Vermelhos a menos, dão vermelho a mais
Apesar do Benfica ir destacado em primeiro lugar, o campeonato nacional tem falta de vermelhos. E não, não falo da ausência do Salgueiros e do Santa Clara, mas sim da ausência de cartões vermelhos aos jogadores do Benfica.Sem perder muito tempo, todos nos recordámos de como Enzo Perez enfiou os pitons da chuteira no pescoço de um jogador do Moreirense, com o jogo em 1-0 a favor dos Minhotos. Também todos nos recordámos do mesmo Enzo Perez, já amarelado, fazer uma entrada duríssima sobre um atleta do Estoril, que nem falta foi. Samaris derrubou por trás, de carrinho, um jogador do Arouca, sem qualquer intenção de jogar a bola, travando um contra-ataque. Levou um amarelo e um sorriso do árbitro Hugo Miguel. Talisca, num sururu perto do final do jogo em Braga, deu uma bofetada num adversário. Se se compreende que o árbitro, no meio da confusão, nada tenha visto, as imagens eram mais que suficientes para punir o atleta. Curiosamente, Talisca marcou o golo da vitória na jornada seguinte. No Dragão, aos cinco minutos de jogo e já amarelado, André Almeida pisou ostensivamente Danilo. Em Penafiel, com o Benfica a jogar mal e a vencer apenas por 1-0, Maxi Pereira é, pela enésima vez desde que joga em Portugal, poupado à expulsão. E ontem, na Madeira, com o jogo em apenas 1-0 para o Benfica, Talisca, é poupado ao segundo amarelo após pisar deliberadamente um adversário.
Analisando todos estes lances, verifica-se que:
- Contra o Arouca, o jogo estava empatado. O Benfica ganhou;
- Contra o Moreirense, o Benfica perdia. Empatou;
- Contra o Estoril, o Benfica vencia e, venceu. Pelo meio, o Estoril empatou e um atleta do Estoril foi bem expulso por falta sobre... Enzo Perez;
- Contra o Braga, o Benfica perdia, e perdeu;
- Contra o Porto, o jogo estava empatado. O Benfica venceu por 2-0;
- Em Penafiel, o Benfica vencia por 1-0 e venceu a partida por 3-0;
- Na Madeira, o Benfica vencia por 1-0. Venceu 4-0;
É por demais evidente que os vermelhos a menos estão a por vermelho a mais na frente do campeonato. O andor, este ano, é descarado. Infelizmente, a procissão já saiu do adro há algum tempo.
Para que o Futebol Clube do Porto seja campeão, terá de ser perfeito. E esperar que, a determinado momento, comece a chover e a procissão seja interrompida. O problema está na possibilidade do andor ser guardado dentro da Capela.
Assim não vamos ao Tetra
O Porto perdeu, na Madeira, frente ao Marítimo por 1-0. Derrota justa, direi, de uma equipa sem ideias, desgarrada e inofensiva.
O campeão nacional entrou em campo de forma absolutamente desinspirada, sem sequer conseguir passar do meio-campo. O golo do Marítimo, de penalty, surgiu, pois, naturalmente e, até ao intervalo o Porto não foi capaz de incomodar a baliza defendida por Salin.
Na segunda parte, mesmo criando mais algum perigo e, tendo tido a possibilidade de marcar, a exibição foi muito fraca na mesma. De facto, a equipa portista nunca conseguiu libertar-se das amarras que impõe a si própria, consequência do já tristemente célebre duplo-pivot.
Paulo Fonseca continua a ser fiel aos seus princípios. Mantém a sua aposta nos dois médios defensivos, a actuar lado a lado, um esquema que qualquer treinador de bancada já percebeu que não funciona numa equipa que luta por títulos e que precisa de carregar sobre os adversários. O duplo pivot torna a equipa incapaz de penetrar nas defesas fechadas que 95% das equipas que jogam contra o Porto apresentam. Mas Paulo Fonseca continua a teimar neste esquema. Não muda, não admite que erra e continua a arrastar o Porto para um buraco de onde parece, cada vez mais, não haver saída. A culpa não será só dele, e ele pouca responsabilidade terá por ter um plantel desequilibrado e com poucas soluções, mas Paulo Fonseca insiste num sistema que está mais que provado que não funciona e nunca funcionará.
- Danilo a atacar. Danilo é o único atleta do Porto que ainda consegue mostrar alguma coisa. É o nosso atleta mais perigoso e joga a lateral. Sintomático.
- Helton: Fez uma grande defesa hoje e impediu que viéssemos da Madeira com um resultado ainda mais humilhante.
- A ilha Jackson: Sozinho, completamente sozinho. Vem buscar a bola, passa ou cruza e depois ainda tenta ir às segundas bolas. Tenta agarrar o jogo quando lhe bombeiam bolas, espera por passes que nunca chegam e por cruzamentos que passam muito ao lado. Não fosse ele um extraordinário avançado e estávamos neste momento muito mais perdidos do que o que estamos.
- Danilo a defender. Um penalty escusado e uma distração que ia custando o segundo golo perto do fim. Cada vez mais prova que não é lateral, mas sim médio.
- Maicon. Desconcentrado, nervoso. Tem de aproveitar melhor a oportunidade que as péssimas exibições de Otamendi lhe deram, ou corre o risco de, rapidamente perder o lugar para Reyes ou para o regressado Abdoulaye.
- Quaresma. Desinspirado, voltou a cair nos mesmos erros que o impediram de ser um dos melhores jogadores do Mundo, a vontade de fazer tudo sozinho e uma capacidade de tomar as melhores decisões sofrível. Parece ter medo de abordar os lances, ter medo de "meter o pé" e parece fugir do confronto físico... resquícios da lesão ou sinal de algo pior?
António Tavares Teles citava há momentos Paulo de Carvalho na RTP Informação para dizer o que achava do Porto de Paulo Fonseca: "A equipa é metade à balda e o resto à sorte". Parece que todos vemos isto excepto a nossa direção. Até quando?


