Bater no fundo

A expressão "bater no fundo" entrou no léxico dos portistas quando Pinto da Costa a usou para descrever o estado a que o Futebol Clube do Porto havia chegado após perder em casa com o Tondela. Daí para cá, o Porto ainda perdeu a final da taça de Portugal, trabalhou mal na pré-temporada, foi eliminado da taça de Portugal e da taça da Liga, embora aqui tenha sido o futebol português a bater no fundo, e está a 6 pontos do primeiro lugar. Na última AG, questionado sobre se não nos continuávamos a afundar depois de "batermos no fundo", Pinto da Costa referiu que isso acontecia porque, para si, o fundo do Porto era muito alto. Foi das coisas mais inteligentes que o nosso Presidente disse nos últimos anos.

Hoje, o Futebol Clube do Porto conseguiu enterrar-se um pouco mais. Hoje batemos no fundo de novo. Se o Tondela nos fez bater no fundo desportivamente, hoje o clube enterrou-se na lama ao nível da moral e da decência.

Foram públicos os actos de vandalismo na madrugada do último domingo em imóveis ligados a Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, Adelino Caldeira, vice-presidente do Clube e administrador da SAD e Alexandre Pinto da Costa, filho do Presidente, comissionista de profissão e com um passado de negócios com o Benfica. Concorde-se, ou não, com as mensagens escritas, aquilo não deixou de ser um acto de vandalismo que, com certeza terá sido denunciado às autoridades. No entanto, isto não dá direito ao clube para ter o comportamento deprimente que hoje teve nas redes sociais. Para quem não viu, o clube publicou o vídeo da câmara de segurança do escritório de Adelino Caldeira que mostra um indivíduo de cara tapada a escrever na parede do edifício frases contra a direcção do Porto. Ao mesmo tempo, e num comportamento digno de um qualquer regime ditatorial, acusou o dito indivíduo de não ser portista. Eu sinceramente, não faço a mínima ideia do clube do "escritor de paredes". Não o conheço, não sei quem é e, como tal, não me sinto capaz de fazer esse julgamento. Para piorar, o referido post acusa o indivíduo de estar a fazer isto para dividir os portistas.

Ora, ou o clube tem conhecimento de informações que não divulgou, ou isto não passa de uma sessão de lançamento de areia para os olhos. O que é triste. Os dirigentes do Futebol Clube do Porto insistem em tentar manipular a opinião dos seus adeptos. O Futebol Clube do Porto pertence aos sócios, não é uma monarquia nem um negócio familiar, e os seus sócios têm o direito de ser tratados com todo o respeito e elevação e não como burros a quem se dá a palha que se quer para comer. Qual seria a lógica de um adepto rival querer mudar as coisas no Porto? Porque não deixar esta ruinosa gestão desportiva e financeira continuar? Por acaso algum portista fez alguma coisa para desestabilizar as gestões de Manuel Damásio, Vale e Azevedo ou Godinho Lopes? Claro que não. Para quê travar a decadência de Benfica e Sporting? Se esses clubes se estavam a matar, fomos lá salvá-los, ou ficamos a assistir deliciados?

Já agora, acusar o vândalo dos desenhos de querer dividir os adeptos do Porto é, também, um perfeito disparate. Já se percebeu que os dirigentes do Porto querem unanimismos, querem o mínimo de ruído e contestação para não serem julgados mas, o único portista que recentemente divid


iu os adeptos foi Jorge Nuno Pinto da Costa quando distinguiu os "verdadeiros portistas", os das claques, dos outros.

Que o clube repudie estes actos de vandalismo, estou de acordo. Infelizmente preferiu-se atacar o mensageiro e não a mensagem. Até lá, o clube assobia para o lado e ninguém se responsabiliza pelo negócio Depoitre e por se ter contratado Nuno, que ainda deve andar a festejar o facto de não termos sofrido golos contra o poderoso Paços de Ferreira, bem como ninguém explica a debandada de quadros de topo do clube nem o que anda Alexandre Pinto da Costa realmente a fazer no clube.

O que fica evidente é que os nossos dirigentes andam pouco confortáveis com a crescente onda de contestação. Anda alguém com o rabo bem trilhado e, como se costuma dizer, quem tem cu tem medo. De qualquer forma, e mesmo que esta conversa sobre traseiros o propicie, por uma questão de boa educação, vou coibir-me de comparar a actual gestão do Futebol Clube do Porto com fezes. Valha-nos a inteligência dos portistas a criticar esta trapalhada toda. Por alguma razão Goebbelsiana os comentário ao vídeo no Youtube foram desactivados.


O Pai do Alexandre

Eu sou do tempo em que quando o Presidente do Futebol Clube do Porto falava, o país abanava. Ninguém ficava indiferente às palavras de Pinto da Costa. Ninguém. Pinto da Costa atacava indiscriminadamente quem ousasse beliscar o Porto. Os inimigos do Porto eram seus inimigos. E quem se metia com Pinto da Costa e o Futebol Clube do Porto estava, normalmente, tramado. Quem tiver memória lembra-se de como indivíduos como Luís Filipe Vieira, Dias da Cunha, João Malheiro, Sousa Cintra, Valentim Loureiro e o seu filho João ou Pimenta Machado foram ridicularizados por Pinto da Costa.

Era um tempo em que Pinto da Costa punha o clube à frente de tudo e de todos. Há um dirigente do Porto que é administrador da Cofina? Rua com ele. Há um Dragão de Ouro que se torna empresário de jogadores e é muito próximo do Benfica? Torna-se persona non grata. Esse empresário arrasta o filho do Presidente com ele? Corta-se relações com o próprio filho. Nada mais simples.

Hoje, Pinto da Costa mudou radicalmente. Se antes Pinto da Costa se batia pelos seus até à exaustão, actualmente não se importa de ridicularizar publicamente um atleta do clube, Adrian Lopez, para se salvaguardar do disparate que fez ao contratá-lo. Diz Pinto da Costa que o contratou porque Jorge Mendes e Lopetegui fizeram de Adrian Lopez um novo Maradona e que investiu 11,6 milhões de euros porque Mendes lhe prometeu que se a aposta fosse falhada o Porto recuperava o investimento. E o departamento de scouting, que disse de Adrian Lopez? Não foi ouvido? E que presidente é este que mete 12 milhões de euros nas mãos de um empresário? O único culpado pelo falhanço da contratação de Adrian, para além do próprio, que não mostrou cá um décimo do que fez em Espanha é o próprio Pinto da Costa, que foi comido de cebolada e ainda se faz de vítima.

Hoje, Pinto da Costa é mais o pai do Alexandre do que o Presidente do Futebol Clube do Porto. Hoje o Presidente do Futebol Clube do Porto preocupa-se mais em defender os interesses do filho do que os do clube. Em todas as entrevistas, quando o tema é abordado ainda que ao de leve, Pinto da Costa veste a capa de justiceiro e defende o filho até à exaustão. Defende mais o filho do que o clube, clube do qual é presidente e é nessa qualidade que é entrevistado. Pinto da Costa não se cansa de referir que não tem culpa que o filho seja agente de atletas (a propósito, alguém reparou que Alexandre, o injustiçado, desapareceu da página da Energy Soccer?). Mas foi na condição de agente de atletas, e associado de José Veiga que Alexandre, o mal-amado, levou Drulovic, João Manuel Pinto e Feher do Porto para o Benfica e foi na qualidade de agente de atletas que Alexandre, o homem de bom coração que arranja emprego ao pai de um atleta, festejou um campeonato do Benfica no Bessa em 2005? Entretanto, Alexandre, o desgraçado, lá vai fazendo as suas negociatas, enchendo os bolsos à custa do clube, recebendo comissões ilícitas e para o pai de Alexandre, o empreendedor, está tudo bem. Pergunto eu, e para o presidente do Futebol Clube do Porto está tudo bem? E para o sócio e adepto Jorge Nuno Pinto da Costa?

Por fim, e a propósito da entrevista de ontem ao JN, mais dois assuntos. Primeiro, Pinto da Costa referiu-se aos membros das claques, como os verdadeiros portistas. Em primeiro lugar eu não sou membro de nenhuma claque, mas, pelo menos, não me engano no nome delas, e não admito a ninguém, nem a Pinto da Costa que classifique o meu portismo. Em segundo lugar, que eu saiba Pinto da Costa nunca pertenceu a nenhuma claque... Segundo, Pinto da Costa voltou a referir o provedor do sócio, dizendo que está disponível para atender os associados. Pena é que eu envie um e-mail em agosto com um conjunto de sugestões e receba a resposta três (!) meses depois com um "obrigado, vamos analisar". Fica a questão, quando Alexandre, o orgulhoso associado, tem algum problema com o clube, dirige-se ao provedor e fica três meses à espera ou vai directamente ao pai, como faz quando quer comprar acções da SAD?

Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa - revisited


Num dos meus primeiros posts aqui no Mística do Dragão, em novembro de 2013, escrevi sobre o nosso Presidente, Pinto da Costa. Na altura, Jorge Nuno Pinto da Costa passava um momento complicado com um grave problema de saúde e, ignorando que se estava a falar de um ser humano, em Lisboa já se preparava o espumante para festejar uma eventual morte do Presidente do Futebol Clube do Porto.

Na altura, como poderão ler, teci os maiores elogios a Pinto da Costa. Elogios que mantenho. Não sou ingrato, e sei que se o Porto é enorme e não apenas grande, o deve a Pinto da Costa. Se o Porto é, ou foi, temido por tudo e todos deve-o a Pinto da Costa. Se hoje achamos inconcebível ir em quarto lugar é a Pinto da Costa que o devemos. Pinto da Costa ficará na história do clube e do futebol mundial como um dirigente ímpar.

Pinto da Costa é humano e como qualquer humano, erra. E até era conhecido por errar menos que os outros. Vai daí que o erro deve ser tolerado e a Pinto da Costa mais tolerado ainda.

Mas, a realidade, é que não é o passado que vai apagar o presente e não são os inúmeros sucessos passados que vão compensar o terrível presente. Neste momento, criticar a gestão do Futebol Clube do Porto e Pinto de Costa não é um acto de ingratidão, não é um acto de sobranceria ou de desprezo por quem tanto nos deu. É um acto de valoroso e corajoso portismo, e também de decência, porque nem mesmo o mais fervoroso dos "pintistas" conseguirá ver pontos positivos na gestão dos últimos anos, que deixou o clube sem títulos e sem dinheiro, mas com dívidas e vergonha.

A verdade é apenas uma a gestão do Futebol Clube do Porto tem sido tenebrosa e se, no passado, podíamos comparar a gestão de Pinto da Costa às dos melhores dirigentes da história, como Santiago Bernabeu, e não ficar a perder, hoje Pinto da Costa é capaz de bater facilmente o recorde de maior prejuízo de uma SAD em Portugal, que era de Godinho Lopes ou de estar prestes a igualar o maior período de seca de títulos do Benfica, na gestão de Luís Filipe Vieira.

Hoje, Pinto da Costa é um Presidente bem diferente do que já foi. Um Presidente que era o primeiro a dar o peito às balas para defender os seus, hoje esconde-se nos maus momentos, abandona a equipa e o treinador à tradicional chuva de ataques vis vinda de Lisboa e a única defesa que faz dos seus é arranjar emprego à família inteira em entidades do Grupo FC Porto. De um Presidente que assumia a si as responsabilidades vemos hoje um Presidente a tentar escapar-se como pode das críticas e incapaz de fazer auto-crítica. De um Presidente que ia a qualquer canal dominar uma entrevista e constipava Lisboa inteira com um simples espirro, passamos a um Presidente que apenas dá entrevistas em ambiente controlado, ao Porto Canal. De um Presidente que empolgava os sócios e adeptos portistas com meia dúzia de palavras passamos a um Presidente amorfo, que consegue ser o sócio menos aplaudido de uma Assembleia-Geral e cujas suas únicas intervenções relevantes foram apelidar de cobarde um sócio ausente e de pouco inteligentes todas as intervenções de consócios onde existiram críticas à gestão do clube e da SAD. De um Presidente confiável, de palavra honrada para com os sócios, passamos a um Presidente que falta à verdade frequentemente para esses mesmos associados. De facto, depois de ter prometido que nunca mais contataria uma jogador que não conhecia, por causa do fracasso Campaña, contratou mais um jogador que não conhecia, como o próprio o afirmou. Chama-se Depoitre. Prometeu Rafa no plantel principal, mas esqueceu-se de dizer que era no do Rio Ave. Prometeu uma pré-época mais longa que o normal para ser bem preparada e contratou 3 ou 4 atletas na última semana do mercado. De um Presidente que era o melhor vendedor do Mundo passamos a um Presidente que se gaba de recusar 30 milhões por Hector Herrera.

Pinto da Costa ficará para sempre na história do Futebol Clube do Porto pelos melhores motivos. Foi um enorme presidente, sem igual. Só espero que também não fique pelos piores, como o Presidente que vendeu a SAD a um multimilionário, o Presidente que faliu o Clube ou o Presidente que nos conduziu a um deserto de títulos. Para deserto já basta o de golos.

Hoje, Pinto da Costa não faz parte da solução dos problemas do Porto. Ele é o problema. E não ver isto não é ser ingrato, não é ter memória curta. É apenas não ser como um árbitro de cada vez que um jogador do Porto cai na área. Cego.

O prejuízo da (falta de) vergonha

A SAD do Futebol Clube do Porto apresentou hoje as contas da época 2015/16. Estas destacam-se por um prejuízo nunca antes visto de 58 milhões. E por prejuízo nunca antes visto, falo de algo que nunca ocorreu no futebol português. Sim, nem Godinho Lopes conseguiu fazer tão mal e mesmo assim foi escorraçado do lugar que ocupava.

E quando o Porto apresenta umas contas piores que as da direcção de Godinho Lopes, só podemos estar a falar de insanidade, irresponsabilidade, inconsciência. E isto para não apelidar esta gestão de danosa.

Vamos a factos, um prejuízo de 58 milhões é mau. Um prejuízo de 58 numa sociedade que, decorrente da sua actividade normal apenas teve rendimentos de 76 milhões, é péssimo. Significa que a actividade normal do clube é extremamente deficitária e, nem sequer chega para cobrir os custos da sua actividade normal, de cerca de 124 milhões de euros. E ainda faltam aqui juros, impostos, etc. Em qualquer sociedade normal, este números seriam suficientes para a empresa entrar em bancarrota e para haver demissões dos responsáveis. No Futebol Clube do Porto, assobia-se para o lado e diz-se que o prejuízo foi calculado. Agora, tentem ler isto sem se rirem: "a SAD do Porto apresentou um prejuízo maior do que aqueles apresentados pelo Sporting de Godinho Lopes e ainda diz que o fez de propósito". Impossível, não é?


Mas todos nós sabíamos da extraordinária dependência das mais-valias. Todos sabíamos do fair-play financeiro, que não foi cumprido. Os administradores da SAD, têm a obrigação de o saber melhor que nós. Sabendo disto, a SAD optou por investir 75 milhões de euros em passes de atletas (comissões incluídas). Das duas uma, ou os administradores são burros, ou fazem de propósito. Impossível é justificar isto.

 Mas há mais, os salários continuam a aumentar. Os gastos com o pessoal ascenderam a 75 milhões de euros. Isto significa que cada ponto conquistado no campeonato custou mais de um milhão de euros. Fabuloso. Depois, somos surpreendidos com negócios com o São Paulo. Se já sabíamos que havíamos vendido Maicon, ficamos a saber que o negócio se fez por 12 milhões de euros. Também sabíamos que, no negócio, havia sido incluído Inácio, um jovem defesa esquerdo, que, segundo o relatório & contas custou 3 milhões por 50% do passe. Se não efetuámos mais nenhum negócio com o São Paulo e na época anterior não devíamos um tostão ao clube brasileiro, como é que devemos 6 milhões?

Enfim, João Pinto disse um dia que "estava à beira do precipício e tomou a decisão correta, dando um passo em frente". Já os administradores da SAD, talvez inspirados pelo regresso do Dragon Ball, estavam à beira do precipício e resolveram saltar, talvez esperando que aparecesse a nuvem mágica. Não apareceu, mas eles acham que sim. Brevemente deve haver uma Assembleia-Geral para votar as contas e o orçamento do clube. Está na altura dos sócios se fazerem ouvir.

Provedor do sócio - para que serve?

Numa das entrevistas que o Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa deu ao Porto Canal, anunciou a lista com que se apresentou às eleições do pretérito mês de abril. Nessa entrevista, Pinto da Costa referiu que teve que fazer cortes nessa mesma equipa, uma vez que com a aprovação da última versão dos estatutos do clube foi forçado a reduzir o número de vice-presidentes e directores. No entanto, o Presidente deixou extremamente claro que, mesmo assim, tinha criado um novo pelouro, o de Provedor do sócio, atribuindo a Rodrigo Pinto de Barros uma das direcções do clube, por esse motivo. Na altura, Pinto da Costa defendeu a decisão de criar o provedor do sócio porque sentia que os sócios eram tratados como clientes e que, como tal, esta figura do Provedor seria útil para esbater essa sensação, que, a meu ver, existe de facto.

Posteriormente, a figura do Provedor foi apresentada nos canais de comunicação online do clube. Os seus contactos, a sua missão e as suas tarefas estão disponíveis no site do clube.

Neste sentido, eu, enquanto sócio do Futebol Clube do Porto enviei no passado dia 18 de agosto, um e-mail dirigido ao Provedor, elencando algumas situações que creio que seria importante modificar para melhorar a experiência de ser sócio do Porto e aproximar o clube dos seus associados. Desde essa data, a única resposta que recebi foi uma resposta automática a agradecer o envio da mensagem e... nada mais. Aguardo há um mês uma resposta. Há um mês que espero sentado por uma resposta. Mas nada, um profundo silêncio. Eu preferia receber uma resposta a dizer que eu apenas escrevi barbaridades a este silêncio. Como poderão ler abaixo, na transcrição do e-mail, fui educado, correcto e cordial. Não fui sarcástico, irónico e mordaz, muito menos mal educado ou arrogante. Fica a questão: é assim que o clube quer que os sócios não se sintam tratados como clientes?

Exmo. Sr. Provedor do Sócio do Futebol Clube do Porto,

Antes de mais, apresento-me, chamo-me João Ferreira e sou o sócio XXX do Futebol Clube do Porto. Se bem me recordo, numa das entrevistas que o Presidente Pinto da Costa deu ao Porto Canal, na qual anunciou a recandidatura, manifestou o desejo da criação da figura do provedor do sócio, uma vez que lhe tinha constado que os sócios do Futebol Clube do Porto eram tratados, e cito, "como clientes".

Eu vou um pouco mais longe, os sócios do Futebol Clube do Porto não são tratados como clientes, são maltratados como clientes. O clube não informa ou informa mal, os seus funcionários não sabem esclarecer dúvidas e o atendimento nas lojas (excluindo a parte de venda de produtos) é lento e digno de uma qualquer repartição de finanças nos anos 90.

Para exemplificar, indico algumas situações que me aconteceram ainda recentemente. Este ano, eu e um conjunto de amigos, que possuíamos lugares anuais separados, procuramos juntar-nos. Dado a elevada procura para o sector que pretendíamos, fomos informados que o melhor seria esperar pelo fim das renovações dos lugares para trocarmos. Assim o fizemos e, felizmente temos lugares que nos satisfazem. Sucede que houve três adiamentos na data em que os lugares não renovados iam ser desbloqueados e para conseguir saber a data exacta e organizar a minha vida foi necessário recorrer a um amigo de um amigo que conhece alguém dentro do clube. Se calhar, sem essa informação, continuaríamos separados. Mais, na pretérita segunda-feira, dirigi-me à loja do Norteshopping para pagar quotas. A fila era grande, nomeadamente por causa dos bilhetes para o jogo com a Roma, mas em meia-hora não avancei na fila. Isto porque a única fila para bilhetes, quotas e demais serviços estava ocupada com um senhor que protestava porque o débito directo das quotas não funcionava e, como tal, não podia comprar bilhetes por ter quotas em atraso. Na caixa ao lado, para venda de merchandising, um jovem estava desalentado porque queria estampar o nome do atleta André Silva na camisola acabada de comprar e as letras R, S e V estavam esgotadas. Em pleno início de temporada, isto é admissível? Obviamente que ao fim de tanto tempo na fila, desisti e fui para casa.

Por outro lado, e a propósito da venda de bilhetes, ela continua a ser um problema. A venda ilegal de bilhetes nas imediações do estádio mantém-se e não se vê qualquer acção do clube no sentido de a evitar. Estou cansado de ser acossado por indivíduos, e são sempre os mesmos a perguntar se tenho bilhete e, inclusivamente a tentarem que eu não me dirija às bilheteiras e lho compre a eles. Tem anos esta situação. Também já me aconteceu num jogo com bilhetes a 4 euros, não haver multibanco nem moedas de 1€ para dar troco. Ou um colaborador do clube anunciar numa página de facebook que determinados bilhetes para um jogo fora estão à venda e não estarem, etc.

Peço-lhe, Sr. Provedor, que entenda este e-mail como uma crítica construtiva. Espero que o Sr. seja capaz de corrigir estas gigantescas lacunas. Não será fácil, reconheço, mas quero acreditar que será possível.

Com os melhores cumprimentos,

João Ferreira

Depoitre já conhece a famosa estrutura do Porto

Quem, como eu, nasceu nos anos 80, cresceu a ouvir falar na famosa estrutura do Futebol Clube do Porto. A estrutura era uma entidade que incluía todo o staff do clube, desde os olheiros ao departamento legal passando pelo departamento médico e que era encabeçada pelo Presidente Pinto da Costa e que permitia estar sempre um passo à frente da concorrência. Quando as coisas corriam mal, para o portista resolviam-se de forma simples, bastava confiar na estrutura. E, mais tarde ou mais cedo elas resolviam-se. E, como se confirmou, todas as críticas que se faziam a estrutura eram manifestamente exageradas. Foi graças à estrutura que o Porto se livrou de ser suspenso da participação da Champions League, foi graças à estrutura que o Porto se reergueu depois de ter sido severamente ferido por gente da estirpe de Octávio Machado e foi graças à estrutura que o Porto superou o "Estoril Gate" ou o túnel da Luz e voltou ainda mais forte.

Infelizmente, ninguém é eterno e Pinto da Costa, fruto da idade e dos problemas de saúde que o atacaram já não terá a pujança física para gerir o Futebol Clube do Porto como o fazia há uns anos. E isso, não devia, mas está intrinsecamente ligado ao desabamento da estrutura. De facto, à ruinosa gestão financeira que a SAD trouxe para o reino do Dragão, juntou-se nos últimos anos uma péssima gestão desportiva que culminou em três anos de seca. E, pior do que tudo, juntou-se agora a incompetência grosseira, o auto-enxovalho, a derradeira humilhação. O Porto, numa demonstração de um amadorismo indigno de quase 123 anos de história, conseguiu inscrever no playoff da Champions League um atleta, o reforço Depoitre, contratado no limite do prazo de inscrições para a eliminatória com a Roma, que não pode jogar por já ter participado em pré-eliminatórias pelo anterior clube. Brilhante.

Os dirigentes serão, mais ou menos os mesmos de há vários anos para cá. E isto deixa duas hipóteses, ou a estrutura era Pinto da Costa e os restantes elementos já eram incompetentes, ou tornaram-se incompetentes "do nada". De uma forma ou de outra, são todos pagos a peso de ouro para fazerem disparates. Fica a pergunta: o que é que ainda lá estão a fazer?

Obviamente que os adeptos e sócios do Futebol Clube do Porto mereciam um esclarecimento oficial. Mas provavelmente amanhã o Dragões Diário preferirá indicar mais uns links do youtube do que informar os portistas.

40 milhões de impostos

Na entrevista de segunda-feira passada ao Porto Canal, o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa declarou que o clube, no ano de 2015 pagou cerca de 40 milhões de impostos e, de acordo com os dados publicados hoje num comunicado no site do clube, não mentiu. O Porto efectivamente teve de transferir para os cofres do Estado exactamente 40.907.899,99 euros, distribuídos da seguinte forma:

IRS: 28.344.438,54 euros
IRC (Pagamento Especial por Conta): 151.977,57
IRC (Pagamento por Conta): 37.710.00
IRC (Autoliquidação): 1.283.385,90
Segurança Social empresa: 5.682.362,67
Segurança Social trabalhador: 2.159.005,67
IVA: 3.249.019,64 (saldo entre IVA liquidado e IVA dedutível, logo encargo fiscal do FC Porto)

O referido comunicado surgiu em resposta a um pertinente comentário do ex-administrador Angelino Ferreira que dizia que parte substancial desses impostos eram pagos em substituição de terceiros e que, portanto, não eram custo do clube. E, pasme-se, também não mentiu.

A única coisa errada nisto tudo são as esfarrapadas desculpas inscritas no comunicado para atacar os comentários de Angelino Ferreira. Vejamos, o Porto efectivamente pagou os 40 milhões. Pinto da Costa falou a verdade. O dinheiro saiu dos cofres do clube e entrou nos do Estado. Facto. Mas a verdade é que, muitos desses impostos eram devidos por terceiros e, nalguns, o Porto até os cobra a terceiros para os posteriormente entregar ao Estado.

Vamos por partes: a maior fatia do bolo é o IRS. Arroga-se quem escreveu o comunicado de dizer que o IRS é custo do clube. Independentemente da desculpa dada, não cabe na cabeça de ninguém assumir que um imposto que se chama Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares incida sobre uma pessoa colectiva. Se o Porto opta por assumir o risco de variações fiscais ao garantir um rendimento líquido aos seus colaboradores, o problema é seu. Não é por isso que o imposto passa a incidir sobre o clube. O mesmo para a Segurança Social da parte do trabalhador.

Relativamente ao IVA a desculpa é ainda mais esfarrapada. O IVA, como Angelino Ferreira bem disse é um imposto neutro para as empresas. No fundo, e de forma simplificada, as empresas têm direito a recuperar o IVA que pagam a terceiros e têm de entregar o IVA que cobram aos seus clientes. No fundo, o IVA que o Porto entrega ao Estado é aquele IVA que nós, humildes adeptos e sócios pagamos de cada vez que adquirimos um bilhete ou um produto nas lojas do clube, ou que os patrocinadores pagam ao Porto de cada que o clube lhes factura os patrocínios. Há apenas duas excepções genéricas a esta regra: as entidades sem fins lucrativos, caso do clube, não podem recuperar o IVA que pagam aos seus fornecedores, mas todos sabemos que o grosso do imposto se deve à actividade da SAD, e há alguns encargos cujo IVA também não é recuperável. Para além da gasolina, incluem-se aqui os bens de luxo, como viaturas ligeiras de passageiros, tabaco, álcool, barcos ou aviões, etc. Se porventura alguém no Porto considera que anda a suportar muito IVA, talvez seja boa ideia rever a forma como anda a gastar o dinheiro.

Ou seja, e resumidamente, embora o Porto entregue efectivamente muito dinheiro ao Estado, como disse Pinto da Costa, a maior parte não é um encargo seu, mas sim de terceiros, como afirmou Angelino Ferreira. No fundo, o que era desejável era que o Porto se deixasse de discussões imbecis e estéreis e se preocupasse com os verdadeiros inimigos do clube, que não são os sócios nem os seus adeptos.

Por fim, deixo uma dica, quando o clube se desejar queixar dos impostos que paga, eu deixo aqui um conjunto deles que foram ignorados no comunicado (o montante será necessariamente menor, mas são efectivamente gasto do clube), e que, em grande parte incidirão sobre o clube e a SAD: Imposto do selo, IMI, Imposto Único de Circulação ou imposto sobre os produtos petrolíferos. Para que da próxima o trabalho seja melhor feito.

Democracia eleitoral

Decorreu ontem mais um acto eleitoral do Futebol Clube do Porto. A lista única foi, obviamente, legitimada nas urnas, num acto eleitoral que decorreu de forma ordeira. No entanto, há alguns factos que merecem destaque.

Desde logo, o resultado. Pinto da Costa teve a votação mais baixa desde que foi eleito pela primeira vez, em 1982. Pelo meio, mesmo em eleições com adversários, conseguiu mais que os 79% de ontem. Sintomático do momento em que o clube vive. E que ninguém se acredite na patranha dos votos com mensagens de apoio que serviu de justificação para a elevada percentagem de votos nulos. Se nas anteriores eleições, que decorreram nos mesmos moldes, Pinto da Costa ganhou com 99% dos votos, ninguém se acredita que houve assim tantos sócios que ficaram burros de repente e se puseram a escrever mensagens de apoio, sem saber que isso inutilizava o voto.

Ao fundo uma das mesas onde os sócios podiam decidir o seu voto @OJogo
Depois, a tremenda falta de democracia que marcou todo o acto eleitoral, embora não inviabilize a legitimidade do mesmo. Desde logo, o regulamento eleitoral e os estatutos do clube foram violados durante o dia todo. O voto não foi secreto. Não havia um local resguardado onde os sócios votantes pudessem tomar a sua decisão tranquilamente. Quem não quisesse votar na lista única era forçado a riscar o boletim de voto numas reles mesas de café à vista de toda a gente. Imagine-se que, alguém mal intencionado resolvia "marcar" quem tomasse determinada decisão de voto, fosse votar na lista de Pinto da Costa ou nulo. Podiam ter acontecido situações lamentáveis que, felizmente, não ocorreram.

Seguidamente, tudo foi feito para que os sócios tomassem determinado sentido de voto. Desde as simpáticas e gentis meninas que convidavam os sócios a depositarem de imediato os votos na urna, representando esses boletins votos na lista única, em vez de informarem os eleitores de todas as opções disponíveis, até ao papel azul bem escuro e com brilho dos boletins que dificultou imensamente todas as tentativas de o tornar nulo, até à inexistência de canetas fornecidas pelo clube. Valeu tudo.

Mas pior ainda foi haver indivíduos, com o presidente Pinto da Costa à cabeça que optaram por passar grande parte do seu dia plantados na assembleia de voto. Em lado nenhum, num processo democrático, a assembleia de voto é um local de tertúlia e de convívio. Em países civilizados e democráticos, ninguém, muito menos pessoas das listas candidatas ficam na assembleia de voto a assistir ao processo eleitoral. Não se vê isso em eleições presidenciais, legislativas, autárquicas, referendos, etc. As pessoas votam e saem. Ponto final.

Por fim, e em mais um momento digno de uma democracia à moda da Venezuela ou da União Soviética, fomos presenteados com umas brilhantes declarações do presidente da assembleia eleitoral, Fernando Sardoeira Pinto, filho do histórico presidente da Assembleia-Geral do FC Porto, com o mesmo nome, que se deu ao luxo de alvitrar que votos com a inscrição "Acorda Porto" podiam ser considerados votos de incentivo e considerados como válidos. Isto pressupõe a possibilidade de uma afinação de votos que é vergonhosa e deixaria Hugo Chavez. A propósito, a rua em homenagem ao ditador venezuelano não devia ser na Amadora mas sim nas Antas.

Uma vergonha, a SAD é uma vergonha

Ontem aconteceu aquilo que, infelizmente, era previsível. Mais tarde ou mais cedo, este Futebol Clube do Porto haveria de ter um brutal choque com a realidade. E porquê? Porque, como aqui foi escrito, a saída de Lopetegui era necessária, essencial, mas não era milagrosa. Trocar de treinador nunca na vida iria resolver todos os problemas do Porto.

Ontem, ficou mais uma vez provado que o Porto está podre. Cheira mal. E o mau cheiro vem do camarote presidencial. Já me cansei de aqui a acusar a administração da SAD de estar a arrastar o clube para uma situação de desvario financeiro. Já me queixei inúmeras vezes dos negócios feitos para encher bolsos e não a favor dos interesses do clube. Este mercado de inverno foi mais um excelente exemplo.

De facto, saíram cinco atletas da equipa principal: Lichnovski, Cissokho, Imbula, Osvaldo e Tello. Entraram três. José Sá, Marega e Suk. O plantel foi reduzido e nenhum dos três atletas que entrou será uma mais-valia, no imediato. O criativo que era tão necessário, não veio. O central, que era tão essencial, também não veio. Todos os recursos foram despendidos a desviar reforços ao Sporting e a contratar um camião de jogadores para a equipa B e não a reforçar verdadeiramente o plantel. Roubar jogadores ao Sporting é muito divertido, deve encher o ego (e o bolso) a uns quantos dirigentes, mas não dá títulos. Ainda para mais quando os atletas que o Sporting queria contratar nem sequer aparentam uma qualidade excepcional. 

Com isto, a equipa ficou coxa. Com apenas seis defesas no plantel. Sem um grande central, com o terceiro lateral a não ter nível para o Porto, sem um criativo.

Enquanto isto, a SAD continua calada. Não fala e permite o roubo que aconteceu ontem. Não dá a cara e volta a deixar no treinador a responsabilidade de defender a equipa. Não se assume como líder e permite que o capitão de equipa faça as figurinhas tristes que fez ontem. Nem sequer há uma palavra para o adjunto do Sporting que ontem foi visitar o Rio Ave ao hotel. Nada. Os dirigentes nada fazem. Rigorosamente nada. Devem estar ocupados a contar as notas.

Para mim basta! Está na altura de se mudar alguma. Está na altura de se pedir explicações, nem que seja Fernanda Pinto da Costa a dá-las.

Um milhão, trezentas e oitenta e uma mil razões para a SAD dar a cara

Ontem, num outro post, repliquei aqui no Mística, uma história narrada por Bernardino Barros no Porto Canal. De acordo com BB, num momento de enorme constestação ao treinador Fernando Santos, Pinto da Costa saiu lado a lado com o "Engenheiro do Penta", aparecendo, dando a cara, responsabilizando-se pela sua decisão de o manter em funções. Referi também que sinto saudades dos tempos em que os nossos dirigentes não se escondiam, e que era importante que aparecessem em público numa demonstração de uma liderança firme.

Infelizmente, parecia que estava a adivinhar. Ontem, depois de mais uma paupérrima exibição, dirigi-me à saída do parque de estacionamento P1 do Estádio do Dragão. Estava às moscas - o que terá mudado desde a madrugada do último domingo? Mas mantive-me ali, na esperança de me poder insurgir contra os maus resultados da equipa. Repito, o P1 estava às moscas, éramos 20 ou 30 adeptos e havia 2 ou 3 polícias para cada adepto. Uma boa parte desses agentes da autoridade encontrava-se descontraidamente encostada ao muro do estádio, outros estavam ocupados em inspeccionar os passageiros de um autocarro de adeptos do Porto. O ambiente estava calmo, os jogadores foram saindo, debaixo de uns muito tímidos "joguem à bola" e "tenham vergonha". Tudo pacífico. Saíram, jogadores, dirigentes e funcionários do clube e da SAD. Ninguém precisou de acelerar, de buzinar, nada. Todos menos o líder, o presidente do clube e presidente do conselho de administração da SAD. Foi o único que saiu a abrir, foi o único que desrespeitou regras de trânsito, ultrapassando numa passadeira, pela direita, um carro parada nessa mesma passadeira. Só a seguir saiu o treinador, o último a abandonar o estádio, sozinho.

Apoio? Nenhum. Responsabilização? Nenhuma. Liderança? Onde ela já vai. Ordenados principescos? Com toda a certeza. Na época 2014/2015, os administradores da SAD receberam de ordenado 1.381.000 euros. Este valor só inclui remunerações. Despesas de representação, carros, telemóveis ou combustíveis não contam. E não incluem o Director-Geral da SAD, Antero Henriques, porque este nao é administrador. Eu defendo que os colaboradores do Porto sejam bem remunerados. O Porto é um clube de excelência e, sendo um clube de excelência, tem de ter colaboradores de excelência. E para os ter e os segurar, tem de lhes pagar bem. Pacífico. Mas isso traz responsabilidades. E uma administração paga a peso de ouro não pode errar tanto, não se pode esconder tanto, não pode continuar a aparecer apenas para festejar e sacudir culpas do capote.

É que, no fundo, a culpa já não é só de Lopetegui, que é incompetente. A culpa é, principalmente, de quem o mantem lá, abandonado à sua sorte. Esses sim, são os verdadeiros culpados.

SAD escondida com o rabo de fora

Na passada segunda-feira, no Porto Canal, no programa 45 Minutos à Porto, o comentador Bernardino Barros, a propósito da contestação ao treinador Julen Lopetegui, contou uma curiosa história do passado. Estávamos no início de 1999, por alturas do carnaval. O treinador, Fernando Santos, era contestado após ter feito fraca figura na fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo
eliminado. O Porto estava longe de encantar e, numa eliminatória da Taça, calhou em sorte (ou em azar), um jogo em casa frente ao Torreense, da extinta Segunda Divisão B, depois de na eliminatória anterior termos necessitado de prolongamento para derrotar o Famalicão, do mesmo escalão. Surpresa das surpresas, o Torreense ganha nas Antas por 1-0, arruma connosco da Taça, e os portistas indignam-se, protestam e pedem a demissão do treinador.

Conta Bernardino Barros que, após o jogo, e junto ao estádio, se acotovelavam imensos portistas revoltados a protestar. Ao invés de lhes dar ouvidos, Pinto da Costa segurou o treinador, que acabou por ser campeão, ficando conhecido como Engenheiro do Penta. BB, usou esta história para defender a continuidade de Julen Lopetegui, opinião comum aos demais comentadores do Porto Canal, como Cândido Costa ou José Fernando Rio.

No entanto, BB revelou um pormenor muito interessante e elucidativo sobre as mudanças no Porto dessa época, para agora. Na altura, Fernando Santos não fugiu por nenhum túnel, os adeptos não foram mantidos à distância, enquanto se manifestavam, nenhum adepto entrou nas instalações do clube para falar com os responsáveis. Não, Fernando Santos saiu pela porta do costume, fez o caminho do costume, com uma diferença, teve Jorge Nuno Pinto da Costa ao seu lado. Pinto da Costa deu uma inequívoca prova de apoio ao treinador, deu a cara por ele, assumiu a responsabilidade por uma decisão. Naquela altura, os nossos dirigentes eram corajosos, davam a cara nos maus momentos e não abandonavam a equipa e o treinador.

Já hoje em dia, assiste-se ao inverso. Os principais dirigentes escondem-se. Pinto da Costa só tem falado após vitórias. Antero Henriques anda calado há uma série de anos, ele que é o CEO da SAD. Adelino Caldeira e Reinaldo Teles, idem. E Fernando Gomes só fala nas apresentações de contas.
Hoje, Lopetegui, e não só ele, como os antecessores Vítor Pereira e Jesualdo Ferreira são atirados às feras. Aguentaram os ataques dos rivais sozinhos, (aqui André Villas-Boas também está incluído), deram o corpo às balas atiradas pela pouco independente comunicação social lisboeta, defenderam os jogadores como puderam. Os dirigentes passaram a aparecer praticamente na altura de abrir o champagne para festejar.

O Porto mudou. Aburguesou-se. Perdeu-se grande parte do espírito guerreiro, da alma do Porto, de fazer das fraquezas forças, de meter medo e de não temer ninguém, de querer sempre ganhar. E se isso se verifica nas bancadas, com os energúmenos do assobio que querem ópera todos os dias, o exemplo vem de cima, de quem manda. E isso também tem de mudar. Se Lopetegui é o treinador que a SAD quer, a SAD tem que o mostrar. Tem de mostrar que está ao lado dele. Neste caso, o silêncio não é a melhor resposta, ao contrário do que dizia uma célebre tarja dos Super Dragões. Este silêncio é ensurdecedor.

Noutro âmbito, hoje há jogo. Caros assobiadores profissionais, recomendo-vos o consumo exagerador de pipocas e outros alimentos. Enquanto estão de boca cheia, não conseguem assobiar.

ABola e o FC Porto: tão amigos que eles estão

Historicamente, não a relação entre o jornal ABola e o Futebol Clube do Porto não é famosa. E não o é porque, como é mais ou menos público, ABola tem, ao longo dos anos, assumido a pele de jornal semi-oficial do Benfica.

Qualquer portista, do mais novo ao mais idoso sabe, perfeitamente, que não pode confiar no jornal ABola, fruto do seu enorme facciosismo, da sua falta de isenção, dos seus editoriais escritos a vermelho-vivo, da sua falta de decoro.

Nós, os portistas, não nos esquecemos que houve jornalistas de ABola a participar em reuniões de direcção do Benfica. Não nos esquecemos que foi ABola que deu destaque às pretensas agressões a Rui Gomes da Silva. Sabemos que foi ABola que deu a manchete ao papagaio João Gabriel para ele dizer que determinado campeonato conquistado pelo Porto tinha sido "um tributo dos árbitros". Todos nos recordamos que foi um jornalista de ABolaTV que ficou em estado de choque e amuado após uma vitória do nosso andebol na Luz no último segundo da partida. Está bem presente na nossa memória uma capa de ABola a dizer que o Porto não precisava de ser ajudado pelos árbitros após uma justíssima derrota do Benfica em Braga, na época em que fomos treinados por André Villas-Boas. E muito mais poderíamos escrever...

Isto devia ser claro e óbvio para qualquer portista minimamente informado sobre o clube e o que o rodeia. Pena que pareça estar esquecido pela Direcção do Futebol Clube do Porto, que convidou o director do referido jornal, o benfiquista que nem coragem para se assumir como tal tem, disfarçando-se de belenense, Vítor Serpa, para a gala dos Dragões de Ouro. Convenhamos, qualquer jornalista de ABola devia ser considerado persona non-grata no Dragão. Devia, no mais escrupuloso respeito pelas leis, ser impedido de entrar no Dragão. Mas não, é tudo feito ao contrário do que seria expectável e, ABola, na pessoa do seu director, ainda é recebida pomposamente numa gala que deveria ser de, e para portistas.

 Apenas apetece perguntar, onde andas tu e o que te fizeram, meu Porto?


A verdadeira história do Apito Dourado

Não querendo branquear atitudes e actos de pessoas ligadas ao Futebol Clube do Porto, e muito menos defender essas atitudes, que existiram e não devem orgulhar nenhum portista, subsistem algumas situações esquisitas, obscuras e manhosas por explicar que levam a considerar que o processo Apito Dourado foi conduzido não com o objectivo de eliminar a corrupção no futebol português, mas de o fazer apenas para alguns agentes do nosso futebol. Infelizmente, estes factos foram, digamos, esquecidos pela comunicação social nacional, ao melhor estilo da manipulação de massas do Pravda soviético ou do canal de televisão norte-coreano (o mesmo que anunciou que o Querido Líder fez um hole-in-one em cada um dos 18 buracos do único campo de golfe da Coreia do Norte, aquando da sua inauguração).

1 de Outubro de 2000. Nesse dia, um jovem árbitro, de nome Rui Mendes, deslocou-se a Campo Maior para arbitrar um Campomaiorense - União de Leiria, quando se encontrou com um vogal do Conselho de Arbitragem da FPF, Nemésio de Castro (a quem nada a conteceu). Nemésio de Castro terá indicado que seria importante que o Campomaiorense ganhasse o jogo, uma vez que os resultados estavam a ser maus e o seu treinador, Carlos Manuel, estava ameaçado de despedimento. Rui Mendes arbitrou o jogo, que terminou empatado a uma bola, normalmente, numa boa arbitragem, não acompanhada pela nota do observador, que o classificou com uma nota altamente negativa. Revoltado, Rui Mendes escreveu ao presidente da Liga, Valentim Loureiro, relatando tudo o que se tinha passado. E ficou sem resposta durante seis meses, até que foi chamado por José Luís Oliveira, na altura vice-presidente da Câmara de Gondomar, para uma reunião na sede desse município com o autarca Valentim Loureiro. Sucede que Oliveira era também presidente do Gondomar, que lutava desesperadamente pela subida à Segunda Liga. Ora, o Major e Oliveira terão dito a Rui Mendes que a nota era reversível, afastando assim o espectro da despromoção à segunda categoria da arbitragem, desde que este aceitasse arbitrar o jogo do Gondomar na Trofa, o que sucedeu. Rui Mendes, posteriormente, contactou Pimenta Machado seu amigo, que o aconselhou a denunciar o caso à polícia e a escrever uma carta a Valentim Loureiro, relatando tudo
. E assim começou o Apito Dourado.

Como se pode ver, o Apito Dourado, inicialmente não teve nada a ver com Pinto da Costa e o Porto. Pinto da Costa foi depois apanhado numa série de escutas telefónicas que as autoridades efectuaram, tendo apanhado e estendido essas escutas não só a Valentim e José Luís Oliveira, mas a Pinto de Sousa, Pinto da Costa, João Loureiro, João Bartolomeu, entre outros, começando assim vários processos que decorreram do Apito Dourado inicial. Aqui surge uma questão: Luís Filipe Vieira surge numa escuta feita a Valentim Loureiro, usando a sua influência para escolher um árbitro para um jogo da Taça, facto que configura um crime de tráfico de influências, uma vez que Vieira meteu uma "cunha" para ter um árbitro que lhe agradasse. E aqui verifica-se uma incoerência que, não servindo nunca, e repito, nunca, para ilibar Pinto da Costa e o Porto, permitem perceber que houve um tratamento diferenciado consoante o envolvido. Vejamos, se os processos que levaram Pinto da Costa a julgamento por tentativa de corrupção, (já lá vamos), começaram com escutas entre o Presidente, Joaquim Pinheiro e o empresário António Araújo nos casos da fruta, e do envelope, Pinto da Costa começou a ser escutado por conversas com outros intervenientes, que levantaram suspeitas, até porque Pinheiro e Araújo nada têm a ver com o caso do Gondomar, porque motivo é que a escolha dos árbitros pela parte de Luís Filipe Vieira não levantou as mesmas suspeitas e o presidente do Benfica não foi posto sob escuta? É que, a generalidade das escutas entre Pinto da Costa, Pinto de Sousa e o Major são da mesma índole... Ou seja, enquanto outros eram escutados, Vieira pôde, alegremente, continuar a decidir os lugares na Liga e a escolher árbitros, sem correr o risco de ser escutado.

Voltando ao processo propriamente dito, importa explicar o porquê de Pinto da Costa ter sido ilibado nos tribunais. Quando o Presidente começou a ser legitimamente escutado, recaim sobre ele suspeitas de corrupção. Sucede que, quando se analisaram as consequências do actos praticados, chegou-se à conclusão que o Futebol Clube do Porto, por muito que a muitas cabeças pensantes lisboetas, não obteve benefícios directos desses actos. Nada, nicles, niente, rien. Ora, como não houve benefício, o crime deixa de ser de corrupção e passa a ser de tentativa de corrupção. Sucede que este crime tem uma moldura penal inferior ao de corrupção e, à data dos factos, esta moldura penal era inferior à mínima para que as escutas fossem aceites como prova. Daí as escutas terem sido consideradas inválidas. Ou seja, se no jogo Porto-Estrela da Amadora, Jacinto Paixão tivesse inventado um penalty a nosso favor, Pinto da Costa estaria, provavelmente, a esta hora, na cadeia. E, portanto, Pinto da Costa safou-se por uma tecnicalidade. Por muito que as Cofinas deste país não o queiram admitir, a justiça actuou como deve ser, neste caso e a lei foi cumprida, ainda que pudesse estar mal feita, e os processos arquivados.

Entretanto, e do "nada", eis que Carolina Salgado vira "escritora" e escrevem-lhe um livro onde lhe contam a sua versão dos factos. E aí, Carolina é transformada em heroína nacional e os processos reabertos com base no seu testemunho. Infelizmente para as referidas cabeças pensantes, Carolina foi apanhada a mentir descaradamente e entrou várias vezes em contradição nos seus depoimentos, tendo estes, logicamente, sido considerados pouco credíveis e Pinto da Costa ilibado.

Entretanto, enquanto uns eram acusados de tudo e mais alguma e outros se safavam sabe-se lá bem como, outro jovem árbitro, Rui Silva, de Vila Real era suspenso da arbitragem por 20 meses por, supostamente falsificar dois relatórios de jogo, naquilo a que se pode chamar num castigo à Calabote. O que interessou abafar é que esse mesmo árbitro disse ter sido presenteado com uma peça em cristal por parte do Benfica quando apitou na Luz um Benfica-Naval. Coincidência?

Mas voltemos ao início. O post já vai longo, mas recordar-se-ão decerto de eu ter dito que o Apito Dourado começou quando, em 2000, um árbitro foi informado que o Campomaiorense necessitava de ganhar determinado jogo. Alguém se lembra do que sucedeu em Campo Maior nesse mesmo ano? Não? Vejam o vídeo... Será outra coincidência?

Porque é que o Apito Dourado começou no Porto e terminou em Leiria? Terá terminado a gasolina para chegar a Campo Maior e a Lisboa? Ou no sul de Portugal dois e dois não são quatro? Fica a questão.

A política de remunerações da administração da SAD

Nota prévia: em momento algum o post que se segue pretende avaliar, criticar ou julgar os elevados salários dos administradores da SAD do FCP. O que se pretende é analisar a política subjacente aos mesmos.

Que os administradores da SAD do FCP ganhem rios de dinheiro é algo que não me incomoda minimamente. É normal que os gestores da mais bem sucedida equipa de futebol de Portugal sejam muito bem pagos e mais vale serem bem pagos do que apregoarem que trabalham de borla e usarem o clube e o seu património para ganharem obras para as suas empresas.

No entanto, e analisando os quadros abaixo, sendo o primeiro retirado do relatório & contas de 13/14 e o segundo do de 12/13, verificámos que, de um ano para o outro, houve um substancial aumento das remunerações dos órgãos sociais.


Sem querer por em causa os valores, uma vez que acho óptimo que o melhor presidente do Mundo seja muitíssimo bem pago, provoca-me uma tremenda confusão verificar que, numa altura em que o Porto atravessa problemas financeiros graves, que nem mesmo as justificações do Dr. Fernando Gomes disfarçam, numa época em que a SAD apresenta um prejuízo recorde, numa época onde tudo correu mal, desde a escolha do treinador, à construção do plantel e aos seus retoques em janeiro, sem esquecer os péssimos resultados, os piores dos 32 anos de presidência de Pinto da Costa, e numa época onde o dr. Angelino Ferreira afirmou repetidas vezes que era preciso cortar nos gastos, a administração se dê ao luxo de se aumentar na casa das dezenas de pontos percentuais.

É o "olha para o que eu digo, mas não olhes para o que eu faço".

Nós não comemos gelados com a testa



 A Porto SAD convocou uma Assembleia Geral, para o próximo dia 2 de Outubro.

Resumidamente, a AG terá três pontos, a saber:

1 - Ratificação da nomeação de Fernando Gomes para administrador da SAD;
2 - Aprovação da compra de 50% do capital da sociedade EuroAntas, dona do nosso estádio do Dragão, ao Futebol Clube do Porto;
3 - Aprovação de um aumento de capital da SAD.

O primeiro  ponto é pacífico. Fernando Gomes foi nomeado administrador, em substituição de Angelino Ferreira e a lei manda que os accionistas aprovem essa escolha;

O terceiro ponto, também seria pacífico. A Porto SAD tem apresentado péssimos resultados, que se traduzirão (será visível no relatório e contas final da época 13/14), na apresentação de capitais próprios negativos. Isto significa que a SAD terá um passivo maior do que o activo, ou seja, de forma muito básica, que aquilo que tem é inferior àquilo que deve. Isto significa que a SAD vai ficar numa situação de falência técnica. Um aumento de capital poderia ser, de facto, uma boa solução para resolver este problema. Sucede que, o principal accionista, o clube, não tem dinheiro para investir nesse aumento de capital. E, não tendo dinheiro, ou não participa no aumento de capital e arrisca-se a perder o controlo da SAD, ou tem de arranjar dinheiro.

Do parágrafo anterior, chegámos então ao segundo ponto. Como irá o clube arranjar dinheiro? Vendendo metade da EuroAntas à SAD, usando depois esse dinheiro para investir no aumento de capital. Sucede que a EuroAntas é uma sociedade com uma situação financeira invejável. Tem a sua dívida controlada, tem, nos últimos anos, apresentado lucros, tem dinheiro em caixa e tem um capital próprio muito, muito elevado. Uma empresa modelo, portanto. Ou seja, o clube prepara-se para trocar um activo "bom", a EuroAntas, por um "mau", a SAD. Vai vender aquilo que dá dinheiro para comprar algo que só dá prejuízo.

Esta solução poderia ser positiva se a SAD estivesse a inverter a sua política despesista. Como não parece ser o caso, esta operação é apenas cosmética e visa apenas permitir que o desvario financeiro da SAD continue por mais uns anos. Exemplificando: imagine-se um indivíduo com um rendimento mensal de 1.000 euros, mas que gasta 1.200 euros por mês. Vai-se endividando para poder pagar as despesas, até que chega a um ponto em que fica completamente estrangulado. Um amigo, num acto de caridade, oferece-lhe 10.000 euros para ele pagar as dívidas. No entanto, se continuar a gastar mais do que aquilo que ganha, mais tarde ou mais cedo, vai voltar ao mesmo e, a ajuda do amigo serviu apenas para adiar o problema. No entanto, se reduzir as suas despesas para menos de 1.000€, a ajuda do amigo foi útil, pois permitiu-lhe resolver o problema. Esta operação, entre o clube e a SAD, é semelhante. Se a SAD cortar na despesa, esta ajuda do clube pode ser importante. Caso tal não suceda, servirá apenas para adiar o estrangulamento por mais uns anos.

Mais a mais, quer Sporting, quer Benfica já fizeram esta operação, no passado. O Sporting, ao contrário do que a comunicação social e Bruno de Carvalho dão a entender, continua falido e o Benfica, desde que passou o estádio para a SAD, já foi forçado a renegociar o pagamento da dívida da sua construção, adiando o pagamento total da dívida por mais umas dezenas de anos, sabe-se lá a que custo. Já o Dragão está quase, quase pago, tendo sido esse pagamento efetuado de forma escrupulosa até aos dias de hoje. Srs. administradores da SAD, não estraguem tudo, a tão pouco tempo do fim.

Esperemos que tudo isto seja feito com boas intenções, e que não sirva para prorrogar no tempo o desperdício, a loucura e o deboche  que tem sido a gestão financeira da SAD.

Largos dias têm 100 anos

Hoje o nosso Presidente, o Presidente do Futebol Clube do Porto cumpre hoje o 32º aniversário na presidência do clube.
Há 32 anos foi assim.
É o Presidente mais titulado da história do futebol mundial e desde essa altura que o Futebol Clube do Porto conseguiu a hegemonia a nível interno que os outros não querem ver e a imprensa da capital do regime não aceita e não tem problemas em fazer tudo o que está ao seu alcance para tentar denegrir a nossa imagem e elevar a de outros, especialmente o clube do regime.
Aqui podem ver uma das algumas situações em que o clube do regime é beneficiado e que ninguém se preocupa em esclarecer e já nem falo da Taça Latina, que só o grupo cofina se dá ao trabalho de contabilizar.
Noutro espaço da bluegosfera puseram a contagem em imagem, para ser mais fácil a qualquer um descortinar quem manda no futebol português desde que foi instaurada a democracia e eu faço questão de a partilhar:
Número de títulos em democracia 

Agora portistas, importa que fiquemos unidos e como temos que começar a ouvir mais o Presidente porque ele tem muita razão no que diz, mas é bom que tenha consciência do que diz na preparação da próxima época, porque nós portistas não estamos habituados a perder e é um hábito que não queremos ganhar.













E finalizo este pequeno texto com um Obrigado Presidente e para o ano temos de voltar a limpar tudo.

Carta aberta aos dirigentes do Futebol Clube do Porto e aos administradores da Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD


Exmos srs,

Escrevo-vos esta carta, enquanto sócio e adepto daquele que, para mim, é o melhor clube do mundo, o Futebol Clube do Porto. Escrevo-a porque são os srs. que comandam os destinos do clube que eu amo e, por maioria de razão, os derradeiros responsáveis por tudo, de bom ou de mau, que acontece no clube.

Olhando para trás, não me posso queixar: vivi a conquista de uma Liga dos Campeões e falhei outra por meros oito dias, uma Taça Uefa, uma Liga Europa, uma Taça Intercontinental, uma Supertaça Europeia, um penta, um tetra e um tri e mais uma série de campeonatos, Taças de Portugal e Supertaças. Pelo facto, agradeço-vos.

Ainda assim, permitam-me que teça alguns comentários sobre o que se vem passando no clube nos últimos anos. Desde muito novo fui habituado a ouvir os maiores elogios à estrutura do clube. Cresci, portista, sabendo que ninguém sequer se atrevia a "pisar-nos os calos", sem perder pela demora e levar uma resposta cabal. Acostumei-me a um clube onde os atletas e os técnicos eram protegidos e defendidos a qualquer custo, com os dirigentes a dar a cara. Hoje só aparecem nos bons momentos ou em entrevistas encomendadas. Quando não convém, fogem como ratos. Não era nascido quando perdíamos os jogos logo depois de passar a ponte, mas vivi com especial prazer o tempo em que bastava atravessá-la para por "Lisboa a arder". Cresci a admirar o Porto, a viver o Porto. A idolatrar o Vítor Baía, o Kostadinov, o Domingos, o Jardel, o Deco ou o Lucho Gonzalez. A ver monstros sagrados do meu querido clube a sofrer dentro de campo tanto ou mais do que eu, fora dele, a ver os jogos, como o Jorge Costa ou o João Pinto.

Todavia, não posso deixar passar em claro aquela que tem vindo a ser a estratégia seguida pelos senhores nos últimos anos. Para além de uma gestão financeira ruinosa, baseada em gastar aquilo que se tem e não se tem e altamente dependente de vendas de altetas, com consequências, não só na SAD, mas também no clube - e que desgosto me deu ver o Pedro Gil pedir para lhe pagarem o que lhe deviam após marcar um golo -  torna-se evidente o desleixo com que se tem gerido a parte desportiva. De facto, numa altura em que gastámos dinheiro como nunca no reforço do plantel, vemos que este tem sido construído de forma totalmente desequilibrada. Falcao, que nunca teve suplente à altura foi substituído por... Kleber. Moutinho por Herrera. James por Licá, que nem extremo é. Fernando não tem alternativa desde o tempo da televisão a preto e branco. Danilo e Alex Sandro jogam sempre porque não há ninguém para jogar no lugar deles. Houve 9 milhões para contratar um central, quando tínhamos quatro no plantel e, pelo meio, vender metade do seu passe a um fundo de quem não se conhecem os donos, mas não houve para um extremo de alto nível. Castro brilha por onde passa, mas como não custou 8 milhões, nem oportunidades tem. Temos a defesa mais cara da nossa história e, arrisco-me, de todo o futebol português, e sofremos golos como há muito não sofríamos.

Somos cada vez mais um entreposto de atletas. Eles vêm e vão, perdendo-se assim a mística do Futebol Clube do Porto. Compreendendo eu a necessidade de vender, não posso aceitar a forma como o portismo foi arrasado do clube. Quando eu era miúdo, e, dada a minha total inabilidade para dar uns chutos na bola, ia para a baliza e defendia uma bola, (ou ela me batia, para ser mais exacto), eu gritava BAÍÍÍÍÍÍÍÍÍA. Quando o Porto jogava mal, eu via um Jorge Costa a mandar dois berros dentro do campo e a por toda a gente em sentido. Hoje não. Os srs. deram uma tremenda machadada na garra do Porto e, como se não bastasse, ainda conseguiram limpar do clube a maioria destes símbolos. Jorge Costa foi empurrado para fora do clube de forma vergonhosa. Voltou, mesmo assim, e... fizeram-lhe o mesmo. A Vítor Baía, prometeram-lhe um jogo de despedida. Até hoje. Jardel pediu que lhe fizessem o mesmo. Foi ignorado. Deco, numa pausa do campeonato brasileiro foi melhor recebido em Barcelona do que no Porto. Lucho, inclusivamente, saiu por se sentir parte do problema e incapaz de o resolver sozinho. E poderia continuar, mas não vale a pena.

É chegada a hora de mudar alguma coisa. É chegada a hora de acabar com o disparate. É chegada a hora dos dirigente principescamente pagos e que até prémios por segundos e terceiros lugares já se arrogaram a receber, fazerem por merecer esse ordenado. É chegada a hora de acabar com os parasitas que vivem à custa do clube. É chegada a hora de acabar com comissionistas, empresários amigos, filhos e ex-cunhados. É chegada a hora de tornar o Porto financeiramente viável. É chegada a hora de respeitar os atletas das modalidades e o ecletismo do clube. É chegada a hora de acabar com as negociatas com fundos obscuros. É chegada a hora de honrar os nossos símbolos. E, acima de tudo, é chegada a hora de respeitar aqueles que gastam o seu dinheiro e o seu tempo com o clube, aqueles que vos dão o dinheiro que vos alimenta os vícios e vos enche os bolsos, aqueles que são, apenas e só, Portistas. Por amor e convicção. Esta é a pior época dos últimos trinta anos. Mude-se, então. E, já agora, alguns dos srs., mudem-se. Daqui para fora. Para bem longe do meu Porto. Para que vergonhas como a de ontem não se repitam.

Com os melhores cumprimentos,
João Ferreira

Castigo justo, Castigo injusto

O Futebol Clube do Porto, mesmo jogando mais de uma hora contra dez, foi incapaz de se apurar para a final da Taça de Portugal, perdendo com o Benfica por 3-1.

Se, por um lado, os sócios e adeptos portistas, não mereciam minimamente isto que se passou, é importante relevar que quem (des)governa os destinos do nosso clube está a ter o castigo que merece.

Quem monta plantéis desequilibrados como os das últimas três temporadas, quem é incapaz de abrir os olhos e corrigir o que está mal, mesmo estando à vista de todos, quem esbanja dinheiro em jogadores de segunda categoria, quem paga comissões cada vez mais chorudas, quem, rapidamente, conduz o clube para o abismo financeiro, quem só aparece nas vitórias e se esconde nas derrotas, quem não paga os salários aos atletas das modalidades que não o futebol, quem tenta desesperadamente acabar com o ecletismo do clube, quem perde com tempo com processos judiciais merece o que está a acontecer.

O problema está nos milhares de portistas que pagam quotas, que compram lugares anuais ou bilhetes, que compram merchandising, que amam incondicionalmente o clube, sem esperar nada em troca, que abdicam de tempo com a família e os amigos, pelo clube, que não se concentram no trabalho ou na escola, em dia de jogo, que vivem o Porto, que respiram o Porto, que são Porto e que, de todo, não merecem isto.

A culpa não é dos jogadores, nem dos treinadores. É de quem os meteu lá. E esses, passam sempre, mas sempre, mas sempre impunes. E com os bolsos mais cheios.


Vamos continuar à espera.

O Filho do Presidente

Alexandre Pinto da Costa, nascido em 1964, é filho do nosso eterno Presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa. Sempre foi conhecido, no mundo do futebol, como representante de atletas.

Tornou-se mais famoso aquando de uma zanga com o pai, por, na altura, ser colaborador de José Veiga, também agente de atletas, antigo presidente da Casa do Porto do Luxemburgo e, posteriormente, dirigente do Benfica. Esta zanga, ocorrida na viragem do século, sensivelmente, teve como principal repercussão pública, o envio do atleta Miklos Feher para a equipa B portista, precisamente por ser representado por Veiga e Alexandre Pinto da Costa.

Entretanto, nos últimos anos, Alexandre Pinto da Costa reconciliou-se com o pai e voltou a aproximar-se do Futebol Clube do Porto. Em julho de 2012 criou a empresa de agenciamento de atletas Energy Soccer e, entretanto, mesmo sem ter qualquer cargo no Porto, representou o clube numa visita a uma delegação oficial do mesmo.

Muitos são os boatos que circulam pela internet sobre as reais intenções de Alexandre Pinto da Costa. Todavia, aqui, no Mística, cingir-nos-emos aos factos disponíveis na internet. Uma consulta rápida à página online da Energy Soccer permite aferir que, ao contrário da maioria das páginas de empresas da área, a lista dos atletas agenciados não é divulgada.


Assim, é necessário recorrer ao ZeroZero, para conseguir identificar a, refira-se, curta carteira de atletas da Energy Soccer, que, acreditando na fonte, para além de diminuta, tem apenas dois atletas de renome, Rolando e Alvaro Pereira.


Continuando a analisar o site da Energy Soccer, verificamos que a empresa apenas noticia três negócios. Estes três negócios têm um ponto em comum, foram todos efectuados entre equipas italianas e o Porto. Estes negócios são os empréstimos de Rolando a Nápoles e Inter de Milão e a venda de Álvaro Pereira a este último clube. Todas as outras notícias visam relatar encontros de Alexandre Pinto da Costa com figuras do futebol internacional, como Harry Redknapp.

É evidente que, com base nestes factos, a empresa de Alexandre Pinto da Costa sobrevive à custa de negócios com o Futebol Clube do Porto, presidido pelo seu pai. Passando a parte ética da questão à frente, subsiste a dúvida: quanto custará tudo isto aos depauperados cofres da nossa SAD?

Fica a questão para quem de direito.