar com o teu contributo. Porque só com massa crítica, só com o contributo de todos os verdadeiros Portistas, só com a tua ajuda é que o melhor Clube do Mundo manterá esse estatuto. Não cedas a pressões, não ignores, não comas e cales, não assobies para o lado. Manifesta-te. Mesmo que isso custe. Porque, como diz o nosso Presidente Pinto da Costa, teremos de lutar "contra tudo, contra todos e (principalmente) contra os tolos".
Força verdadeiro Portista.
Um abraço,
De outro verdadeiro Portista
Um Grande portista
O espectacular mundo que é a bluegosfera, onde se incluem blogs, fóruns, sites ou páginas de Facebook relacionados com o Futebol Clube do Porto, e onde a informação corre bem mais depressa do que na Comunicação Social, por muito que isso custe a muita gente, já me tinha mostrado que havia um pequeno grande adepto do nosso querido clube, que merece destaque.
De facto, já tinha ouvido falar de um muito jovem adepto do Porto que, nas várias bancadas, do Dragão, do Dragãozinho ou do Estádio Jorge Sampaio, em Gaia, faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas, sozinho. O menino, por sua iniciativa, passa o jogo todo a cantar pelo Porto, incentivando os atletas. Sozinho, sem ninguém puxar por ele.
No passado sábado, de má memória em termos de futebol, dirigi-me, antes da dita tragédia, ao pavilhão Dragão Caixa, para assistir ao Porto-Valdagno, a contar para a Liga dos Campeões. Verifiquei que, não raras vezes, apenas se ouvia a voz de criança de um menino que, incessantemente cantava pelo Porto, mesmo quando estivemos a perder...
O menino fazia-se acompanhar de uma senhora, que creio ser sua mãe e vestia uma enorme camisola com o nome e o número de Diego Reyes, que, segundo sei, lhe terá sido oferecida pelo próprio atleta após um jogo da equipa B. Isto também importa relevar, uma vez que é sinal que ainda há jogadores que reconhecem a importância dos adeptos.
Este menino, de quem eu nada sei, é um grande portista. É com jovens adeptos destes que o Futebol Clube do Porto continuará a ser um grande clube. É de portistas como este, que apoiam incessantemente, de forma desinteressada e que vivem para isso e não disso, que o FCP necessita.
Vem isto a propósito do que se passou nas bancadas no Porto-Sporting. É um facto que, em Portugal, têm de ser as equipas a puxar pelos adeptos e não o contrário. No entanto, num estádio onde um indivíduo que se levanta para cantar o hino na central é visto como uma aberração e onde a principal claque, com algumas gloriosas excepções e umas quantas assobiadelas, primou pelo silêncio, (a bancada jovem serviu para quê, mesmo?), seria bom que o clube desse visibilidade, caso os pais o permitam, a este jovem adepto. Muita gente haveria deixar de ser azul, para ficar roxa, de vergonha.
A propósito de adeptos portistas, um outro jovem adepto, embora não tão jovem como o anterior, tratou o Correio da Manhã e o seu canal de televisão, como estes merecem.
Pena tenho eu que, o Futebol Clube do Porto já não siga estas tão boas práticas, de ignorar e desprezar quem se faz valer de uma licença de órgão de comunicação para por em prática uma agenda cada vez menos escondida que visa atacar, destruir e espezinhar quem não cai, ou não pode cair nas graças de quem dirige esses pasquins.
Pipoqueiros 2 - O Regresso
Em Dezembro de 2013, foi publicado, aqui, no Mística, um post sobre uma sub-espécie de portistas que nasceu com a mudança das Antas para o Dragão, os pipoqueiros, adeptos comodistas, que julgam que um jogo de futebol é semelhantes a um filme ou a uma peça de teatro e que, como tal, se sentem no direito de exigir, constantemente, grandes exibições. Esta sub-espécie de "portistas", que pensa que o hino do Futebol Clube do Porto é "Os Filhos do Dragão", arroga-se ao direito de, constantemente, assobiar, insultar e vaiar os jogadores do clube que, supostamente, apoiam, quando as coisas correm mal. De há muitos anos para cá que isto é assim e é muito, muito triste.
Sucede que, para esta temporada, os pipoqueiros fizeram como o clube e trataram de reforçar as suas fileiras. Os "reforços" caracterizam-se por também assobiarem quando as coisas correm bem, mas o futebol praticado não é bonito. Estes pipoqueiros devem ser tratados como "catedráticos do assobio", uma vez que exigem "nota artística" em todos os jogos. No jogo de apresentação, um amigável, contra uma equipa muito mais rotinada e avançada na preparação, assobiaram. Contra o Marítimo, mesmo estando a ganhar, assobiaram a equipa após uma sucessão de maus passes. E contra o Lille, repetiram a gracinha e ainda se deram ao luxo de assobiar o treinador Lopetegui por preferir substituir Casemiro por Ricardo, ficando Quaresma sem jogar um minuto, sequer.
Estes pipoqueiros são, também, indivíduos cheios de qualidade e de uma infinita fiabilidade. São perfeitos, nunca erraram. Na escola tiraram sempre 20 a todas as disciplinas, até mesmo quando as notas eram de 1 a 5. Nunca cometeram um lapso em toda a sua vida. Nunca cometeram um lapso, nunca de distraíram, nada. São brilhantes. Só assim têm legitimidade para assobiar mal se comete um pequeno erro, que é o que tem sucedido. Ou então são estúpidos, o que é bem mais provável.
Meus caros pipqueiros, façam um favor ao Futebol Clube do Porto: fiquem em casa, com o traseiro bem alapado no sofá. Não vão ao estádio. Poupam no bilhete do metro ou na gasolina, não prejudicam a equipa e não incomodam os demais adeptos. Ou então, sei lá, assim na loucura, comecem a frequentar os jogos dos nossos rivais. E aí, pá, assobiem à vontade. A sério.